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Yoshi and the Mysterious Book é um daqueles jogos que você só vai aproveitar se entrar nele com as expectativas certas. Não é para quem quer desafio intenso — é para quem quer relaxar, explorar e se encantar com um dos universos mais charmosos que a Nintendo já construiu. Para o público certo, é quase perfeito.
O Review: Yoshi and the Mysterious Book
Quando a Nintendo diz que seus produtos são para a família, ela não está só fazendo marketing. Ela está mostrando, na prática, como equilibrar um portfólio inteiro para servir a públicos completamente diferentes.
Leia no AINotícia: Tecnologia: Destaques da Semana
Yoshi and the Mysterious Book é a prova viva disso: um jogo de exploração e puzzles, fofo, acessível e deliberadamente tranquilo, projetado para que famílias joguem juntas sem ninguém se sentir perdido ou frustrado. Mas por que falo isso? Porque a sua dificuldade vai crescendo ao longo do jogo, o que é mais difícil para uma criança, pode ser mais fácil para um adulto. E, assim, pais e filhos podem ajudar uns aos outros, já que o jogo não tem multiplayer.
Mas, antes de qualquer coisa, preciso ser direta sobre uma coisa que sempre falo: você precisa entender para quem um jogo foi feito antes de sentar para julgá-lo. Se você é um gamer hardcore que quer desafio, punição e tensão a cada fase — esse jogo não é para você, e tudo bem. Isso não torna o jogo ruim. E diversidade de estilos, na indústria de games, é uma dádiva. Tem jogo pra tudo quanto é tipo de gosto, e tá tudo bem.

A história: simples, bonitinha e funcional
A premissa do jogo é deliciosa na sua simplicidade. Uma enciclopédia viva chamada Sr. N.Igma cai na ilha dos Yoshis — um livro místico cujas páginas foram apagadas e que esqueceu tudo o que já sabia sobre si mesmo. Bowser Jr. e Kamek não perdem tempo: invadem o livro em busca de um item mágico perdido nas suas páginas. E o Yoshi precisa mergulhar em cada capítulo desse livro para descobrir as criaturas e plantas que habitam seus cenários, ajudando a reescrever tudo o que foi perdido. Leia também: Samsung dá adeus ao OneDrive e prepara rival para Google Drive
Não é uma narrativa profunda — e não precisa ser. É o suficiente para dar propósito à exploração, e a estrutura de “capítulos de livro” funciona muito bem para separar os mundos e dar identidade a cada fase. Bowser Jr. aparece aqui e ali criando obstáculos, mas sem o peso de um vilão ameaçador. É leve. É intencionalmente leve.
O traço: aquarela e foi uma ótima escolha
Visualmente, esse jogo é um charme. O estilo artístico imita um livro ilustrado, com aquarelas cheias de cor, texturas que parecem pintadas à mão e uma paleta de cores vivas, que chamam a atenção. Inclusive, as animações dos personagens rodam intencionalmente em frame rate mais baixo — um detalhe criativo que reforça a sensação de que você está dentro de uma ilustração que ganhou vida.

É o terceiro jogo da Good-Feel na franquia Yoshi, e cada um teve sua identidade estética própria: Yoshi’s Woolly World (2015, Wii U) era todo feito de lã e tecido; Yoshi’s Crafted World (2019, Switch) usava papelão e materiais artesanais de uma sala de aula; agora, Yoshi and the Mysterious Book aposta nas aquarelas e no universo dos livros ilustrados. A Good-Feel claramente entende que o visual é metade do produto quando se fala de Yoshi — e acerta mais uma vez.
Vale mencionar, porém, que em modo portátil o visual perde um pouco do brilho. Em uma tela menor, alguns dos detalhes que fazem o jogo cantar na TV ficam menos evidentes. Não chega a ser um problema sério, mas quem for jogar, principalmente no handheld, vai sentir a diferença.
A jogabilidade: observação em vez de habilidade
Essa é a parte que mais me surpreendeu — e de forma positiva. As mecânicas clássicas do Yoshi estão todas lá: a língua para engolir inimigos, os ovos para arremessar, o Flutter Jump, o Ground Pound. Mas o grande diferencial desse jogo é a Cauda — uma nova habilidade que permite agarrar criaturas e carregá-las nas costas, usando os poderes específicos delas para resolver puzzles. Mais de tecnologia

