Justiça condena Nego Di a mais 14 anos de prisão por lavagem e estelionato
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Um dia após a declaração da deputada federal Erika Hilton (SP) sobre os repasses do PSOL para sua campanha eleitoral, o partido declarou prever R$ 2,3 milhões do fundo eleitoral para a reeleição da parlamentar. O total é superior aos R$ 2,2 milhões a ser recebido por outros deputados do partido que tentam novos mandatos na Câmara, e é 61,5% maior ao recurso recebido por Erika em 2022. A parlamentar acusou, na terça-feira, a direção nacional da sigla de“rasgar” acordos firmados internamente e alegou que o cenário estaria “inviabilizando” sua postulação. A manifestação pública dela ocorre três semanas antes da reunião da Executiva Nacional do PSOL que, em 18 de julho, baterá o martelo sobre a divisão de recursos.
Na terça-feira, Erika sustentou que, para percorrer o estado de São Paulo como puxadora de votos do partido, é preciso logística e um forte esquema de segurança. Segundo a deputada, ela e seu grupo político “correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar”, sob o risco, ainda de acordo com Erika, de inviabilização de pré-candidaturas, rebaixamento do potencial de votos e ameaças à integridade física.
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Em março, o grupo de Erika, Revolução Solidária, decidiu disputar as eleições deste ano pelo PSOL, mesmo após o diretório nacional decidir não ingressar na federação PT-PCdoB-PV. A união era defendida pela deputada e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
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Internamente, a ala oposta à de Erika entende que a manifestação da parlamentar tem três objetivos principais: barganhar o crescimento do valor do fundo destinado à campanha dela, trabalhar pela eleição de Natália Boulos à Câmara e iniciar a construção de uma narrativa para a saída do partido em um futuro próximo.
Integrantes da direção nacional defendem que a destinação superior à Erika já representa uma “deferência a ela”. Segundo a sigla, em 2022, nenhum candidato recebeu a mais que os demais, conforme as faixas. Inclusive o puxador de votos naquele ano, Guilherme Boulos, recebeu menos do que candidatos em reeleição, segundo a sigla. Leia também: Justiça condena Nego Di a mais 14 anos de prisão por lavagem e estelionato
Fontes do PSOL questionam a interpretação de que a manifestação de Erika Hilton seja um “ensaio” para sair da legenda. Alegam que a parlamentar não precisaria de uma “desculpa” como essa, depois da divulgação de carta pública da Revolução Solidária após a direção do PSOL, sob comando de Paula Coradi, rejeitar por maioria a formação de uma federação com o PT.
O grupo, do qual Erika e Guilherme Boulos fazem parte, disse na ocasião que o PSOL optou por um “caminho de isolamento” em detrimento do debate de soluções políticas e deixou em aberto o rumo político dos integrantes.
A ala que apoia Erika Hilton sustenta que o apelo da deputada vem num momento de crise interna do partido e a tensão pela possibilidade de uma saída coletiva após as eleições. Isso, segundo as mesmas fontes, pode estar interferindo na discussão financeira, com a ideia de não investir em campanhas de figuras que possam vir a deixar o PSOL.
Também argumentam que a tensão interna tem exposto privilégios a pré-candidatos cis, heterossexuais e brancos. O cenário teria ficado ainda mais preocupante, segundo elas, depois de o STF validar por maioria a emenda que anistia partidos que violaram cotas eleitorais de minorias. Mais de economia
Critérios questionados
Na terça-feira, Erika questionou os critérios adotados para o financiamento das campanhas e comparou o valor a ser recebido por ela com a verba prevista para outros nomes, com menos tempo no Congresso ou na federação PSOL-Rede. À coluna de Lauro Jardim, a deputada afirmou que se comprometeu a permanecer no PSOL para que a sigla alcançasse a cláusula de barreira e, para isso, teria direito a recursos a mais definidos para uma categoria de puxadores de voto.
Em postagem nas redes sociais, a deputada cita os deputados estaduais Renata Souza (RJ) e Carlos Giannazi (SP) e o vereador Rick Azevedo (RJ)— que receberá R$ 900 mil, como outros vereadores que vão concorrer à Câmara dos Deputados— como outros parlamentares que estariam insatisfeitos com a gestão.
“Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe”, disse. Leia também: Taxas do Tesouro desabam até 44 pontos-base seguindo petróleo, apesar do dólar
Manuela é pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul e lidera as pesquisas de intenções de voto. Aposta da esquerda gaúcha, Manuela integra a chapa encabeçada por Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) ao governo. Já Medeiros disputará uma vaga na Câmara por São Paulo, assim como Natalia Boulos, que é próxima de Erika.
O partido prevê que Manuela d’Ávila receba R$ 5 milhões. A sigla defende que o valor deva ser maior por se tratar de uma eleição majoritária e por avaliar que a campanha dela vai alavancar proporcional no Rio Grande do Sul, ou seja, fazer mais deputados federais no estado. Ela vai receber o teto do repasse previsto para postulante ao Senado. Medeiros e Natalia Boulos receberão, por sua vez, R$ 2 milhões cada.
À coluna de Lauro Jardim, Erika exemplificou que, na chapa estadual em São Paulo, Luiza Erundina receberia a mais que aqueles que tentam se reeleger. Segundo o PSOL, ela sairia para federal, vai para estadual e é vista como puxadora de voto. Vai receber bem menos do que se fosse para federal, mas vai ser mais do que a média, acrescenta a legenda.
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Agência O Globo
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