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Que tipo de Colômbia representam De la Espriella e Cepeda, adversários no 2º

Que tipo de Colômbia representam De la Espriella e Cepeda, adversários no 2º turno da eleição deste domingo Crédito, Getty Images / BBC Mundo Legenda da foto, Abelardo

Que tipo de Colômbia representam De la Espriella e Cepeda, adversários no 2º
Que tipo de Colômbia representam De la Espriella e Cepeda, adversários no 2º turno da eleição deste domingo
Composição com Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda durante discursos de campanha.

Crédito, Getty Images / BBC Mundo

Legenda da foto, Abelardo de la Espriella tem vantagem sobre Iván Cepeda em várias pesquisas
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    • Author, José Carlos Cueto
    • Role, Da BBC News Mundo na Colômbia
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

"Um país dividido em dois" foi uma expressão amplamente utilizada em diversos meios após o primeiro turno da eleição na Colômbia, que deixou frente a frente os dois candidatos à Presidência Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Seus projetos de governo não poderiam ser mais diferentes.

O advogado "outsider" De la Espriella chega ao segundo turno deste domingo (21/06) com uma proposta linha dura e conservadora, alinhada com as direitas de Donald Trump nos Estados Unidos, Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador.

O senador e filósofo Cepeda chega com uma agenda de esquerda, que inclui reformas sociais de grande alcance e um discurso conciliador na área de segurança, dando continuidade à trajetória progressista do atual presidente, Gustavo Petro. Leia também: MCMV ganha destaque após novo desdobramento em o programa minha casa minha vida

A disputa parece equilibrada, como no primeiro turno. De la Espriella obteve 43,7% dos votos contra 40,9% de Cepeda.

Ambos parecem representar dois países e modelos de gestão opostos. E polarizados, segundo meios de comunicação e vários analistas. Mas especialistas consultados pela BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC) questionam essa visão.

A Colômbia dividida

Uma tendência vem se repetindo desde 2016, quando o plebiscito pelo acordo de paz entre o governo e as forças paramilitares Farc dividiu a Colômbia em dois.

"Há fortes oposições do eleitorado no território nos últimos 15 anos. As regiões periféricas hoje votam pela esquerda e as do centro pela direita, com exceção das cidades, que têm dinâmicas próprias", analisa para a BBC Mundo Yann Basset, cientista político da Universidade do Rosario, na Colômbia.

Essas regiões periféricas coincidem com algumas das áreas mais pobres e excluídas. Também com as mais afetadas pela violência e pelas disputas de grupos armados para controle de rotas do narcotráfico e outras rendas ilegais, aproveitando-se da limitada presença estatal.

Cepeda conseguiu seus melhores resultados no primeiro turno em várias dessas áreas. Seu partido, o Pacto Histórico, apostou na inclusão de seus habitantes, entre os quais há afro-colombianos e comunidades indígenas, para consolidar seu projeto político. Leia também: O que aconteceu com país que prometeu R$ 170 mil para quem tivesse dois filhos

Basset aponta outras distinções econômicas entre essas regiões— que coincidem com os litorais, a Amazônia e a fronteira com a Venezuela— e as do centro, atravessadas pelos Andes.

"O centro vive de um sistema agroindustrial integrado às cidades, enquanto nas periferias predomina uma economia extrativista. Esses fatores enraizaram essa diferença territorial tão acentuada", explica o especialista.

Embora nas grandes cidades como Bogotá, Medellín, Cali ou Barranquilla as dinâmicas sejam mais complexas, Basset adverte que os estratos de renda mais baixos tenderam a votar em Cepeda no primeiro turno, enquanto os de renda média e alta preferiram De la Espriella.

Na economia, De la Espriella propõe medidas como reduzir o tamanho do Estado e diminuir impostos para empresas, enquanto Cepeda aposta em aumentar o papel do Estado, transformar o campo em motor nacional e apoiar as pequenas empresas.

Novas demandas

O historiador Felipe Arias Escobar vê uma herança histórica dos votos pelo Partido Conservador nas regiões andinas e pelo Partido Liberal no litoral.

Manifestante ferido durante a explosão social de 2021, na cidade de Cali.
Legenda da foto, A explosão social de 2021 resultou em uma recomposição da política colombiana

Posições que mudam

Apoiadores de De la Espriella em um ato de campanha em Buga, no sudoeste da Colômbia.
Legenda da foto, Apesar da polarização na eleição, especialistas duvidam que os colombianos estejam enraizados em posições fixas de esquerda e direita
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