Infartos sobem 16% em jogos da Seleção; torcedor morre em partida
Ler matéria →Quem quer ser um maratonista? Saiba como chegar lá com segurança Depois de começar a correr, muita gente já quer partir para a prova de 42 km. Mas com grandes desafios vêm grandes responsabilidades
Pode reparar: tem cada vez mais gente correndo. Nas ruas, academias, praias…
Leia no AINotícia: Saúde: Panorama da Semana
Entre novatos e experientes, sozinhos ou em bandos, eles estão por toda a parte. São 15 milhões de brasileiros que entraram nessa, segundo pesquisa da marca esportiva Olympikus— em 2024, eram 12 milhões. Nesse universo em expansão, o apetite por desafios maiores também aumentou.
Ainda que não tenha decolado na mesma proporção que as distâncias mais curtas— como os 5, 10 ou 21 km —, fato é que a maratona está entrando no horizonte de um número crescente de pessoas. Mas será que elas estão preparadas para tamanho desafio? Esse crescimento, veja só que curioso, vem sendo puxado pelo público mais jovem, especialmente a turma entre 25 e 29 anos, a chamada geração Z. Marcada pela hiperconexão digital e pela cultura da performance, ela quer tudo pra ontem— num ritmo que acaba até inspirando os mais maduros.
Só que maratona não é brincadeira, é desafio fisiológico sério. Pede paciência, planejamento, disciplina e resiliência. Ao pular etapas e não cuidar do corpo, o risco de lesões e outros perrengues dispara. Leia também: Por que a derrota do Brasil na Copa “dói” de verdade, segundo a ciência
Até tragédias acontecem, como se vê no noticiário. Embora elas sejam raras, causam barulho e comoção. “
Como assim? Ele era tão saudável”, costuma ser a reação. A imensa maioria desses casos ocorre pela combinação de um problema cardíaco prévio (desconhecido pelo atleta) e um treino exaustivo, como o exigido para uma maratona.
Ainda assim, são lembretes tristes de que é preciso ir devagar com o andor— para cruzar a linha de chegada com segurança. E talvez você esteja se perguntando: “Mas o que atrai tanta gente para esse tipo de desafio?
” Justamente o desafio. Superar obstáculos e limites, provar para si mesmo que é capaz.
“A maratona te dá muita coisa. Ela ensina sobre resiliência, determinação, planejamento estratégico. E você acaba levando isso pra vida, inclusive para o ambiente corporativo”, afirma Marcos Paulo Reis, treinador e diretor técnico da MPR Assessoria Esportiva, que já ajudou centenas de atletas a completarem o percurso. Mais de saude
O “efeito cascata” positivo proporcionado pela corrida também é inegável. “ A pessoa começa a treinar mais e daí se esforça para dormir melhor, para comer melhor, beber menos…
E a vida começa a se reorganizar em torno de uma versão mais cuidadosa de si”, expõe o cardiologista do esporte Filippo Savioli, preceptor do Ambulatório de Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para estrear nos 42 km, no entanto, é preciso tempo, sob pena de ver ruir todo o esforço até ali.
Quanto? Ao menos dois anos, se você for sedentário, já que terá de passar primeiro pelas provas de 5, 10 e 21 km. Quando já tiver algumas meias maratonas no currículo, aí, sim, dá para começar o ciclo de preparação para a maratona em si. Leia também: Infartos sobem 16% em jogos da Seleção; torcedor morre em partida
Ele contempla, em geral, 16 semanas de treino. São de três a quatro dias da semana reservados à corrida e mais dois aos exercícios de força muscular. Maratona também pede “rede de apoio”.
Família, amigos e até os colegas de trabalho devem ser envolvidos e podem embarcar junto no projeto. Porque alguns sacrifícios terão de ser feitos. “Sábado é o dia do longão, o treino mais longo da semana.
E ele é sagrado. Não rola beber e dormir tarde na sexta”, ilustra Reis. “Quem não estiver disposto a fazer concessões vai sofrer muito, no treino e na prova.
” No fundo, o atleta terá de mergulhar nele mesmo e aprender a se conhecer melhor— inclusive seus limites e virtudes. +
A importância da avaliação profissional Antes de iniciar essa jornada rumo à maratona, é aconselhável fazer uma avaliação prévia, uma consulta com um ou mais médicos de especialidades diferentes para avaliar do coração às articulações. Com o check-up feito e o aval concedido, é hora de encontrar o treinador— algo mandatório.

