
Crédito, Rashedul Hasan
- Author, Mukimul Ahsan
- Role, BBC News Bangla
- Author, Mohammed Zubair Khan
- Role, Serviço Mundial da BBC
- e
- Author, Grace Tsoi
- Role, Serviço Mundial da BBC
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 7 min
Às vezes, o mar está tão calmo que o capitão Hassan Khan (nome fictício) chega a esquecer que o seu navio está parado há três meses no meio de uma zona de guerra.
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"É estranho ver tudo aparentemente normal do lado de fora quando ninguém aqui dentro consegue ficar tranquilo", diz o marinheiro paquistanês, que prefere não revelar o nome verdadeiro.
Mas a normalidade é só aparente. Khan e outros 20 mil marinheiros estão presos no estreito de Ormuz ou em áreas próximas desde 28 de fevereiro, por causa da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. O que antes era uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, por onde passava um quinto do petróleo e gás consumidos globalmente, agora está praticamente tudo parado, enquanto mísseis cruzam o céu e minas são espalhadas debaixo d'água.
Mesmo assim, a tripulação no navio capitaneado por Khan tenta manter a rotina de trabalho. No entanto, ninguém quer deixar o navio nas raras ocasiões em que é permitido desembarcar. As conversas descontraídas deram lugar a um silêncio tenso, quebrado apenas pelo barulho dos celulares. Qualquer som assusta a tripulação, até durante o sono. Leia também: Trump aposta em JD Vance e Marco Rubio
"O estresse não sai da cabeça", afirma Khan. "Todo mundo está exausto, física e mentalmente."
Travessias e abastecimento

Mesmo sem considerar o risco representado por mísseis e minas, os 1.600 navios que, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), estão presos no estreito de Ormuz não conseguem partir. Dias após o início da guerra, o Irã fechou a estreita passagem marítima, a única saída do Golfo, e passou a impedir travessias sem autorização expressa do país.
"É como se estivéssemos presos em uma lagoa. Só existe uma saída, e ela é Ormuz", explica outro marinheiro, o capitão Shafiqul Islam.
Islam, cujo navio Banglar Joyjatra, de bandeira de Bangladesh, transporta cerca de 37 mil toneladas de fertilizante com destino à África do Sul, tentou deixar a região duas vezes nos últimos meses.
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As duas tentativas fracassaram.
Após o anúncio de um cessar-fogo em 8 de abril, Islam soube que outro navio havia recebido autorização da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) para atravessar o estreito. Ele então conduziu a sua embarcação em direção à passagem estratégica junto com outros quatro navios. Pouco depois, receberam ordens para não seguir viagem. Leia também: Pecuária brasileira na 'lista suja': o que EUA dizem sobre trabalho forçado no
Nove dias depois, Islam tentou novamente, após o Irã afirmar que o estreito estaria "completamente aberto" para embarcações comerciais, em linha com o cessar-fogo entre Israel e Líbano (que passou a ser atacado por Israel porque o Hezbollah, que atua em território libanês, reagiu aos ataques americanos e israelenses ao aliado Irã). Mas o Irã voltou atrás rapidamente depois que os EUA mantiveram o bloqueio aos portos iranianos.
Naquele momento, o navio de Islam já estava a menos de 55 km do estreito. Sem alternativa, ele precisou mudar de rota enquanto alertas sobre possíveis ataques continuavam ecoando pelo rádio.
Navios mudaram de porto ou permaneceram ancorados em áreas do Golfo consideradas mais seguras. Mas o abastecimento de comida e água se tornou uma preocupação cada vez mais urgente.
Ainda é possível repor suprimentos sem necessariamente entrar em portos, já que a região do Golfo, especialmente áreas próximas a Dubai, Abu Dhabi e Kuwait, possui serviços de abastecimento bem estruturados. Mas as entregas se tornaram imprevisíveis.
Entre os itens essenciais, o preço da água foi o que mais subiu, afirma Rashedul Hasan, engenheiro-chefe do navio Banglar Joyjatra. "Compramos cerca de 180 toneladas de água para o navio há dois dias. Antes, isso custava entre US$ 1.500 e US$ 2.000 (entre R$ 8,1 mil e R$ 10,8 mil). Agora, estamos pagando US$ 11 mil (cerca de R$ 59,5 mil)."
Morte e diplomacia



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