Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô
Ler matéria →Quanto mais cedo começar no esporte, melhor? Por que seu filho não deveria treinar como um adulto Pais e treinadores costumam acreditar que começar cedo e treinar mais é o caminho para o alto rendimento, mas é justamente o contrário
No nosso dia a dia, é cada vez mais comum atender crianças e adolescentes com dores que, até alguns anos atrás, eram mais frequentes em atletas adultos. Fraturas por estresse, inflamações nos tendões, dores persistentes nos joelhos e lesões nas cartilagens de crescimento passaram a fazer parte da rotina de quem cuida de jovens esportistas. Em muitos desses casos, existe um fator em comum: a especialização precoce.
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Ela acontece quando a criança passa a praticar apenas um esporte, de maneira intensiva, durante praticamente o ano inteiro, abrindo mão de outras modalidades e, muitas vezes, até de momentos de descanso. A ideia defendida é a de que, quanto mais cedo começar e quanto mais treinar, maiores seriam as chances de a criança se tornar um atleta de alto rendimento. Mas a ciência do esporte mostra que essa lógica nem sempre funciona. Leia também: Morre João Signorelli ganha destaque após novo desdobramento em morre joão
O corpo da criança ainda está em construção Uma criança não é um adulto em miniatura. Seus ossos ainda estão crescendo, as cartilagens de crescimento estão em atividade e músculos e tendões passam por constantes transformações.
Isso faz com que o organismo responda de maneira diferente às cargas de treinamento. Quando um mesmo movimento é repetido centenas ou milhares de vezes ao longo de meses, sem períodos adequados de recuperação, determinadas regiões do corpo podem sofrer um estresse excessivo. É o que ocorre, por exemplo, com jovens tenistas, ginastas, jogadores de futebol, nadadores ou praticantes de esportes que exigem gestos repetitivos.
As consequências podem incluir tendinites, lesões nas cartilagens, dores lombares e fraturas por estresse, uma condição em que o osso desenvolve pequenas fissuras devido à sobrecarga repetida. Além do impacto físico, há outro aspecto importante: o excesso de treinamento pode levar ao esgotamento emocional. Muitas crianças acabam perdendo o prazer pela prática esportiva e abandonando precocemente uma atividade que, inicialmente, lhes trazia satisfação.
+ Mais treino não significa mais talento Diversas entidades internacionais, entre elas a American Orthopaedic Society for Sports Medicine e o Comitê Olímpico Internacional, desaconselham a especialização precoce antes da puberdade. Mais de saude
O motivo é claro: ela aumenta o risco de lesões e não garante melhor desempenho esportivo no futuro. Na prática, observamos que talento, coordenação, motivação e prazer pelo esporte têm um peso muito maior na formação de um atleta do que simplesmente acumular horas de treinamento desde muito cedo. A infância e a adolescência são períodos importantes para desenvolver diferentes habilidades motoras, como equilíbrio, agilidade, força, coordenação e percepção corporal.
Essas competências são estimuladas justamente pela prática de diferentes modalidades esportivas. O paradoxo do alto rendimento Curiosamente, muitos atletas que alcançaram o mais alto nível competitivo tiveram uma infância esportiva diversificada. Participaram de diferentes modalidades antes de se dedicarem de forma mais intensa àquela em que se destacaram. Leia também: Frio piora dor nas articulações? Saiba o que diz a ciência e como aliviar
Estudos mostram que jovens que praticam mais de um esporte apresentam menor risco de lesões por sobrecarga, menores taxas de abandono e, em muitos casos, carreiras mais longas e bem-sucedidas. Isso não significa que a criança não possa ter um esporte preferido ou sonhar em se tornar atleta profissional. O problema surge quando a busca por desempenho leva a uma rotina de treinamentos excessivos, sem períodos adequados de descanso e sem respeitar as limitações de um organismo em desenvolvimento.
No esporte infantil, o objetivo principal deveria ser formar pessoas ativas, saudáveis e apaixonadas pela atividade física. Se o alto rendimento vier no futuro, ótimo. Mas tentar acelerar esse processo pode ter o efeito oposto.
Em ortopedia esportiva, aprendemos uma lição importante: às vezes, o caminho mais seguro para formar um campeão é justamente permitir que a criança tenha tempo para crescer, brincar, experimentar diferentes esportes e desenvolver seu corpo de forma equilibrada. * Camila Cohen Kaleka é ortopedista, doutora pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e membro da Brazil Health.
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