
Crédito, Reuters
- Author, Rute Pina
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- 6 maio 2026, 13:13 -03Atualizado Há 1 hora
- Tempo de leitura: 8 min
A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga a possibilidade de uma rara transmissão de hantavírus entre passageiros do navio holandês MV Hondius — três pessoas que estavam a bordo já morreram desde o início da atual viagem da embarcação.
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Segundo a OMS, apesar do surto no navio, o risco para o público em geral é baixo e não há recomendação de restrições de viagem.
A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril com 174 pessoas a bordo. O cruzeiro percorreu regiões remotas do Atlântico Sul, incluindo Antártica, Geórgia do Sul, Tristan da Cunha, Santa Helena e Ilha de Ascensão.
No dia 2 de maio, a OMS foi oficialmente comunicada sobre casos de doença respiratória aguda grave a bordo do navio. Leia também: Lula e Trump: o que os dois presidentes querem ganhar com encontro na Casa Branca?
Até agora, oito casos foram identificados — três confirmados e cinco suspeitos. Entre os três mortos, uma mulher holandesa teve diagnóstico confirmado para hantavírus. As outras duas mortes seguem sob investigação.
Até terça-feira (5/5), o navio permanecia ancorado próximo a Cabo Verde. Mas, segundo autoridades locais, o país não tinha estrutura suficiente para conduzir toda a operação sanitária e médica necessária.
O Ministério da Saúde da Espanha informou que receberia o MV Hondius nas Ilhas Canárias no próximo final de semana, "em conformidade com o direito internacional e os princípios humanitários".
Passageiros sintomáticos foram retirados da embarcação e, segundo o ministro da Saúde da Espanha, os demais passageiros não apresentam sintomas.
A decisão, no entanto, gerou reação política nas Canárias. O presidente do governo regional, Fernando Clavijo, afirmou ser contrário à autorização para que o navio atraque no arquipélago. Mais de mundo
"Se os passageiros estão seguros e saudáveis, não faz sentido que precisem ir às Ilhas Canárias para serem repatriados. Isso poderia ser feito a partir do aeroporto internacional de Cabo Verde", disse.

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O surto a bordo também reacendeu uma pergunta que ganhou força durante a pandemia de Covid-19: afinal, cruzeiros são ambientes seguros do ponto de vista sanitário?
A infectologista Elba Lemos, pesquisadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenadora so serviço de referência na área para o Ministério da Saúde, afirma que ainda é cedo para concluir se houve transmissão dentro da embarcação ou se os passageiros foram infectados antes do embarque.
"Para a gente chegar a uma conclusão, está faltando algo que é fundamental: procurar todos os dados clínicos e epidemiológicos", disse Lemos à BBC News Brasil.
"Onde essas pessoas estiveram, se elas tiveram locais de exposição e o que elas fizeram. Isso ainda não temos."
Segundo a OMS, há indícios de que a primeira pessoa infectada possa ter embarcado já contaminada. A organização também afirmou que investiga se os casos estão ligados à cepa Andes e possibilidade de transmissão "entre contatos realmente próximos" dentro do navio.
Ambientes fechados e de alta circulação

O risco é motivo para preocupação?
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