Em audiência nos EUA, Paulo Figueiredo dirá que tarifa fortalece Lula e pedirá
Ler matéria →Sai Keir Starmer, entra Andy Burnham, um moderado que invoca a "esperança" e, às vezes, utiliza a linguagem dos populistas ("encerrar 40 anos de neoliberalismo"). O Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em uma década. Diagnóstico fácil: a crise deve-se ao brexit.
Há dez anos, em, por pequena margem, os eleitores determinaram a saída britânica da União Europeia (UE). Dito e feito: como tantos previram, o Reino Unido escolheu comprimir seu crescimento econômico. Segundo cálculos independentes, nesse intervalo o PIB britânico cresceu algo entre 4% e 8% menos do que poderia e os investimentos produtivos expandiram-se 10% menos.
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Os propagandistas do brexit apostaram na nostalgia. Numa linha paralela à do discurso de Trump ("fazer os EUA grandes novamente"), prometeram "recuperar o controle" dos destinos nacionais. A meta era resgatar uma soberania supostamente sequestrada pela UE, a fim de restaurar uma era de ouro: "podemos ver, à frente, os prados ensolarados", na miragem idílica conjurada por Boris Johnson.
Soberania, bela palavra, é também uma fonte de equívocos. "O homem no deserto é soberano, mas nada pode fazer pois carece de poder", como explicou Michael Heseltine, da derrotada corrente pró-Europa do Partido Conservador. Hoje, tarde demais, 57% dos eleitores enxergam o brexit como um desastre. O Bregret ("Britain regret", arrependimento britânico) tomou o lugar do brexit.
O diagnóstico fácil, e correto, arranha apenas a superfície do fenômeno. O impulso que desaguou no brexit tem raízes profundas, fincadas numa nostalgia secular. O Reino Unido emergiu, triunfante e falido, da Segunda Guerra Mundial. Sua "relação especial" com os EUA, junto com o sonho da permanência do Império, ofuscaram a realidade. A "pedra preciosa incrustada no mar de prata", na definição de Shakespeare, imaginava-se poderosa demais para confinar-se à Europa.
"A história britânica e seus interesses situam-se muito além do continente europeu", proclamou o então chanceler Anthony Eden em 1952, recusando o convite de adesão ao embrião da UE. Mesmo depois da perda da Índia (1947), foi necessária a catástrofe de Suez (1956) para que o Reino Unido aceitasse a condição de potência média, iniciando um longo trajeto diplomático até a Europa. A adesão, concluída em 1973, jamais se sedimentou como consenso no interior dos dois partidos tradicionais. Mais de politica
O brexit destroçou a estabilidade política britânica. Há uma década, no referendo fatal, nasceu uma extrema direita organizada ao redor de Nigel Farage que evoluiu até o atual Partido da Reforma. A nostalgia nunca secou, infiltrando-se na baixa classe média e assumindo as formas de um vasto protesto subterrâneo contra a estagnação da renda familiar. Nas eleições locais do ano passado, o partido de Farage obteve 30% dos votos, à frente dos trabalhistas (20%), liberais-democratas (17%) e conservadores (15%). O maior partido de uma nação que se arrepende do brexit é um partido radicalmente anti-Europa. Leia também: Setor de bebidas teme que definição de alíquotas de imposto seletivo fique
Burnham assume o governo sob o desafio de barrar a escalada extremista. "Esperança" não basta. Ele precisará persuadir os britânicos de que é impossível reinventar o tempo em que os homens usavam chapéu.
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