E aí está o coração da experiência: os puzzles de Yoshi and the Mysterious Book recompensam observação, não velocidade ou precisão. Você precisa notar que uma planta específica reage de forma diferente quando uma criatura específica está por perto. Você precisa lembrar de uma descoberta que fez três fases atrás e perceber que ela abre um atalho na fase atual. É um design inteligente que valoriza curiosidade acima de reflexo. Ou seja, por mais que você faça a exploração em uma fase, pode ter coisas para descobrir em outras. O que torna o jogo mais interessante para platinar.
Sobre o sistema de mortes — ou melhor, a ausência delas: não há morte nesse jogo. Você pode falhar em alguns objetivos e reiniciar uma seção, mas não há perda de vidas, não há tela de “game over”, não há sensação de punição. Isso é uma escolha deliberada. Esse jogo não quer te fazer sentir mal. Ele quer te fazer sentir curioso, encantado e bem. É um cozy game com alma de plataforma — e funciona exatamente porque abraça isso sem vergonha.
Um detalhe simples, mas fofo, é que você pode escolher qual Yoshi você quer escolher para jogar. Tem diversas cores, né? Eu, por exemplo, escolhi o roxo, que é a minha cor favorita. E você pode ir trocando à medida que quiser. Leia também: Panorama Tech: Google, Samsung e o Espaço em Destaque
Cada espécie que você descobre tem que receber um nome. Você pode escolher os nomes sugeridos pelo Sr. N.Igma ou você mesmo pode personalizar para o que quiser. Com isso, você também incentiva a criatividade.

Por fim, vale ressaltar que ele tem uma mecânica que ajuda o jogador. Você recolhe moedas ao longo das fases, que depois você pode gastar em ajudas para descobrir enigmas que você ainda não descobriu, ou dicas de como achá-los nas fases, do que pode ser feito para realizar aquela descoberta. Isso auxilia para quem não tem pressa e quer platinar o jogo.

Comparando com a franquia: evolução ou estagnação?
Se você é fã de longa data da franquia, vai notar que a Good-Feel segue uma fórmula consistente desde o Woolly World: visual craftado, exploração relaxada, baixa dificuldade e foco em descoberta. O Yoshi’s Crafted World foi criticado por ser “seguro demais” — mais do mesmo sem grandes inovações. Mysterious Book responde a isso com a mecânica da cauda e o sistema de descobertas/enciclopédia, que são realmente novidades que mudam a dinâmica dos puzzles.
Ainda assim, para quem lembra com saudade do Yoshi’s Island original (1995, SNES) — que tinha dificuldade real, boss fights desafiadoras e uma profundidade de level design que poucos jogos da época tinham — essa nova geração da franquia pode parecer superficial. São jogos de espírito completamente diferentes. O Yoshi de hoje não é o Yoshi de 30 anos atrás, e tentar compará-los diretamente é como reclamar que um filme de animação infantil não é tão sombrio quanto um filme de terror. Contextos diferentes, públicos diferentes.
O que posso dizer é que, dentro de sua proposta, Yoshi and the Mysterious Book entrega bem. A mecânica da cauda adiciona profundidade real ao sistema de puzzles, o mundo do livro é genuinamente criativo, e a progressão por capítulos dá uma estrutura satisfatória à jornada.
Conclusão

Pontos positivos x pontos negativos
- Pontos positivos:
- Visual aquarelado encantador
- Mecânica de cauda com puzzles criativos
- Perfeito para famílias e jogadores casuais
- Estrutura narrativa do livro funciona muito bem
- Exploração recompensadora e curiosa
- Localização
- Pontos de atenção:
- Baixa dificuldade pode afastar jogadores hardcore
- Visual perde impacto no modo portátil
- Estrutura de fases pode parecer repetitiva para alguns
- Bowser Jr. e Kamek pouco aproveitados como antagonistas
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