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A Qualicorp (QUAL3) anunciou na última sexta-feira (22) que o CEO Maurício Lopes vai deixar o cargo para assumir o posto de presidente do Conselho de Administração a partir de e será sucedido por Eduardo Oliveira, atual vice-presidente da companhia. O atual presidente do conselho, Murilo Ramos Neto, passa a atuar como vice-presidente do colegiado.
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A troca de cadeiras marca o fim de um ciclo de três anos de Lopes na gestão direta. Analistas do mercado financeiro demonstraram reações neutras. Mesmo assim, os papéis da companhia chegaram a recuar 12%, mas fecharam dia com queda de 4,81%, a R$ 1,78.
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Os bancos de investimento receberam o anúncio ressaltando que o desenho da mudança sinaliza uma preservação do plano estratégico em andamento. Os analistas do Bradesco BBI mantiveram uma visão neutra para o ativo, destacando que Maurício Lopes atuará como presidente do conselho de forma executiva, mantendo envolvimento direto junto ao novo CEO.
“A transição visa preservar a estratégia da companhia focada em eficiência operacional, realinhamento das frentes comerciais e expansão do portfólio de produtos para apoiar o crescimento”, diz o relatório do BBI.
O Goldman Sachs também reforçou a percepção de que a escolha de uma solução interna reduz as incertezas operacionais. Em comentário, o banco apontou que Lopes teve papel fundamental na tese de reestruturação da companhia ao otimizar indicadores de cancelamento (churn) e ampliar o portfólio de planos por afinidade para pequenas e médias empresas.
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Apesar do peso da saída do executivo da linha de frente, a instituição financeira frisa que Eduardo Oliveira possui um histórico sólido de envolvimento na execução da reestruturação nos últimos anos, “o que, em nossa opinião, reduz os riscos de ruptura estratégica e deve ser lido como uma continuidade da agenda que vinha sendo executada por Lopes”, segundo os analistas do GS.
Apesar do tom de previsibilidade institucional, os analistas divergem sobre a capacidade da companhia de entregar valor sustentável daqui para frente. O JPMorgan manteve sua recomendação de venda para as ações da Qualicorp, argumentando que os desafios operacionais continuam desafiadores para o novo comando. Leia também: Ações da Petrobras e de outras petroleiras caem de olho em acordo entre EUA-Irã
Os analistas do JPMorgan reconhecem que a gestão anterior estabilizou o caixa e conteve o endividamento, mas coloca o foco na capacidade do novo CEO de destravar o crescimento do faturamento.
“A principal dúvida dos investidores continua sendo se Oliveira conseguirá sustentar as melhorias operacionais ao mesmo tempo em que avança para a próxima fase do turnaround: melhorar o momentum comercial, estabilizar a receita (top-line) e entregar uma criação de valor mais consistente”, diz o relatório o documento, apontando que a pressão persistente na receita nubla a visibilidade de médio e longo prazo sobre a geração de fluxo de caixa livre da empresa.
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Victória Anhesini
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