quantas copas do mundo a frança: o detalhe que mais repercutiu
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Crédito, Getty Images
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Nova York (NY)
- Published 6 julho 2026
- Tempo de leitura: 11 min
A eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 pode ser contada em três números.
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O primeiro é 33,5%— a fatia de posse de bola que a seleção de Carlo Ancelotti teve na derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
O segundo é 1990— o ano da última vez em que o Brasil havia caído tão cedo em um Mundial, eliminado pela Argentina.
O terceiro é 28— o número mínimo de anos que separará o pentacampeonato de 2002 de um eventual sexto título, agora possível apenas a partir de 2030. É o maior jejum da história da seleção. Leia também: Djaimilia Pereira de Almeida e Bianca Santana pensam o exercício da escrita
Para o jornalista e escritor Samindra Kunti, que acompanha a seleção brasileira há décadas, escreveu um livro sobre a equipe e é colaborador da BBC, os números não descrevem um acidente de percurso.
"Esta foi provavelmente a pior campanha do Brasil em uma Copa do Mundo desde 1990— e, na minha vida, a pior que já cobri e assisti", disse Kunti à BBC News Brasil. "E, para mim, tudo aponta para um declínio estrutural. Em certo sentido, esta campanha e a eliminação foram a tempestade perfeita: todos os fatores que levaram a esse declínio se juntaram."
O primeiro desses fatores, segundo ele, é externo— mas a reação brasileira a ele é o cerne do problema.
"O Brasil simplesmente foi ultrapassado pela Europa. A Europa industrializou sua formação de base, sua produção de talentos. Os exemplos são numerosos: Bélgica, Holanda, Croácia, Inglaterra, França e, em certa medida, a Noruega", afirma.
"E existe no Brasil, eu acho, um sentimento de negação. Quando você conversa com jornalistas ou treinadores brasileiros, o discurso é sempre: 'somos pentacampeões do mundo, somos a seleção do futebol'. Mas a realidade é que outras nações desenvolveram seus sistemas de formação e de detecção de talento. Por maior que o Brasil seja, em termos futebolísticos e geográficos, não dá mais para se esconder atrás da ideia de que, como nação, você sempre vai produzir talento, aconteça o que acontecer." Mais de entretenimento

Crédito, Tita Barros/ Reuters
A avaliação é compartilhada pelo historiador americano Gregg Bocketti, professor da Transylvania University e autor de The Invention of the Beautiful Game ("A Invenção do Jogo Bonito", em tradução livre), livro sobre a construção do futebol como identidade nacional brasileira.
"É notável que, desde a última conquista, em 2002, a seleção só tenha chegado a uma semifinal— em casa, em 2014", disse Bocketti à BBC News Brasil. Leia também: 'Sítio do Picapau Amarelo': O que ver na TV e no streaming na segunda
"Acho que a eliminação mais recente é sintoma de um declínio mais profundo e mais longo, em que já não podemos presumir que a seleção começa a Copa como uma das favoritas— nem nos surpreender quando ela cai nas fases iniciais."
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Na leitura de Kunti, o elenco levado aos Estados Unidos é o retrato dessa linha de produção em queda— não por falta de jogadores valiosos no mercado, mas por escassez de estrelas de primeira grandeza.
"Se você se perguntar quantos astros globais jogam nesta seleção, acho que a resposta é muito limitada. É o Vinícius Júnior, obviamente, e dá para argumentar que Gabriel e Marquinhos, na defesa, também são jogadores de classe mundial", diz.
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