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Profissionais que deixaram emprego para virar motoristas em apps se equilibram entre lucro e incertezas

Dados divulgados em 2025 pela PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que em 2024 o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que

Profissionais que deixaram emprego para virar motoristas em apps se equilibram entre lucro e incertezas

Dez anos após chegada dos aplicativos, motoristas se equilibram entre busca por lucro, despesas e falta de garantias, em Fortaleza (CE) — Foto: Thiago Gadelha/SVM Dez anos após a chegada dos aplicativos de transportes como Uber e 99 em Fortaleza, profissionais que deixaram seus empregos para trabalhar como motoristas nas plataformas têm se equilibrado entre falta de garantias trabalhistas, despesas, cuidados com a segurança e busca por lucro, em uma rotina de trabalho que frequentemente ultrapassa as oito horas diárias.

Dados divulgados em 2025 pela PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que em 2024 o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos. Em comum, eles têm renda acima da média e carga horária maior. Desse total, 58,3%, isto é, 964 mil pessoas, atuavam especificamente em aplicativos de transporte.

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“Você tem que ter uma gestão financeira muito boa, porque senão você passa muito tempo apanhando”, resume o fortalezense Felipe Albuquerque, que trabalha como motorista por aplicativo há cerca de 4 anos. 📍Esta é a primeira reportagem de uma série publicada pelo g1 que aborda os aspectos e impactos do serviço de corridas por aplicativos de transporte em Fortaleza ao longo de uma década. Profissionais que deixaram emprego para virar motoristas em apps se equilibram entre lucro e incertezas — Foto: Louise Anne Dutra/SVM Felipe atuava como técnico de instalação para uma empresa de telefonia, com contratação via CLT, mas deixou o emprego devido às condições de trabalho.

À época, ele vendeu uma moto e alugou um carro para começar a rodar por aplicativo. Hoje, Felipe possui carro próprio e diz ganhar duas ou três vezes mais do que recebia como técnico de instalação. Porém, faz ressalvas quanto às condições gerais de quem trabalha em app - isto é, sem cobertura de seguridade social, com altos custos de manutenção e combustível para carro.

Desde que começou a rodar por app, não teve férias. Felipe Albuquerque trabalha como motorista de aplicativo há cerca de 4 anos, em Fortaleza (CE) — Foto: Thiago Gadelha/SVM Leia também: Governador do México se afasta após acusação de narcotráfico nos EUA

A opinião é semelhante à de Katiuse Sabino, que trabalhava como motorista por app há 9 anos. Formada em pedagogia, ela trabalhava como professora, mas há anos deixou a sala de aula pelo asfalto. "

A gente tem a opção de trabalhar, de fazer o nosso horário certo. Hoje, o aplicativo, ele paga pouco, né? Mas se você tiver uma organização financeira, se você equilibrar as suas contas, sim.

Dá pra você viver do aplicativo, sim”, afirma. “ Tem motorista que não faz os cálculos da questão de ganhar por quilômetro, o horário, então, assim, você tem que ser organizado nisso.

Porque senão não dá” A Uber começou a operar na capital cearense em , com a modalidade UberX (exclusiva de carros). No ano seguinte, começou a operar a 99 em Fortaleza, também com carros.

Em 2021, a Uber iniciou o serviço de transporte por motocicletas. No ano seguinte, foi a vez da 99. Ao longo dessa década, o segmento passou por uma série de reformulações, que incluem a regularização, pela Prefeitura de Fortaleza, em 2018. Mais de noticia

Até então, o serviço funcionava irregularmente e eram comuns as apreensões de veículos por parte do poder público. A ascensão dos aplicativos também jogou luz sobre a violência urbana que fez do Ceará, nos últimos, um dos estados mais violentos do Brasil. Entre 2019 e 2025, pelo menos 52 motoristas por aplicativo foram mortos enquanto trabalhavam no estado, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública.

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Durante a produção desta reportagem, a equipe do g1 conversou com diversos motoristas por aplicativo. Embora com visões diferentes em alguns aspectos, todos concordaram em um mesmo ponto: nos últimos anos, a categoria tem sentido uma redução nos lucros obtidos no trabalho por app. Leia também: Panorama de Notícias: Saúde de ativista, acidente no PR e ação policial

Isto, conforme os entrevistados, se deve a fatores como uma defasagem no valor da tarifa cobrada do passageiro; um aumento na proporção da taxa cobrada pelas empresas dos motoristas e um aumento nos custos de manutenção e combustível, o que faz os motoristas gastarem mais para rodar. “ Os valores das corridas estão defasados, a gente não tem um reajuste.

Há muito tempo, a gasolina subiu, a inflação estourou, todas as peças de manutenção de todos os carros estão caras. [...] Eu digo que hoje o motorista ganha menos do que ganhava em 2019, em 2020”, afirma Felipe Albuquerque. A percepção é a mesma compartilhada pelo presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo do Ceará (AMAP-CE), Evans Souza.

Antes da chegada dos apps, ele era editor de vídeo, mas passou a trabalhar como motorista ainda em 2016. “ Quando o motorista começou [10 anos atrás], a média salarial dele era em torno de 12 mil reais, quando começou o boom dos aplicativos aqui em Fortaleza.

Hoje, essa média, eu acho que ela caiu quase 50%. Então, assim, para o motorista dizer que roda e é sobrevivente, ele tem uma média de 6 mil reais. Entre 5 e 6 mil reais.

Então, assim, caiu drasticamente em torno de 50%”, aponta Evans. Evans Souza trabalha por app desde 2016 e atualmente é presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo do Ceará (AMAP-CE) — Foto: Fabiane de Paula/SVM

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