Comitê estima alíquota de IBS e CBS em 28%, acima do teto previsto na reforma
Ler matéria →O Grupo Pão de Açúcar fechou o segundo trimestre deste ano com queda de 9,6% na receita líquida, para R$ 4,2 bilhões, e prejuízo líquido consolidado de R$ 252 milhões, alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025. A recuperação extrajudicial pela qual passa a companhia afetou pontos como a disponibilidade de produtos. A companhia ainda reportou uma queda de 7% nas vendas totais em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Isso é um reflexo direto da descontinuação do formato "aliados", modelo de venda direta para pequenos comércios, e o reequilíbrio de vendas no e-commerce —que agora se concentra em canais próprios, considerados com maior rentabilidade. Segundo a companhia, desconsiderando o impacto do portfólio de lojas e o efeito calendário, a retração nas vendas foi de 0,8%.
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Os efeitos da recuperação extrajudicial da companhia, anunciada em março, foram sentidos no abastecimento das lojas. Segundo o GPA, houve um "aumento temporário dos níveis de ruptura", ou seja, alguns produtos tiveram seu fornecimento afetado, gerando uma retração nas vendas. O efeito atingiu seu pico em maio e passou a apresentar melhora gradual, com crescimento de vendas em junho e recuperação dos níveis de abastecimento.
" Além dos fatores específicos do trimestre, observamos o mesmo cenário dos trimestres anteriores, caracterizado por uma demanda mais moderada e por um ambiente de consumo pressionado, no qual o orçamento das famílias continua sendo disputado entre o consumo discricionário e não discricionário", disse a companhia. As vendas em mesmas lojas caíram 1,2% nas unidades do Pão de Açúcar, em resultado impactado diretamente pelos níveis de ruptura e por uma maior deflação na categoria de mercearia básica. Leia também: Luiza Trajano pede cota de 50% para mulheres em cargos de liderança
Por outro lado, a categoria de perecíveis apresentou bom desempenho, o que foi visto como uma indicação de relevância na cesta dos clientes, "mesmo em um ambiente de consumo mais desafiador". Já no Extra Mercado, houve crescimento de vendas em mesmas lojas, com alta de 0,4%. O grupo avalia que o desempenho foi diretamente impactado por ações promocionais entre maio e junho, período de aniversário da bandeira.
Nas lojinhas de bairro, classificadas como " Proximidade", como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, houve redução de 2,3% nas vendas do trimestre. Foi nesse segmento —que responde por 12,4% das vendas do grupo— que os efeitos da recuperação foram mais sentidos, com maior elevação do nível de ruptura e um ambiente mais desafiador, caracterizado por um consumo mais pressionado.
Para o segmento de e-commerce, a queda nas vendas foi de 16,2%, totalizando R$ 504 milhões. A companhia afirma, no entanto, que a operação apresentou evolução de rentabilidade, com foco nas operações de canal próprio.
No período, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 450 milhões, alta de 7,3%. Com o plano de recuperação extrajudicial ainda pendente de homologação, a companhia apresentou uma simulação de como ficariam suas contas caso ele seja aprovado: nesse cenário pro forma, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, queda de 68%. A alavancagem, métrica que mostra quantos anos de geração de caixa seriam necessários para quitar a dívida, recuou de 3,9x para 1,3x dentro desse mesmo cenário ajustado com o plano de recuperação já homologado. Mais de economia
O CEO da companhia, Alexandre Santoro, afirma que, com a homologação judicial, é esperado que as dívidas pecuniárias do GPA tenham o prazo médio alongado de 2,1 anos para 6,4 anos. Isso deve se refletir na redução de pagamentos até 2028 de R$ 5,2 bilhões para aproximadamente R$ 400 milhões. "
Seguiremos executando nossa estratégia com foco, responsabilidade e visão de longo prazo, fortalecendo nosso posicionamento e construindo uma trajetória sustentável de geração de valor para clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros e acionistas", disse Santoro em carta aos investidores. Segundo as informações divulgadas nessa terça-feira (4), a companhia apresentou uma nova versão do plano de recuperação extrajudicial com apoio de 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, prazo final para impugnações, 97% dos credores já haviam optado por uma das alternativas de recebimento apresentadas pelo GPA e a expectativa é que a Justiça homologue o plano ainda no terceiro trimestre. Leia também: Mercado dá corte de juros como certo e vê questão fiscal como obstáculo
Nas notas explicativas do balanço, a Ernst & Young afirma que a companhia incorreu em prejuízo líquido total de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre, com um déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido, que atua como o "colchão" financeiro de curto prazo. Na prática, a companhia teve R$ 4,39 bilhões em recursos de giro, como caixa, estoques e recebíveis, contra R$ 8,5 bilhões em obrigações que vencem em até um ano. Isso decorre da reclassificação para o passivo circulante de empréstimos e financiamentos com o pedido de recuperação extrajudicial.
" Tais circunstâncias indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia", afirma Ernst & Young. Ainda assim, os auditores avaliam que, com a homologação da reestruturação, a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo devam ser resolvidas para uma melhora significativa do capital de giro.
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