Ministro Buzzi presta depoimento ao STJ nesta segunda sobre denúncias
Ler matéria →" Quando fui promovida, talvez nem tivesse essa noção toda do que poderia representar", afirma Claudia Lima Gusmão Cacho, 57, primeira mulher a alcançar o posto de general do Exército brasileiro, ao relatar encontros com jovens que dizem se inspirar nela para seguir a carreira militar. "
Gente que sou eu 30 anos atrás", diz. Com três décadas na Força Terrestre, Claudia atribui sua ascensão pioneira ao generalato ao trabalho próprio e a uma adaptação das Forças Armadas para receber mulheres. "
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Existe uma combinação de fatores. Não foi uma coisa abrupta. Foi construída ao longo dos anos", afirma em entrevista à Folha.
A general nega ter enfrentado resistência de colegas no meio militar por ser mulher. Habituada a um ambiente meritocrático, diz nunca ter se considerado uma feminista, mas defende que todos devem ter oportunidades iguais. "E aí, cabe a cada um.
Você tem opções, escolhas e vai lutar por aquilo que quer. " A oficialização de Claudia como general de brigada, um dos principais postos da hierarquia da Força, foi alvo de cerimônia em 1º de abril. Leia também: Frentes parlamentares focadas na economia se reúnem com líderes partidários
O Exército completou 378 anos semanas depois, no dia 19. O ingresso feminino em turmas oficiais da linha militar bélica, o que permite a promoção ao cargo, foi autorizado apenas em 2012. A militar reconhece que o ineditismo abre portas para outras mulheres, mas diz que "não é porque é mulher".
" É porque trabalhou, estudou, teve competência e mérito para chegar até lá. Isso, sim, serve de inspiração para que outras venham e virão.
Elas estão vindo, várias. " Natural do Recife, a médica pediatra passou também por Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia e Rio Grande do Norte e, em abril, assumiu a direção do Hospital Militar de Área de Brasília.
A unidade fica localizada no Setor Militar Urbano, próximo ao Quartel-General do Exército. O local foi palco de manifestações de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições que pediam golpe militar. Em 2026, ano eleitoral, Claudia evita adentrar em questões políticas.
Questionada se episódios do tipo podem voltar a se repetir e se a trama golpista está superada dentro do Exército, ela afirma que a instituição é "permanente e apartidária". A ascensão como primeira general do Exército foi em maior parte resultado de seu trabalho ou também tiveram mudanças estruturais da Força que contribuíram para isso? Existe uma combinação de fatores. Mais de politica
Não foi uma coisa abrupta, foi construída ao longo dos anos. Casa a questão da carreira e, ao longo desse tempo, a Força foi também abrindo mais espaço para as mulheres. Foi se adaptando e, com a entrada cada vez maior do segmento feminino, as portas foram se abrindo.
Houve resistência, seja explícita ou velada, à sua ascensão, por ser mulher? Não. Pelo contrário, a gente [homens e mulheres] tinha as mesmas ações a fazer, os mesmos direitos, os mesmos deveres.
Todas éramos voluntárias. A gente estava lá porque a gente queria estar. Sempre fomos apresentadas às mesmas atividades. Leia também: Flávio Bolsonaro diz que Bolsa Família é 'direito adquirido': 'Ninguém tem
O contingente feminino no Exército pode chegar a patamares maiores, como 20% ou 30%? A diretriz do Serviço Militar Inicial Feminino foi muito bem recebida. A gente viu a quantidade de mulheres que se alistou e que foi selecionada.
E hoje elas estão integradas. Vejo isso como muito positivo, pela aceitação e pela oportunidade. Dentro da diretriz existe esse aumento, que vai ser gradual, para chegar ao percentual estabelecido pelo Ministério da Defesa [de 20% até 2035].
O que era uma exceção quando eu entrei hoje já virou natural. O Exército ganhou muito com a chegada das mulheres. Abriu seu leque de atrair, de captar recursos, valores.
No ano passado, um grupo de militares foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. A trama golpista está superada dentro do Exército? Manifestações no QG podem se repetir?
O Exército se mantém como uma instituição nacional permanente, que é apartidária e vem mantendo a sua missão constitucional, como sempre aconteceu. O Exército permanece como essa instituição que conhecemos, que presta serviço, tem entregas à sociedade e está sempre em constante evolução. Como militares temos a nossa missão constitucional, que está bem estabelecida: a defesa da pátria.
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