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Resumo do OD: o novo “olho” da NASA, livros criados por IA e um movimento

Falta muito pouco para um momento histórico para a astronomia!

Resumo do OD: o novo “olho” da NASA, livros criados por IA e um movimento

Falta muito pouco para um momento histórico para a astronomia! E a Flávia Correia contou essa história para assinantes do Clube Olhar Digital.

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman: o que esperar?

A NASA se prepara para lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que levará ao espaço uma supercâmera de 300 megapixels capaz de mapear enormes áreas do céu em alta definição, em uma missão que promete mudar a escala das observações astronômicas.

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Com lançamento previsto para 30 de agosto, o observatório deverá reunir uma quantidade inédita de imagens e dados sobre galáxias, estrelas e planetas fora do Sistema Solar. A expectativa é ampliar o conhecimento sobre a evolução do Universo e preparar o caminho para futuras buscas por mundos semelhantes à Terra.

Uma homenagem à “Mãe do Hubble”

O nome do telescópio presta homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman (1925–2018), considerada uma das principais responsáveis pela criação do programa de telescópios espaciais da NASA. Primeira chefe de astronomia da agência, ela trabalhou para convencer autoridades e cientistas sobre a importância de levar observatórios para fora da atmosfera terrestre.

Esse esforço ajudou a abrir caminho para missões como o Hubble, lançado em 1990. Por sua contribuição, Roman ficou conhecida como a “Mãe do Hubble”. Décadas depois, seu nome foi escolhido para batizar um telescópio que terá uma proposta diferente, mas igualmente ambiciosa. Leia também: OpenAI, dona do ChatGPT, abre vagas de engenharia de IA em São Paulo; veja

Astrônoma Nancy Grace Roman
Astrônoma Nancy Grace Roman, a “mãe” do Telescópio Hubble – Crédito: NASA/ESA

O desenvolvimento do observatório envolve o Centro de Voos Espaciais Goddard, o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) e o Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI).

Nas últimas semanas, a estrutura do equipamento passou por uma bateria rigorosa de testes para garantir que resistirá ao ambiente hostil do espaço. O telescópio foi submetido a intensas vibrações mecânicas, testes de ruído que simulam o som avassalador de um foguete na decolagem e câmaras de vácuo térmico, que testam a resistência a variações extremas de temperatura.

Aprovado em todas as etapas de segurança, o telescópio será levado ao espaço a bordo do poderoso foguete Falcon Heavy, da empresa SpaceX, saindo do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Destino fica a 1,5 milhão de km da Terra

Conforme planejado pela NASA, após o lançamento, o telescópio seguirá para o segundo ponto de Lagrange, conhecido como L2. Essa região fica a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros do planeta, quase quatro vezes a distância média entre a Terra e a Lua.

Imagem conceitual do Telescópio Roman no espaço
Imagem conceitual do Telescópio Roman no espaço – Créito: NASA

A localização oferece uma vantagem importante para um observatório desse tipo. Com o Sol e a Terra posicionados na mesma direção em relação ao telescópio, um grande escudo consegue bloquear a maior parte da luz e do calor provenientes desses corpos. Mais de tecnologia

Isso ajuda a manter os instrumentos em condições adequadas de funcionamento e reduz interferências durante as observações. O L2 também é utilizado pelo Telescópio Espacial James Webb, que opera na mesma região.

Telescópio Roman conta com câmera com 300 megapixels

O principal destaque tecnológico do Roman é o Instrumento de Campo Amplo (WFI– Wide Field Instrument), uma câmera gigante com resolução de 300 megapixels.

A diferença em relação ao Hubble pode ser entendida de maneira simples. Enquanto o Hubble é conhecido pela capacidade de registrar detalhes extremamente precisos em regiões relativamente pequenas do céu, o Roman terá uma visão muito mais ampla. Leia também: Gigantes da música acusam Anthropic de pirataria para treinar IA

Cada imagem poderá abranger uma área cerca de 100 vezes maior que a observada pelo Hubble com resolução semelhante. A velocidade de levantamento também será muito superior, permitindo mapear o céu até mil vezes mais rapidamente em determinadas observações.

Em cinco anos de operação, a missão deverá examinar uma área muito maior do que aquela observada pelo Hubble ao longo de décadas. O telescópio será capaz de detectar explosões de supernovas no momento em que ocorrem, além de registrar colisões entre estrelas de nêutrons e capturar rajadas rápidas de rádio (FRBs), fornecendo dados valiosos sobre os eventos mais violentos do Universo.

detectores
Esta foto mostra 18 dos 24 detectores do Telescópio Roman montados em uma unidade de teste de engenharia do conjunto de detectores do plano focal da missão. O conjunto de detectores do plano focal foi incorporado ao Instrumento de Campo Amplo da Roman – uma câmera de 300 megapixels que capturará imagens enormes do cosmos. – Crédito: NASA/Chris Gunn

Um novo olhar sobre planetas distantes

O Roman também terá papel importante no estudo dos exoplanetas, nome dado aos mundos que orbitam estrelas além do Sol. Uma das tecnologias utilizadas será o coronógrafo, instrumento capaz de bloquear parte da luz de uma estrela para facilitar a observação de objetos muito menos brilhantes ao seu redor.

O princípio é parecido com colocar uma barreira diante de uma fonte de luz muito intensa. Como a estrela pode ser milhões de vezes mais brilhante que um planeta próximo, seu brilho normalmente esconde o objeto.

Em participação no programa Olhar Espacial, a astrobióloga Raíssa Estrela, pesquisadora do JPL, detalhou o funcionamento dessa tecnologia. “Essa tecnologia que a gente chama de coronógrafo é basicamente um instrumento que bloqueia a luz da estrela-mãe. E por que a gente quer bloquear essa luz? Porque quando a gente bloqueia a luz da estrela-mãe, a gente consegue ver a luz refletida pelos planetas que estão habitando essa estrela. O brilho da estrela é tão forte que ela ofusca toda a imagem. Então, a gente precisa bloquear para conseguir ver a luz refletida pelos planetas que estão orbitando. Com esse tipo de observatório, a gente vai conseguir fazer o imageamento mesmo do sistema planetário.”

lentes gravitacionais telescópio roman
Simulação de uma observação do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, mostrando exemplos de lentes gravitacionais que poderão ajudar a investigar a matéria escura. – Crédito: NASA, Bryce Wedig (Universidade de Washington), Tansu Daylan (Universidade de Washington), Joseph DePasquale (STScI)

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