Roberto Carlos fará cirurgia na vesícula: entenda o procedimento
Ler matéria →Quando é a hora de parar de tomar Ozempic e Mounjaro? Especialistas explicam Novo consenso internacional orienta quando reduzir ou suspender os análogos de GLP-1 e GIP e reforça que decisão não deve se basear apenas no peso Se você faz uso de medicamentos anti-obesidade, como tirzepatida (Mounjaro) e semaglutida (Wegovy), talvez já tenha se perguntado, em algum momento poderá finalizar o seu tratamento.
Responder a essa questão, porém, não é uma tarefa fácil nem mesmo para a ciência. “ Essa é uma discussão bem atual e para a qual não existe uma resposta fechada”, explica o médico Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (Sbem).
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No entanto, em meio às incertezas, um novo consenso, elaborado por três entidades médicas europeias, cravou, pela primeira vez, algumas definições importantes para guiar essa decisão. Publicado no início do mês na renomada revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, o documento reúne as melhores evidências disponíveis na literatura sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”. Com base nesses dados, ele fornece orientações sobre, entre outras coisas, quando manter a terapia, quando reavaliar o uso e quando pensar o incremento de intervalos maiores entre as doses.
Mas, para entender como usar esse guia, é preciso, primeiro, compreender o que é a obesidade, como funcionam essas medicações e o risco de efeito “rebote”. + O que acontece ao parar de usar a caneta emagrecedora?
A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Isso significa que ela é o resultado de uma combinação complexa de fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e comportamentais. Ou seja, não é algo simplesmente relacionado a hábitos ou “força de vontade”, como muitos tendem a defender. Leia também: Lito Sousa ganha destaque após novo desdobramento em lito sousa: entenda quadro
Quer dizer, também, que a obesidade exige acompanhamento contínuo, assim como acontece com outros quadros crônicos, como a hipertensão ou o diabetes. Se não tratada, ela pode trazer complicações sérias à saúde, como doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Medicamentos como Ozempic e Mounjaro atuam diretamente nos mecanismos hormonais que regulam o apetite, a saciedade e a insulina, ajudando o corpo a “recalibrar” esse sistema.
O que acontece, então, quando interrompemos essas medicações? O mesmo que ocorre em qualquer outra condição crônica que deixa de ser controlada: o corpo, adoecido, retorna ao estado anterior. “Ou seja, quando você para esse remédio, há um reganho de peso“, crava Moura.
“Por isso, hoje, discutimos se devemos tentar diminuir as doses ou aumentar o intervalo entre elas. Mas uma coisa é certa: parar o remédio é igual à retomar os quilos perdidos”, diz o médico. De fato, a ciência mostra que o reganho de peso é uma realidade comum para quem para de tomar os medicamentos.
Um estudo recente, divulgada na Obesity Week, por exemplo, mostrou que, depois de um ano sem a medicação, 58,4% dos usuários recuperaram peso. “ O acontece é que, ao suspender o medicamento, retira-se, de forma relativamente rápida, um potente sinal de saciedade, enquanto as adaptações metabólicas provocadas pelo emagrecimento [que terminam por favorecer, no futuro, um retorno do peso anterior] permanecem”, explica Marcela Chambarelli, endocrinologista do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas.
Por esse motivo, parte dos especialistas defende que o tratamento medicamentoso não seja interrompido, mas, sim, adaptado (se necessário), exceto em casos de efeitos colaterais importantes. Outros consideram possível suspender a medicação, desde que o tratamento da obesidade continue por outras estratégias, como mudanças sustentadas no estilo de vida e acompanhamento médico. Em qualquer cenário, porém, a interrupção não deve ser feita de forma abrupta. Mais de saude
O desmame precisa ser gradual e individualizado. Como saber que já posso reduzir as doses? O tratamento para obesidade deve ser para a vida toda.
“Mas, não necessariamente com o mesmo tratamento e com medicamentos para sempre”, explica Chambarelli. Ou seja, pode haver redução da dose, troca de medicamento, associação com outros tratamentos, cirurgia metabólica em casos selecionados ou, eventualmente, tentativa supervisionada de suspensão. Moura, por sua vez, defende a não interrupção das drogas.
Mas, destaca que é possível pensar no incremento de doses menores ou intervalos maiores entre elas. A hora certa para fazer isso, porém, é relativa. O médico indica que, em geral, ela chega quando o paciente sai da fase de emagrecimento e entra numa etapa de manutenção do peso alcançado. Leia também: 5 chás que podem ajudar a aliviar a tosse
“ O momento certo para começar o ajuste da dose é quando você atinge o peso e a composição corporal combinados com o médico no início do tratamento”, explica Moura. Esse, aliás, é um importante ponto trazido pelo consenso publicado no The Lancet.
É que a decisão de manter ou reduzir as doses não depende somente de quanto peso você já perdeu, mas de como seu corpo está reagindo ao tratamento como um todo. Isso envolve, para além dos números na balança, a composição corporal— proporção entre massa magra e massa gorda no corpo— e a função física. Segundo o documento, se esses indicadores estão estáveis ou melhorando, o tratamento continua, com reavaliações periódicas para confirmar que tudo segue no caminho certo.
A não ser em alguns casos específicos. Adaptações de dose podem ocorrer, mas elas são muito individuais. “
Por exemplo, quando vamos elevar as doses, o padrão é fazer ajustes mensais, mas isso pode ser acelerado ou retardado conforme o contexto de cada paciente. Aqui, é a mesma coisa”, diz o médico. Segundo Chambarelli, mesmo quando a opção é, de fato, parar o uso do medicamento, o ideal é planejar uma fase de manutenção antes da retirada.
Esse momento, segundo ela, deve incluir:- Estruturação de uma alimentação sustentável, com pouca exposição aos alimentos que o paciente considera gatilhos para compulsividade;- Atividade física, combinando musculação e exercícios aeróbicos;- Sono adequado e manejo do estresse;- Tratamento de transtornos alimentares, quando for o caso;- Pesagem regular, sem obsessão, para identificar precocemente uma tendência de aumento;- Consultas programadas após a retirada. A médica destaca que isso é importante, porque tais medicamentos estão tratando uma doença crônica. “Não são como uma intervenção estética com data obrigatória para terminar”, reforça.
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