Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?
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- Author, Steve Rosenberg
- Role, Editor BBC Rússia
- Reporting from, Moscou
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 7 min
Nos escritórios do jornal Novaya Gazeta, em Moscou, na Rússia, os corredores estão silenciosos.
Há uma enorme sensação de vazio.
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"Não existe mais jornal", disse o ex-editor-chefe Dmitry Muratov em entrevista exclusiva à BBC.
Muratov ajudou a fundar o Novaya Gazeta há mais de 30 anos, após a queda da União Soviética. O jornal se tornou um dos principais veículos independentes da Rússia, denunciando violações dos direitos humanos e casos de corrupção envolvendo autoridades de alto escalão.
Em 2021, Muratov dividiu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços "para proteger a liberdade de expressão". O Comitê do Nobel lembrou que "seis jornalistas [do Novaya Gazeta] foram mortos, entre eles Anna Politkovskaya (1958-2006), autora de reportagens sobre a guerra na Chechênia". Leia também: A causa do acidente em que homem quase foi sugado para fora de avião
Foi um reconhecimento ao jornalismo corajoso.
Mas isso não protegeu o jornal.

Crédito, EPA
"[Vladimir] Putin assinou um decreto que estatizou as máquinas de impressão do jornal", explicou Muratov. "O registro do jornal foi cassado."
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O Novaya Gazeta ainda está presente na internet, mas seu alcance é limitado: as autoridades bloquearam o site, que só pode ser acessado fora da Rússia ou por meio de VPN (sigla em inglês para uma rede privada virtual que mascara o "endereço" do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos em uma dada localização).
As dificuldades enfrentadas pelo jornal refletem a repressão mais ampla à liberdade de expressão na Rússia, que se intensificou desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Leia também: A causa do acidente em que homem quase foi sugado para fora de avião
"A maioria das pessoas com influência sobre a opinião pública foi declarada como 'agente estrangeiro', 'extremista' ou 'terrorista'. São várias centenas", disse Muratov.
"Os números variam, mas, pelas estimativas mais cautelosas, desde o início da 'operação militar especial' da Rússia [na Ucrânia], pelo menos 1,5 mil pessoas foram presas por se manifestarem contra as políticas do governo. É o triplo do registrado nos anos mais duros do Comitê de Segurança do Estado [KGB, na sigla em russo], na União Soviética", acrescenta ele.
Ao receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1975, o dissidente Andrei Sakharov (1921-89) citou mais de 120 presos políticos que conhecia na União Soviética. Dez anos depois, a Anistia Internacional estimou em mais de 600 o número de presos de consciência na Rússia.

Crédito, Reuters
Em 2022, o governo da Rússia acreditava que a "operação militar" seria rápida e bem-sucedida. Quase cinco anos depois, ela se transformou no conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

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