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Por que 'sobrevivência milagrosa' de guia no Everest levanta questões

Crédito, Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC) Legenda da foto, A notícia de que Hillary Dawa Sherpa (à esquerda) sobreviveu após passar seis dias desaparecido

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Um homem com um casaco de escalada azul bebendo uma sopa em uma tigela, sendo ajudado por um homem com um casaco preto

Crédito, Sagarmatha Pollution Control Committee (SPCC)

Legenda da foto, A notícia de que Hillary Dawa Sherpa (à esquerda) sobreviveu após passar seis dias desaparecido no Everest ganhou manchetes internacionais e repercutiu entre montanhistas
Article Information
    • Author, Kelly Ng
      e
    • Author, Kamal Pariyar
    • Role, BBC Nepal
    • Reporting from, Kathmandu
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Uma equipe de limpeza percorria as perigosas encostas superiores do Monte Everest no início de junho, recolhendo lixo após uma intensa temporada de escaladas, quando avistou um homem vestindo um macacão azul brilhante "deslizando lentamente" aos pés da Cascata de Gelo do Khumbu, considerada uma das áreas mais perigosas da montanha mais alta do mundo.

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Era Hillary Dawa Sherpa, um guia de montanha de 57 anos que havia se separado dos viajantes de seu grupo durante a descida seis dias antes. Quando reapareceu, ele já tinha sido dado como morto e sua família já havia iniciado os rituais funerários. Seria mais uma vida perdida nas encostas traiçoeiras do Everest.

Apesar das queimaduras causadas pelo frio extremo e do estado de exaustão, Dawa Sherpa ainda conseguia se sentar e conversar com as pessoas que o encontraram, antes de ser levado de helicóptero para um hospital em Katmandu, capital do Nepal.

A notícia de sua sobrevivência surpreendente ganhou manchetes internacionais e causou grande repercussão entre a comunidade de montanhistas. Leia também: Nas vésperas do G7, Trump ameaça impor tarifa de 100% sobre vinhos franceses

Mas o caso também levanta questões preocupantes sobre a crescente indústria do turismo de alta altitude e chama atenção para os riscos fatais enfrentados pelos Sherpas, grupo étnico do Nepal tradicionalmente associado às expedições no Everest.

A empresa Himalayan Traverse Adventure (HTA), para a qual Dawa Sherpa trabalhava, afirma que todos os procedimentos adotados durante o incidente seguiram os protocolos adequados e que as condições climáticas desfavoráveis dificultaram as operações de resgate.

Se Dawa Sherpa havia sido contratado como cozinheiro de acampamento, por que, então, ele estava guiando clientes até o topo da montanha de 8.849 metros? E por que as buscas só começaram três dias depois de seu desaparecimento? E elas teriam começado antes se ele fosse um cliente, e não um guia?

A família de Dawa Sherpa apresentou uma queixa à polícia acusando a HTA de negligência, e o Departamento de Turismo do Nepal investiga o caso.

Desastre a 7.500 metros

A HTA inicialmente havia contratado Dawa Sherpa como cozinheiro para trabalhar no Acampamento 2, a mais 6.000 metros de altitude. Mas, segundo a empresa, ele acabou sendo designado como substituto de um guia que "adoeceu no acampamento-base".

Dawa Sherpa aceitou a mudança improvisada de função porque "queria ganhar um dinheiro extra", disse à BBC Angfurba Sherpa, gerente da HTA. Leia também: 'Lágrimas de sangue', protestos e eliminação para os EUA: como foi a última

Foi assim que Dawa Sherpa acabou acompanhando dois clientes, o alpinista britânico Chris Thrall e o alpinista polonês Mariusz Chmielewski, na expedição ao topo do Monte Everest que quase terminou em tragédia. Também estava com eles outro guia, Pasang Kaji Sherpa.

Na rota sul do Everest, há quatro acampamentos acima do acampamento-base principal, normalmente usados pelos alpinistas como pontos de descanso e aclimatação. O Acampamento 4, situado a 7.920 m de altitude, é o mais alto.

O grupo começou a descida a partir do Acampamento 4 em 29/5, com Pasang Kaji Sherpa e Chmielewski seguindo à frente, porque Chmielewski estava ficando sem oxigênio.

Thrall, que vinha atrás com Dawa Sherpa, disse que o guia (Dawa Sherpa) parou para se sentar sobre a mochila logo acima do Acampamento 3, a cerca de 7.500 metros, "como já havia feito centenas de vezes antes para descansar por alguns minutos".

Hillary Dawa Sherpa deitado em uma cama de hospital
Legenda da foto, Dawa Sherpa ainda recebe tratamento em um hospital em Katmandu, capital do Nepal

O ex-soldado britânico descreveu o dilema que enfrentou sobre voltar para buscar Dawa Sherpa ou alcançar o restante do grupo: "Eu deveria voltar pelo Sherpa, que provavelmente chegaria logo e ficaria bem, como já havia acontecido centenas de vezes antes, ou ajudar meu colega de escalada, que estava sem oxigênio, com congelamento nos dedos e, obviamente, sempre perto de uma hipotermia lá em cima?"

Mapa do Monte Everest mostra onde o guia de montanha nepalês Dawa Sherpa foi visto pela última vez, entre os Acampamentos 3 e 4, e onde foi encontrado, na Cascata de Gelo do Khumbu, a caminho do acampamento-base
Integrantes de uma equipe de expedição caminham com dificuldade pela neve entre o Acampamento 1 e o Acampamento 2 durante uma subida de aclimatação. Ao fundo, há dezenas de barracas montadas

'Não achei que fosse sobreviver'

Hillary Dawa Sherpa é levado de maca para um helicóptero
Legenda da foto, A sobrevivência de Hillary Dawa Sherpa, que passou seis dias sozinho em altitudes tão elevadas, surpreendeu a todos

O cozinheiro que acompanhou clientes na subida do Everest

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