A esperteza de Ancelotti que salvou Brasil de ser humilhado pelo Japão
Ler matéria →Quando Belchior misturou Beatles, Dylan e baião para criar disco que o lançou ao estrelato

Crédito, Getty Images
- Author, Fernando Silva
- Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
- Published 30 junho 2026, 14:14 -03Atualizado Há 30 minutos
- Tempo de leitura: 14 min
Em sua busca pelo novo, Antonio Carlos Belchior (1946-2017) encontrou o delírio na experiência com coisas reais.
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Nas andanças por São Paulo, o cearense de Sobral retratou dilemas dos jovens, vivências do migrante e contradições do Brasil, colocando tudo isso em seu disco Alucinação— um marco da MPB que completa 50 anos este mês.
De discurso direto e afiado, o álbum chegou às lojas em junho de 1976 e era puxado por Apenas Um Rapaz Latino-Americano, faixa que entrou em alta rotação nas rádios.
"Meu disco de maior sucesso aconteceu em 1976: Alucinação", disse Belchior ao jornal O Pasquim, em 1982. "Tenho uma visão carinhosa desse disco, que discutiu os sentimentos, os pensamentos, os corações e a mente de toda uma juventude." Leia também: O campo de golfe que era símbolo de opulência e virou refúgio da devastação
Ao longo dos anos, ele ultrapassou a marca de 500 mil cópias vendidas e, cinco décadas após o lançamento, mais parece uma coletânea de sucessos.
De acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, entre as dez músicas do compositor mais tocadas nos últimos cinco anos, metade é de Alucinação. Estão na lista Velha Roupa Colorida, (9º lugar), A Palo Seco (6º), Sujeito de Sorte (5º), Apenas Um Rapaz Latino-Americano (3º) e Como Nossos Pais (1º).
Mas, de 1971— quando ele saiu de Fortaleza para o Rio de Janeiro de carona em um voo do Correio Aéreo Nacional— a 1975, os êxitos seriam só sonhos para Belchior.
Se naquele ano de 1971 o artista ganhou o 4º Festival Universitário de Música Brasileira, da TV Tupi, com Na Hora do Almoço, o triunfo se revelaria efêmero.
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"Ele achava que a vitória abriria portas", diz o jornalista Jotabê Medeiros, autor de Belchior: Apenas Um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), à BBC News Brasil.
"Inclusive, fez muitos contatos no Rio, frequentou o mundo das decisões de diretores artísticos, de gravadoras. Achava que teria uma recepção melhor e não foi bem assim." Leia também: A esperteza de Ancelotti que salvou Brasil de ser humilhado pelo Japão
Nessa tentativa de emplacar a carreira, Belchior fez um pouco de tudo.
Empregou-se num bar da praça Mauá, no centro do Rio, onde cantava tangos e boleros para assegurar o cachê. Dividiu o espetáculo Venha a Nós o Vosso Campo com Ruy Maurity, no qual os dois apresentavam suas músicas num vazio teatro Glauce Rocha.
"E ele fracassou, né? O Rio não o acolheu como intérprete, como músico da noite, como nada disso", afirma Jotabê Medeiros.
"Resisti o quanto pude. Acabei me mandando pra São Paulo", contou o cantor em 1978.
Rejeitado no Rio de Janeiro
Na capital paulista, ele gravou o primeiro LP, Belchior, também conhecido como Mote e Glosa.

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