
Crédito, Arquivo pessoal
- Author, Ana Pais
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 6 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Você já passou pela situação de estar ouvindo e cantando — talvez até dançando — uma música com alguém e sentir uma conexão inexplicável, algo que une vocês de forma profunda?
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"As artes, como a literatura e a música, ajudam a nos sincronizar uns com os outros", afirma o neuropsiquiatra e escritor mexicano Jesús Ramírez Bermúdez.
"Quando eu e outra pessoa estamos ouvindo a mesma música ou lendo o mesmo livro, a atividade dos meus neurônios se sincroniza com a dos neurônios dela", acrescenta ele. O mesmo ocorre com a atividade cardíaca. Leia também: 'Saía de casa pensando que podia ser atacado por uma feminista': como jovem
Ramírez Bermúdez sabe disso tanto por seu trabalho como cientista e clínico na Unidade de Neuropsiquiatria do Instituto Nacional de Neurologia e Neurocirurgia do México quanto pelas pesquisas que realiza para seus livros.
Sua obra mais recente, La melancolía creativa (A melancolia criativa, na tradução literal para o português), mistura a história da medicina e da psiquiatria com estudos atuais de neurociência para desvendar justamente as ligações entre melancolia e criatividade.
No livro, ele afirma, por exemplo, que "a melancolia atravessa a história da cultura ocidental: é um símbolo da desilusão e do sofrimento; um sinal crítico que indica o desfecho dos distúrbios coletivos e das limitações de todo esforço civilizatório. Mas também é um ponto de partida da travessia artística".
Sobre isso e muito mais Ramírez Bermúdez falou com a BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) durante o festival Centroamérica Cuenta, que acontece no Panamá.
Confira alguns trechos da entrevista. Mais de mundo
Conectoma humano
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
No mundo há pessoas cegas que experimentam alucinações visuais, pacientes com amnésia que têm lembranças falsas, gente (viva, claro) que afirma estar morta. Leia também: Casal é preso por abandonar dois meninos menores de 5 anos à beira de estrada
Ramírez Bermúdez se dedica a estudar esses tipos de casos clínicos, que às vezes "vão além do senso comum", para compreender como se produzem diferentes doenças cerebrais ou alterações mentais e de comportamento.
Mais especificamente, ele realiza estudos dentro de uma corrente de pesquisa chamada conectoma humano.
"Basicamente, o que se busca decifrar é a forma como esses 100 bilhões de neurônios que temos no cérebro se comunicam e se integram para criar uma experiência unificada de consciência", explicou durante sua palestra viral do projeto "Aprendemos Juntos", do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria.
"Eu tenho a sensação de que sou uma pessoa, um sujeito, um único indivíduo. Não tenho a sensação de que sou 100 bilhões de neurônios, além de muitas outras células que tenho no meu organismo. Então, como essa unidade se cria?", acrescentou.

Crédito, Getty Images
A teoria da bile negra


'A tela da melancolia'
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