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Rejeição a Messias abre caminho para maioria bolsonarista no STF caso Flávio vença a eleição

Catia Seabra Mariana Brasil Brasília Horas depois da derrota no Senado , o presidente Lula ( PT ) e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome

Rejeição a Messias abre caminho para maioria bolsonarista no STF caso Flávio vença a eleição
Catia Seabra Mariana Brasil
Brasília

Horas depois da derrota no Senado, o presidente Lula (PT) e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quarta-feira (29).

Em reunião na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD, em um conluio conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Leia no AINotícia: Senado rejeita Jorge Messias para o STF em votação histórica

Homem de terno escuro e camisa branca está de perfil à esquerda, encostado em parede com padrão geométrico tridimensional em tons de bege e marrom.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta quarta (29) - Gabriela Bilo/Folhapress

Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um "conluio", nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.

Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça-feira (28), na residência oficial do presidente do Senado, com o intuito de evitar nova correlação de forças na corte.

Após a publicação da reportagem, Moraes enviou nota para dizer que não participou do jantar e que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo. Leia também: Derrubada de veto para aliviar pena de Bolsonaro pode beneficiar mais de 200 mil condenados

Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.

Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.

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Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.

Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias. Mais de politica

O AGU teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894.

Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que "não se deve tomar decisões a 39 graus de febre".

Ainda durante o encontro, a agenda do presidente com a programação para esta quinta-feira (30) foi publicada informando uma reunião com o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, como primeiro compromisso do dia. Embora aliado de Hugo Motta (Republicanos-PB), Feliciano é um indicado do partido de Alcolumbre, o União Brasil. Leia também: Senado usou Messias para mandar recados ao STF, dizem opositores

Na saída do Congresso, a caminho do Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que o momento é de agir com inteligência, não com fígado. Ainda durante a sabatina, Guimarães esteve no Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. No Congresso, chegou a dar como certa a aprovação do AGU com mais de 41 votos, o mínimo necessário.

Com a rejeição de Messias, Guimarães enfrenta uma derrota em uma de suas principais missões desde que assumiu a chefia da articulação política do governo no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).

Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também visitou Lula. O presidente teria questionado ao senador como estaria o clima para a sabatina e para a aprovação, ao que Wagner informou que tudo corria bem.

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