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Quem é o brasileiro preso nos EUA apontado pelo governo americano como ex-chefe

Quem é o brasileiro preso nos EUA apontado pelo governo americano como ex-chefe do PCC e do CV Crédito, Departamento de Segurança Interna dos EUA Legenda da foto

Quem é o brasileiro preso nos EUA apontado pelo governo americano como ex-chefe
Quem é o brasileiro preso nos EUA apontado pelo governo americano como ex-chefe do PCC e do CV
Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla

Crédito, Departamento de Segurança Interna dos EUA

Legenda da foto, Autoridades americanas dizem que Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla teria sido comandante do PCC e do CV
Published 16 junho 2026, 06:15 -03
Atualizado Há 1 hora
Tempo de leitura: 4 min

Autoridades americanas disseram na segunda-feira (15/06) que prenderam um brasileiro que teria sido comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV).

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Segundo o departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), a detenção de Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla aconteceu no dia 5 de junho na Carolina do Norte, após uma perseguição.

As autoridades americanas dizem em sua nota que "Aquilla já havia sido comandante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), ambos classificados [pelos Estados Unidos] como organizações terroristas estrangeiras".

Mas segundo o sociólogo Gabriel Feltran, diretor de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e professor titular da Sciences Po, em Paris, já não é possível falar em chefes ou líderes das organizações criminosas modernas. Leia também: STF condena Eduardo Bolsonaro por articular ações do governo Trump

Segundo ele, que é autor de Irmãos: Uma História do PCC, as facções se organizam de uma maneira que "existem posições ocupadas por pessoas que têm responsabilidades com os grupos," mas que não necessariamente "mandam" neles.

As autoridades americanas disseram que havia um mandado internacional emitido pelo Brasil por acusações de associação criminosa e extorsão. Mas o nome de Aquilla não consta até o momento na lista vermelha pública da Interpol. No Brasil, há dois mandados nacionais de prisão— por coação no curso do processo e extorsão agravada (leia abaixo).

A BBC News Brasil pediu informações sobre o brasileiro ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty, mas não obteve resposta. A Polícia Federal afirmou que "não divulga e nem confirma nomes de eventuais alvos".

Como o brasileiro foi preso?

As autoridades americanas disseram que informações da polícia indicavam que Aquilla mantinha a própria esposa em cárcere privado enquanto se preparava para fugir para o México.

O DHS disse que Aquilla tentou fugir da abordagem policial em seu veículo, dando início a uma perseguição que terminou com ele colidindo com outros carros parados.

"Ele então tentou fugir a pé, mas foi preso logo em seguida. Uma busca em seu veículo resultou na apreensão de diversos celulares, laptops, dinheiro e uma pistola 9mm. Durante um interrogatório, a esposa de Aquilla confirmou que havia sido mantida em cárcere privado", diz a nota. Leia também: Por que o acordo entre EUA e Irã é pesadelo político para o premiê de Israel

Até o momento, o nome de Aquilla não consta na lista vermelha pública de procurados da Interpol, a organização internacional de cooperação policial.

Ele possui dois mandados nacionais de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça, ambos expedidos pela 3ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um deles é de 2019 para prisão preventiva por coação no curso de processo. O outro, de 2024, é por extorsão agravada— crime para o qual foi condenado em primeira instância a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado. Crime de extorsão é obrigar alguém, com ameaça ou violência, a entregar dinheiro ou vantagem indevida.

Desde o dia 5 de junho— mesmo dia da prisão de Aquilla— o PCC e o CV passaram a ser considerados organizações terroristas pelo governo dos EUA, em decisão que havia sido anunciada no mês passado.

A medida americana desagradou o governo brasileiro, que diz que ela pode colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares dos EUA sob o pretexto de combate ao terrorismo. O governo brasileiro também alega que a medida vai contra a legislação brasileira que faz uma distinção entre as atividades praticadas por facções criminosas e o terrorismo.

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