Não é só obesidade: saiba quais outras doenças as canetas emagrecedoras tratam
Ler matéria →Sarampo na Copa do Mundo: por que torneio é território fértil para surtos Torcedores não imunizados podem ser goleados pelo vírus da doença, registrado nos três países-sede e trazê-lo ao Brasil na viagem de volta Recentemente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta para os países das Américas em razão de um aumento de quase 32 vezes no número de casos de sarampo entre 2024 e 2025 no continente. Foram 14.891 registros da doença, quase 95% deles (14.106) no México, Canadá e Estados Unidos
– justamente os países que sediarão a Copa do Mundo. O Brasil teve 38 casos nesse período, a maioria importados– contraídos em viagens a outros países ou contato com viajantes infectados. O país segue certificado como livre da circulação do sarampo (status que havia perdido em 2019 e recuperado em 2024).
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Mas eventos como esse colocam no horizonte o risco de importação do vírus, que é altamente transmissível. Brasileiros não imunizados que forem torcer pela nossa seleção podem ser infectados e, além de contrair a doença, quando voltarem podem trazer o vírus junto, onde ainda temos flancos de fragilidade na defesa. Em 2025, a cobertura com a vacina tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola) atingiu 92,7% da população-alvo com a primeira dose e 78,1% com a segunda dose.
O índice ideal para essa e grande parte das demais vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é de 95%– patamar que cria uma imunização coletiva, impedindo a circulação dos microrganismos causadores das doenças. No entanto, assim como no caso do sarampo, os níveis de cobertura vacinal dos diferentes imunizantes têm se mantido aquém do esperado há cerca de uma década. +
Um gol contra a saúde do país que, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, atingira o que pode ser chamado de plenitude vacinal, com níveis de cobertura vacinal próximos e até acima dos 95%. Era uma conquista associada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), um programa que é referência global– com o calendário público mais completo e acessível do mundo: gratuito, amplo e com capilaridade que alcança praticamente todo o território nacional. O cenário começou a mudar na metade da década passada, com queda gradual dos índices de cobertura. Leia também: Wembanyama brilha e Spurs vencem Jogo 3 em Nova York: 32 pontos de show
Ainda não era uma redução dramática, mas já emitia sinais de alerta. Então, veio a pandemia da Covid-19, quando ocorreu um verdadeiro colapso: as taxas de cobertura chegaram a cair para cerca de 60%. E, embora haja sinais recentes de alguma recuperação, ainda estamos longe do ideal.
O que aconteceu? Como explica Alfredo Elias Gilio, coordenador da Clínica de Imunizações do Einstein, não existe um único motivo, mas uma combinação de fatores. Um deles está ironicamente associado ao próprio sucesso das vacinas, o chamado “paradoxo da vacinação”.
À medida que as doenças desaparecem, deixam de ser percebidas como ameaça. Muitas mães e pais nunca viram um caso de sarampo ou difteria, o que lhes impede de enxergar os riscos e a gravidade dessas infecções. Outro fator é a complexidade do calendário vacinal.
Ao longo dos anos, novas vacinas foram incorporadas ao PNI. Trata-se, sem dúvida, de uma conquista a ser celebrada, no entanto, calendários vacinais mais abrangentes implicam também mais idas aos postos de saúde, mais atenção às datas e mais organização por parte das famílias. O complicador mais grave e desafiador talvez seja a chamada hesitação vacinal, que consiste no atraso ou recusa da vacina, mesmo quando ela está disponível gratuitamente.
A hesitação vacinal vem sendo impulsionada pela disseminação de desinformação que se multiplica rapidamente, especialmente nas redes sociais. Notícias falsas sobre efeitos adversos das vacinas, teorias conspiratórias sobre interesses escusos da indústria farmacêutica e alegações sem base científica ganharam espaço, confundindo perigosamente a população. E, muitas vezes, os esforços para combater as fake news não são suficientes. Mais de saude
+ Um exemplo é a falsa informação de que a vacina tríplice viral poderia levar ao autismo. Foi amplamente noticiado que o estudo que sugeria essa associação teve seus dados falseados e seu autor, um médico britânico, teve inclusive seu registro profissional cassado.
Apesar dos esclarecimentos, ainda vemos a fake news circulando e, pior, pessoas acreditando nela. Além disso, também vemos hesitação vacinal relacionada a questões religiosas. E há ainda aqueles que se valem de argumentos como “não vou tomar a vacina da gripe, porque vou ter gripe de qualquer jeito”.
É verdade que o imunizante pode não evitar a gripe ou a Covid, por exemplo. Mas também é verdade que, se a pessoa imunizada tiver a doença, será um caso mais leve e fácil de ser curado. O movimento antivacina começou a ganhar força a partir de 2015 e se intensificou de maneira assustadora durante a pandemia com a politização dos imunizantes. Leia também: Só 4% das pessoas se mantêm na academia por um ano. Saiba como entrar nesse
Como observa o Dr. Gilio, quando um tema de saúde pública se torna objeto de disputa ideológica, perde-se o consenso necessário para proteger a população, trazendo duras consequências: menos pessoas vacinadas, mais espaço para o retorno de doenças. Recentemente, os Estados Unidos viram, na Carolina do Sul, o maior surto de sarampo do país em mais de três décadas, inclusive com mortes.
A grande maioria dos casos era de pacientes não vacinados. Especialistas médicos daquele país temem que surtos como esse se tornem mais frequentes, uma vez que as políticas antivacinas adotadas pelo governo norte-americano atualmente ajudam a corroer a confiança do público nas imunizações. Mas, voltando ao Brasil, há mais dois pontos preocupantes que merecem ser citados.
Um é que doenças típicas da infância, como o sarampo, têm crescido entre adultos. O outro é que a hesitação vacinal não se limita à população leiga. Muitos profissionais de saúde não seguem corretamente as recomendações vacinais, mesmo tendo acesso gratuito e facilitado.
Médicos e demais profissionais de saúde devem tomar uma série de imunizantes. É proteção para eles, que poderão atender pacientes com doenças transmissíveis, e proteção para os próprios pacientes, que serão cuidados por um profissional imunizado, que não vai lhes transmitir alguma enfermidade. Alerta verde e amarelo
A Copa do Mundo exige atenção redobrada pelo fato de ocorrer em países com grande incidência de sarampo. Para quem for viajar para acompanhar os jogos, a recomendação é providenciar a imunização até 15 dias antes. Viagens de adultos e crianças não vacinados a esses países aumentam a possibilidade de contrair a doença e trazer o vírus para o nosso país.
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