Remuneração pode superar a renda média do trabalho no país e a de servidores públicos; especialistas alertam para riscos e falta de garantias fora da CLT.
Diaristas premium mostram como reinventaram profissão
Uniforme e equipamentos próprios, cronograma técnico e produtos específicos para cada tipo de superfície. A cena, cada vez mais comum em bairros de alto padrão, revela uma transformação no trabalho doméstico brasileiro: o avanço das chamadas diaristas premium.
Os contratos de trabalho dessas profissionais — que reposicionaram a faxina como um serviço especializado e bem remunerado — são detalhados, com escalas de até oito horas e valores que podem chegar a R$ 1 mil por dia.
Cláudia Rodrigues está entre as profissionais que apostaram nesse reposicionamento. Há alguns anos, a diarista acordava às 3h da manhã, enfrentava ônibus lotados e longos deslocamentos por São Paulo para limpar casas grandes, sem saber exatamente a hora de ir embora.
Recebia R$ 120 por dia e, depois de pagar transporte e alimentação, voltava para casa com cerca de R$ 80. Hoje, vende pacotes de R$ 250 (quatro horas), R$ 280 (seis horas) e até R$ 330 (oito horas), além de cobrar valores extras conforme o tipo de serviço.
“Não tiro menos de R$ 8 mil. Minha agenda está cheia, sempre encaixando clientes”, diz.Leia também: Gilmar Mendes rejeita recurso da defesa de Monique Medeiros e mantém ordem de prisão de mãe de Henry Borel
O valor mensal conquistado por Cláudia com o aprimoramento da atividade supera o rendimento de muitos brasileiros — dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, indicam que o rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro.
A remuneração também supera a média dos servidores públicos, de R$ 4.131, segundo o IBGE, e é quase quatro vezes maior do que a remuneração média de um trabalhador doméstico formal, que é de R$ 2.047,92, conforme dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).
A mudança, conta ela, aconteceu quando descobriu, pelo Instagram, que havia outra forma de fazer o que sempre fez. Passou a acompanhar profissionais que falavam sobre técnica, método, organização e posicionamento. Não era uma nova profissão — era um novo olhar sobre a limpeza.
➡️ A chamada "faxina premium" é, na prática, um reposicionamento profissional, explicam as diaristas ouvidas pelo g1. A lógica deixa de ser a rapidez e o preço baixo para priorizar um serviço mais técnico, planejado e personalizado.
Isso inclui estudar diferentes tipos de piso, compreender o uso adequado de produtos, montar rotinas de organização, cuidar da imagem profissional e levar equipamentos próprios para os atendimentos. Mais de noticia
Histórias como a de Cláudia se multiplicam nas redes sociais e ajudam a difundir a ideia de que trabalhar como diarista pode render mais do que ter carteira assinada.
Gabriela Valente seguiu um caminho semelhante. Pediu demissão de um emprego formal para investir na limpeza profissional e passou a cobrar "'R$ 600 por quatro horas e R$ 1 mil por oito horas"'. Leia também: Homem é preso com itens furtados e alega ter encontrado material no mato em Santarém
“Passei fome no passado. Hoje consegui reformar a casa da minha mãe, pagar colégio particular para meus filhos e estruturar um negócio”, relata.
Além dos atendimentos, Gabriela atua como mentora, palestrante e criadora de conteúdo. Também desenvolveu o próprio produto de limpeza.
Diaristas premium mostram como reinventaram profissão — Foto: g1
Queda histórica do emprego formal
⚠️ O sucesso dessas trajetórias, embora atraia muitos profissionais com a promessa de autonomia e ganhos maiores, exige cautela.
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