O show em que Plant e Bonham perceberam que o Led Zeppelin havia se tornado uma banda gigante Por Bruce William Postado em Robert Plant não entrou no Led Zeppelin como quem assinava contrato com uma futura instituição do rock. Em 1968, ele era um vocalista jovem, vindo de grupos menores, chamado para uma banda que ainda carregava a sombra dos Yardbirds nas costas. O nome original, New Yardbirds, já mostrava esse ponto de partida.
A ligação com o passado existia, mas Jimmy Page tinha outra coisa em mente: um som que misturasse blues, peso, dinâmica acústica e uma liberdade de palco que não cabia no formato anterior. O primeiro álbum, ressalta a Far Out, saiu em janeiro de 1969 e a banda foi para os Estados Unidos quase sem tempo de respirar. A recepção começou a mudar rápido.
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Nos primeiros meses, o Led Zeppelin ainda podia aparecer como atração de abertura ou dividir espaço com nomes já estabelecidos. Mas em San Francisco, no Fillmore West, algo pareceu encaixar de uma forma que Plant nunca esqueceu. Não era apenas uma boa noite.
Era a sensação de que a banda tinha encontrado o público certo no lugar certo. O próprio site oficial do Led Zeppelin registra a passagem pelo Fillmore West em janeiro de 1969, com resenhas da época já tratando o grupo como uma nova força britânica impressionante. Plant lembraria depois que foi ali que ele e Bonham se olharam durante o show e perceberam que a coisa havia mudado.
" Lembro que, quando tocamos no Fillmore West, em San Francisco, Bonzo e eu olhamos um para o outro durante o set e pensamos: 'Cristo, nós temos alguma coisa'. Foi a primeira vez que percebemos que o Led Zeppelin talvez significasse algo; havia tanta intimidade com o público, e se você conseguisse conquistar San Francisco no auge do período do Airplane e do Grateful Dead, então isso queria dizer alguma coisa. Leia também: Pinheiro critica ganha destaque após novo desdobramento em paulo rogério
" Essa última parte é importante. San Francisco não era uma cidade qualquer para uma banda nova em 1969.
Era um dos centros simbólicos da contracultura, com Jefferson Airplane, Grateful Dead, Quicksilver Messenger Service e toda uma cena já estabelecida em torno de psicodelia, improviso e comunidade. O Led Zeppelin vinha de outro lugar, mais pesado, mais físico, com raízes no blues britânico, mas precisava convencer uma plateia que não estava esperando apenas volume. O Observer, em texto de arquivo republicado pelo Guardian, tratou o convite para tocar no Fillmore como uma espécie de medalha de chegada ao circuito americano.
O que Plant e Bonham sentiram naquela noite vinha da química dos quatro. Page tocava com aquela elasticidade meio perigosa, John Paul Jones dava sustentação e sofisticação sem chamar atenção demais para si, Bonham parecia bater atrasado e gigante ao mesmo tempo, e Plant descobria como sua voz podia flutuar acima daquela massa. O Led Zeppelin não soava como uma banda milimetricamente obediente ao metrônomo.

Soava como uma máquina pesada que às vezes balançava para os lados, mas nunca saía dos trilhos. Em abril do mesmo ano, o grupo voltaria ao Fillmore West já em outra posição. O site oficial da banda registra uma resenha dizendo que o Zeppelin abriu uma temporada como atração principal diante de um público acima do esperado, sinal claro de que a história avançava muito depressa.
Em poucos meses, aquela banda que carregava o passado dos Yardbirds já era tratada como algo próprio, com força suficiente para transformar problema de equipamento, improviso e excesso de volume em parte do espetáculo. O interessante é que essa percepção veio antes de "Led Zeppelin II", antes de "Whole Lotta Love" virar um aviso do que os anos 70 trariam para o rock pesado, antes da mitologia inteira se fechar em torno da banda. Em 1969, tudo ainda estava em formação. Mais de saude
Plant não estava olhando para trás com a segurança de quem já sabia que faria parte de uma das maiores bandas da história. Ele estava no palco, ao lado de Bonham, percebendo em tempo real que o público tinha entendido alguma coisa. Depois viriam os discos enormes, as turnês cada vez maiores e a transformação do Led Zeppelin em um nome praticamente inalcançável dentro do rock.
Mas, para Plant, aquele momento no Fillmore West parece ter sido a primeira confirmação íntima. Não a confirmação de empresário, de venda ou de crítica. A confirmação de palco, que talvez seja a única que uma banda realmente acredita: olhar para o baterista no meio do barulho e perceber que a plateia está indo junto.
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Conheça a emocionante reviravolta que levou o vocalista do Led Zeppelin às lágrimas ao ouvir um clássico da banda sendo tocado ao vivo Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb) Robert Plant e o Led Zeppelin já emocionaram muita gente com “Stairway to Heaven“.
Porém, houve também um momento, no ano de 2012, em que ocorreu o inverso, como quando o Heart, das irmãs Ann e Nancy Wilson, levou o vocalista às lágrimas em pleno show. A história começa em , em Seattle. Ann e Nancy, então com 19 e 15 anos, respectivamente, foram assistir ao Led Zeppelin.
Criadas em um ambiente mais conservador e vindas de uma banda folk, as duas ficaram chocadas com a energia sexual – personificada por Plant – e o volume ensurdecedor do grupo inglês. Em entrevista à Classic Rock, Nancy Wilson recorda: “Ele (Plant) estava com a camisa completamente aberta, o peito nu, e a calça jeans era de cintura bem baixa.

Ele se movia de um jeito super sugestivo e nós ficamos meio chocadas. Pensamos: ‘ Meu Deus!
Precisamos ir embora, precisamos sair daqui’, porque estávamos simplesmente chocadas. Nós realmente saímos… Ficamos escandalizadas e fomos embora.
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