Rosuvastatina e atorvastatina: entenda a diferença entre as estatinas mais vendidas Medicamentos para colesterol da Cimed tiveram lotes recolhidos após troca de embalagens; entenda o que ocorre ao usar um no lugar do outro A rosuvastatina e a atorvastatina cálcica são medicamentos da classe das “estatinas”, as principais substâncias usadas para redução dos níveis de colesterol LDL (o “ruim”) no sangue. Nesta segunda-feira (18), no Brasil, dois remédios com essas formulações começaram a ser recolhidos voluntariamente pela fabricante, a Cimed Industria S.A, após a empresa constatar uma troca de embalagens: havia cartuchos de rosuvastatina no lote de atorvastatina.
A medida é referente ao lote 2424299 de atorvastatina cálcica de 40 mg e ao mesmo lote (2424299) de rosuvastatina cálcica de 20 mg. Mas o que diferencia esses medicamentos, se ambos pertencem à mesma classe? E quais os riscos se um paciente que faz uso de uma das substâncias acabar consumindo a outra?
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Consultamos especialistas e respondemos a essas dúvidas a seguir. O que são estatinas? O que chamamos de colesterol é um tipo de gordura essencial para o funcionamento do organismo, pois participa da produção de hormônios, vitamina D e outras substâncias que ajudam o corpo a operar bem.
O problema acontece quando há colesterol em excesso circulando no sangue, especialmente o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, pois ele pode se acumular nas paredes das artérias, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). É aí que entram as estatinas. Essa classe de remédios age bloqueando uma enzima do fígado responsável pela produção de colesterol, o que faz o organismo retirar mais a gordura presente na circulação sanguínea.
Entre as estatinas disponíveis no Brasil, a atorvastatina e rosuvastatina são consideradas as mais potentes. Além delas, os principais medicamentos dessa classe incluem a sinvastatina, lovastatina e pravastatina. Apesar de terem o mesmo objetivo, elas apresentam diferenças entre si, como a potência, o tempo de ação no organismo, a forma como são metabolizadas pelo fígado e o potencial de interação com outros medicamentos. Leia também: Lotes trocados da Cimed: quais os riscos para quem consumiu os medicamentos
Por exemplo, alguns tratamentos mais intensos podem reduzir o colesterol ruim em 50% ou mais, enquanto outros ficam na faixa dos 30%. E são essas características, além de – e principalmente – a maneira como o paciente reage a cada uma delas, que ajudam a definir qual opção é mais adequada para cada pessoa. Qual a diferença entre atorvastatina e rosuvastatina?
As diferenças entre as duas é mínima, afinal, elas têm um mecanismo de ação idêntico e, como visto, as duas são consideradas estatinas de alta potência em determinadas doses. “ Elas são muito simulares.
São da mesma classe, têm potências parecidas e contraindicações semelhantes. Além disso, a redução de colesterol esperada com as duas também é muito equivalente”, resume o cardiologista André Zimerman, médico do Hospital Moinho dos Ventos. A principal diferença é que a rosuvastatina é cerca de duas vezes mais potente.
Com isso, por exemplo, 20 miligramas desse medicamento têm efeito equivalente a 40 miligramas de atorvastatina. Essas, por sua vez, foram justamente as dosagem que foram trocadas nos produtos da Cimed. “
Então, isso é uma boa notícia: as doses são equivalentes”, destaca Marcos Cairo Vilela, cardiologista e gerente médico das unidades críticas do hospital Samaritano Higienópolis. Por essa razão, diz o médico, os perigos da troca são pequenos. Mas ainda existem alguns. Mais de saude
O que acontece se o paciente trocar os medicamentos? “ A priori, o risco é mínimo”, crava Andrei Sposito, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).
O que os médicos alertam é que há chances maiores, mesmo que ainda baixas, de efeitos colaterais ou interação medicamentosa. Estatinas são seguras (diferente do que afirmam muitas notícias falsas por aí), mas, como todo medicamento, podem ter reações adversas. E elas são muito individuais.
Desse modo, apesar de serem semelhantes entre si, um paciente pode se dar melhor com uma do que com outra. Daí, a troca inadvertida pode causar alguma reação inesperada, ainda que não seja grave. Além disso, estudos indicam que, de maneira geral, a rosusvastatina pode estar ligada a menores efeitos colaterais, embora, de novo, esse seja um aspecto muito particular de cada paciente. Leia também: Lições de Hogwarts ganha destaque após novo desdobramento em o universo de
“A atorvastatina é considerada uma estatina lipofílica, o que significa que penetra mais facilmente nas células, inclusive nas musculares. Por isso, pode causar mais mialgia, que é a dor muscular”, diz Vilela. Outro ponto são as interações medicamentosas, já que as duas elas são processadas pelo organismo de maneiras um pouco diferentes.
A atorvastatina é mais metabolizada no fígado. Já a rosuvastatina depende menos das enzimas hepáticas. Parte dela, inclusive, é eliminada pelos rins.
Ao escolher entre atorvastatina e rosuvastatina, os médicos também consideram quais outros medicamentos o paciente usa no dia a dia. Como cada uma age de uma maneira, a troca pode ser perigosa ao desconsiderar isso. “
Elas podem ter algumas interações um pouco diferentes. Por isso, se houve alguma troca de medicações, esse é o principal ponto de atenção”, explica Zimerman. Além disso, vale mencionar que a rosuvastatina costuma apresentar menos interações medicamentosas, justamente por exigir menos do fígado.
Por isso, Vilela alerta: “nesse caso, em que o paciente usava atorvastatina e acabou tomando rosuvastatina 20 mg, há menos risco. Isso porque a rosuvastatina costuma ter um perfil de interações mais baixo.
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