ONG e empresários se mobilizam para enviar medicamentos à Venezuela
Ler matéria →
André Fleury Moraes
Tulio Kruse
São Paulo
O relatório final do inquérito que apura a participação do vereador Senival Moura (PT) num suposto esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) diz que o parlamentar foi responsável por abrir as portas da empresa de ônibus Transunião para a facção criminosa.
Segundo a Polícia Civil, foi o petista quem "instrumentalizou a Transunião para a operacionalização de um sistema financeiro clandestino", voltado ao suporte econômico de indivíduos ligados ao PCC.
Leia no AINotícia: Lula e Zelensky se reúnem na França em meio a divergências sobre guerra na
Ele foi preso nesta quinta-feira (25) em operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil.
A defesa de Senival declarou ter recebido "com profunda indignação" a notícia da prisão do parlamentar e disse que a medida causa "enorme surpresa" porque "foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos".
Na nota, assinada pelo advogado Márcio Sayeg, a defesa diz também que o vereador "reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte". Leia também: ONG e empresários se mobilizam para enviar medicamentos à Venezuela
"Desde o primeiro momento, sua defesa técnica está adotando todas as providências jurídicas cabíveis para ter acesso integral aos autos, compreender os fundamentos da decisão e apresentar os esclarecimentos necessários, exercendo plenamente o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa", afirma o texto.
Segundo a defesa, "Senival sempre pautou sua trajetória pública pelo compromisso com a população, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas" e justamente por isso, afirma a nota, recebe a investigação com serenidade, certo de que a verdade prevalecerá.
Senival, de acordo com as investigações, era uma espécie de "instância superior" dentro da empresa ainda que não ocupasse nenhum cargo formal. Na maioria das circunstâncias, diz a Polícia Civil, a palavra final sobre a decisão a ser tomada era dele.
Um relatório do Coaf constatou que o vereador movimentou R$ 2,4 milhões sem origem identificada, situação que, segundo a polícia, "não pode ser compreendida como mera inconsistência pontual ou evento financeiro de reduzida relevância", e viu também incompatibilidades no patrimônio do petista.
Investigadores descobriram que o parlamentar mantinha imóveis avaliados em mais de R$ 1,8 milhão e uma propriedade rural de alto padrão em Extrema (MG). Os bens são incompatíveis com seus rendimentos como servidor público e titular de mandato. O salário do vereador em São Paulo é de R$ 26 mil. Mais de politica
Além de Senival, foram presos Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, que seria um diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador. Os dois são réus acusados do assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020
A reportagem busca a defesa dos presos e a da própria Transunião, que não atendeu aos telefonemas feitos pela reportagem.
O advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse à Folha que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele. Ainda nesta quinta (25) ele pediu a revogação da prisão temporária porque seu cliente, afirmou, "sempre colaborou". Leia também: Haddad cita caso 'Dark Horse' e diz que prisão de vereador do PT não é questão
A investigação que deu origem à operação Última Parada começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.
Segundo o Ministério Público, foram coletadas provas sobre o uso da empresa, que teria obtido em 2025 R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano para a prática de lavagem de capitais.
A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões de contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia. Também foram bloqueados 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O Poder Judiciário também determinou o afastamento dos diretores da Transunião e a comunicação à Prefeitura de São Paulo para adoção de providências administrativas, regulatórias e contratuais, incluindo intervenção administrativa. O objetivo é garantir o atendimento aos usuários do transporte coletivo.
Segundo as investigações, há um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa de transporte, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC.
Tópicos relacionados
- crime organizado
- ministério público
- pcc
- polícia civil
- PT
- violência
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Haddad cita caso 'Dark Horse' e diz que prisão de vereador do PT não é questãoPolitica · 8h atrás
- ONG e empresários se mobilizam para enviar medicamentos à VenezuelaPolitica · 4h atrás
- Campanha de Flávio Bolsonaro aposta em vice mulher para tentar conter efeitoPolitica · 4h atrás
- Governador interino de Roraima demite comissionados três dias após perderPolitica · 12h atrás

