Superdotação ganha destaque após novo desdobramento em superdotação: quantos
Ler matéria →Sabrina Sato grávida aos 45: o que muda na gestação tardia? Nem impossível, nem livre de riscos: especialistas explicam quais os reais impactos de uma gestação considerada "tardia"
A apresentadora Sabrina Sato, de 45 anos, anunciou, nesta segunda-feira, 22, que está grávida. A novidade foi compartilhada nas redes sociais, por meio de um vídeo narrado pela filha da artista, Zoe, de 7 anos. Na gravação, a menina conversa com os espectadores para contar que um novo bebê está a caminho.
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Como divulgado na imprensa, a nova gestação acontece quase dois anos após Sabrina e o marido, o ator Nicolas Prattes, enfrentarem uma perda gestacional na 11ª semana de gravidez. Assim, a notícia foi amplamente celebrada por familiares e amigos na publicação feita pelo casal esta semana. Sato é mais um exemplo das muitas mulheres que têm optado pela chamada gravidez de “idade materna avançada”.
O número de mulheres que gestam após os 35 anos cresceu consideravelmente nas últimas décadas. Dados da Estatísticas do Registro Civil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 13,81% dos nascidos em 2024 eram filhos de mães com idade entre 35 e 39 anos. E 0,26% na faixa dos 45 aos 49.
Pouco a pouco, essa mudança de perfil vai desconstruindo a ideia de que engravidar após os 40 anos é impossível ou perigoso. Mas, afinal, qual o real impacto do avançar da idade na gestação? E quais são os cuidados extras realmente necessários? Leia também: Superdotação ganha destaque após novo desdobramento em superdotação: quantos
+ Por que é mais incomum engravidar após os 40 anos? Quando surgem notícias de mulheres famosas engravidando após os 40 anos, é comum que parte do público demonstre surpresa com a novidade, já que casos assim são considerados menos comuns.
O cenário é assim porque, com o avançar da idade, a fertilidade da mulher cai. Segundo a ginecologista Anne Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal motivo por trás disso é o envelhecimento ovariano. Ao nascer, a mulher já possui uma reserva de folículos (pequenas bolsas que abrigam os óvulos) definida.
Com o passar do tempo, essa reserva vai se esgotando naturalmente. Para ter ideia, a mulher nasce com aproximadamente um a dois milhões de óvulos. Ao chegar na puberdade, restam cerca de 300 a 500 mil.
E, ao longo da vida, esse estoque diminui continuamente. “ Após os 35 anos, ocorre uma aceleração dessa perda, e, após os 40 anos, a queda torna-se ainda mais significativa”, completa a médica.
Mas não é apenas uma questão de quantidade. Também há um impacto naquilo que os médicos chamam de “qualidade” dos óvulos. Devido a essas mudanças, que surgem naturalmente com o tempo, há uma maior chance de alterações cromossômicas do feto (que podem aumentar o risco do abortamento ou condições como a Síndrome de Down), menor potencial de fertilização e menor capacidade de desenvolvimento embrionário. Mais de saude
“Aos 30 anos, a chance de gravidez espontânea por ciclo é em torno de 20%. Aos 40 anos, cai para cerca de 5%. Entre os 43 e 44 anos, pode ficar abaixo de 2% a 3%”, exemplifica Pereira.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que cresce a procura por técnicas de reprodução assistida entre mulheres nessa faixa etária. Quais são os riscos da gestação tardia? Algumas complicações se tornam mais frequentes com o avanço da idade.
Entre elas estão a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia, condição caracterizada pela elevação da pressão arterial e que pode comprometer tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. Segundo Pereira, parte dessa associação está relacionada às transformações naturais que ocorrem nos vasos sanguíneos ao longo do envelhecimento, como uma maior rigidez das suas paredes. Durante a gravidez, a placenta precisa promover uma espécie de “reforma” nas artérias da região do útero para aumentar o fluxo sanguíneo local e, consequentemente, o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes ao feto. Leia também: Vacina Pneumo 20 chega ao SUS: para que serve e quem pode tomar
Quando essa adaptação não acontece da forma esperada, aumentam as chances de complicações como a hipertensão e pré-eclâmpsia, bem como restrição do crescimento fetal. Outro desafio comum é a diabetes gestacional. Isso porque, com a idade, tende a ocorrer um aumento da resistência à insulina— hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.
Pereira lista, ainda, que os partos por cesariana também são mais frequentes após os 35. E eles costumam ser indicados devido a fatores como a maior presença de doenças crônicas, alterações placentárias, miomas e situações que podem levar ao sofrimento fetal durante o trabalho de parto. Uma pesquisa publicada no ano passado no periódico Journal of Clinical Medicine, acompanhou mais de 350 mulheres com mais e menos de 40 anos para avaliar e comparar os desfechos maternos e fetais entre gestações de acordo com a idade.
Segundo o estudo, 14,8% das mulheres com mais de 40 anos apresentaram diabetes gestacional (contra 7,7% do outro grupo), 13% pré-eclâmpsia (contra 5,7%) e 18% hemorragia pós-parto (contra 10,5%). Além disso, as mães mais velhas realizaram mais cesarianas: 73% contra 36,1% das mais novas. Ainda assim, embora a pesquisa tenha apontado que existem mais riscos, os próprios estudiosos concluíram que, com bons cuidados pré-natais, resultados positivos são frequentemente alcançáveis.
Portanto, não é que necessariamente haverá problemas, apenas que existe a necessidade de manejo específico para cada faixa etária e detecção precoce de riscos. A gravidez após os 40 anos é preocupante? Segundo Pereira, existem dois extremos equivocados quando o assunto é a gestação com idade materna avançada.
O primeiro extremo seria a ideia de que depois dos 40 é impossível ou extremamente perigoso ter um bebê. “Isso não é verdade. Milhares de mulheres têm gestações saudáveis após os 40 anos”, ressalta.
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