artilharia da copa do mundo 2026
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Amanhã, a seleção francesa enfrentará Marrocos, em Boston, pelas quartas de final da Copa do Mundo. O time de estrelas vem impressionando a todos e é, para muitos, o mais forte candidato ao título da Copa do Mundo de 2026. Se chegar à final será pela quinta vez nas oito mais recentes.
Em quatro ganhou duas decisões e perdeu outro par, ambas as vezes nos pênaltis. Mas antes a França ficou fora das edições de 1990 e 1994. A segunda foi marcada por uma eliminação dramática no Parc des Princes, em Paris, após derrotas para Israel e Bulgária— esta, algo como o "Maracanazo" gaulês.
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Mas antes disso a federação já se movimentava para mudar o cenário. Ao longo de mais de quatro décadas, foi construído um eficiente sistema de formação de futebol, iniciado em meio aos maus resultados nas Copas das décadas de 1960 e 1970.
A França não se classificou para três das cinco edições disputadas no período e ficou em 12º e 13º lugares nas duas das quais participou. Um desempenho paupérrimo após o terceiro lugar em 1958, na Suécia.
Assim, a Federação Francesa de Futebol (FFF) profissionalizou e centralizou o desenvolvimento de base. O objetivo era identificar talentos precocemente, formá-los de forma integral e abastecer tanto os clubes profissionais quanto a seleção nacional. Leia também: Esporte: O Panorama da Semana no Futebol, Futsal e Copa do Mundo
Que tipo de jogador? Atletas tecnicamente sólidos, inteligentes taticamente e fisicamente preparados. Assim, em 1973 foi criada a Carta Profissional (Charte du football professionnel), que, entre outras medidas, obrigou todos os clubes da elite a criarem centros de formação.
Hoje são quase 40, que treinam aproximadamente 2 mil jovens entre 15 e 20 anos. Paralelamente, a FFF montou uma ampla rede de detecção com mais de 300 consultores técnicos espalhados pelo país. Os melhores são encaminhados para os 16 "Pôles Espoirs", ou seja, Centros Regionais de Desenvolvimento de Talentos.
O mais importante fica nos arredores de Paris, o INF Clairefontaine. Inaugurado em sua forma atual em 1988, tem o nome oficial de Centre Technique National Fernand Sastre, a cerca de 50 quilômetros da capital. Funciona como centro de pré-formação para garotos de 13 a 15 anos.
Os jovens moram no local durante a semana, treinam intensamente e mantêm os estudos regulares. A formação escolar é obrigatória e parte fundamental do projeto. A seleção é rigorosa, com provas durante as férias de Páscoa e limite de cerca de 22 vagas por turma.
A filosofia de trabalho prioriza o desenvolvimento técnico desde cedo, combinado com inteligência de jogo e versatilidade tática. Os treinadores buscam preservar a criatividade do "futebol de rua", comum nas periferias de Paris, por meio de jogos reduzidos, ao mesmo tempo em que introduzem conceitos coletivos. Mais de esporte
O modelo adota uma abordagem ampla, com acompanhamento psicológico, médico e físico, além do uso de tecnologia, e dá forte ênfase à educação formal até os 18 anos. A diversidade cultural— muitos talentos vêm de bairros populares e origens imigrantes— é transformada em vantagem competitiva.
O caminho até os clubes profissionais é progressivo e meritocrático. O jovem começa no clube amador local, passa pelas detecções distritais e chega aos Pôles Espoirs— ou a Clairefontaine, dependendo da região— por volta dos 13 anos.
Cerca de 60% dos jogadores que passam por eles conseguem integrar um centro de formação de clube profissional. Os grandes clubes mantêm redes próprias de olheiros que acompanham esses centros e convidam os destaques para observação ou testes. Leia também: Haaland exalta Brasil e presenteia Ronaldo Fenômeno após vitória na Copa do
Além da técnica, avaliam atributos físicos, potencial de progressão, perfil mental, comportamento e desempenho escolar. O resultado é visível nas gerações de jogadores formados nesse sistema.
Surgiram nomes como Henry, Anelka, Matuidi, Pogba, Gallas, Saha, Diaby, Ben Arfa, Giroud, Areola, Youssouf Fofana, Mbappé e dezenas de outros que brilharam/brilham na seleção e nos clubes europeus. "Fabricação em série" que consolidou a França como uma das maiores exportadoras de profissionais do planeta.
Na Copa do Mundo de 2026, esse investimento de décadas se traduziu em números impressionantes: quase 100 jogadores nascidos no país disputa(ra)m o torneio, representando cerca de 8% dos 1.248 convocados.
Em suma, não forma apenas para os 'Bleus', exporta talento de alto nível para o mundo inteiro, especialmente seleções africanas e caribenhas. Dos 26 que defendem a seleção francesa, quatro não nasceram em solo francês.
Filho de mãe franco-argelina, o craque Michael Olise nasceu em Londres, e Marcus Thuram, em Parma— seu pai, Lilian, campeão mundial em 1998, jogava no futebol italiano. O goleiro Brice Samba é de Linzolo, na República do Congo, e o arqueiro titular, Mike Maignan, de Cayenne, na Guiana Francesa.
Reportagem
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