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Queridinhas de pessoas físicas e gestoras, as debêntures incentivadas deveriam ter sua isenção fiscal revista, segundo Petrônio Cançado, sócio e head de crédito privado da Occam. “Acho que não dá para continuar com isso por muito tempo”, disse, em painel na Expert XP 2026, que aconteceu na semana passada em São Paulo.
Ao lado dele, Pierre Massari Jadoul, diretor-executivo da ARX Investimentos, e Leonardo Ono, gestor de crédito privado da Legacy Capital, discutiram as consequências da regra em outros setores do mercado e o que aconteceria com os projetos sem ela.
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“Como brasileiro, isenção é terrível”
Jadoul lembra que o incentivo nasceu de uma necessidade concreta: a transição de um modelo dependente do BNDES exigia alguma contrapartida para atrair o mercado de capitais, e as debêntures de infraestrutura destravaram financiamentos de prazo mais longo. Leia também: Sem alianças com partidos e sem vice, Novo lança Zema como candidato
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Mudanças nas regras de lastro de LCIs, LCAs, CRIs e CRAs ajudaram as debêntures ao reduzir a oferta de produtos isentos. Ao mesmo tempo, explica o gestor, o movimento provocou fechamento relevante de spreads.
“Como investidor, adoro debêntures isentas, como gestor de fundos é bom que captamos dinheiro, mas como brasileiro, é terrível”, diz Cançado. Ele argumenta que essas debêntures deixam as captações mais baratas, mas o recurso poderia chegar a outros ativos e que a renúncia fiscal em um momento de pressão pode não ser positiva.
Jadoul concorda que é hora de começar a retirar incentivos, mas ressalva que tributar os isentos não ataca o problema central: o gasto público. Ele questiona se sem o benefício, haveria investidor disposto a financiar projetos de infraestrutura por 10 ou 15 anos.
Ono argumenta que o papel “pode não ser a melhor solução, mas a Lei 12.431/11 (que cria debêntures incentivadas) é um sucesso”. Ele afirma que o recurso é quase carimbado, já que precisa estar vinculado a projeto de infraestrutura. Sem a isenção, avalia, sobe o custo de financiamento das empresas e, na sequência, as tarifas de itens como pedágio e saneamento para o consumidor final. Mais de economia
Volatilidade na renda fixa
Os três concordaram em outro ponto: um dos entraves hoje para o crédito privado é a falta de paciência de uma parcela do mercado, que não aguenta oscilações de preço. Leia também: Durigan diz que tarifaço ‘é absurdo’, mas que o Brasil seguirá negociando
Ono compara o crédito privado com a Bolsa e afirma que o investidor aceita níveis distintos de volatilidade dentro da renda variável, mas quer a carteira de renda fixa sem nenhuma. “Achamos que volatilidade é apenas para baixo; alguma hora vai ser a favor do investidor, mas ele não acredita nisso”.
Jadoul foi o mais enfático sobre o custo de permanecer no pós-fixado, onde o investidor foge da volatilidade. “A única convicção que tenho é que não vamos conviver com juros reais de 8%, a dívida é impagável. Ou o governo ajusta as contas e os juros caem— e quem não estiver posicionado perde o movimento— ou a dívida é paga via inflação, cenário em que o CDI não protege”, conclui o gestor.
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Leonardo Guimarães
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