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Por que Santana tem tantos mineiros? Entenda a relação histórica do bairro de

Historiadora explica que a ligação com Minas Gerais começou com tropeiros, se fortaleceu com a economia e segue até hoje com tradição e redes familiares

Por que Santana tem tantos mineiros? Entenda a relação histórica do bairro de São José dos Campos com MG

Historiadora explica que a ligação com Minas Gerais começou com tropeiros, se fortaleceu com a economia e segue até hoje com tradição e redes familiares.


Santana - São José dos Campos — Foto: Google Maps: 2024 - Divulgação/Prefeitura de São José dos Campos

A tradicional Festa do Mineiro, realizada neste fim de semana em São José dos Campos, marca também o Dia do Migrante Mineiro, celebrado em 11 de abril. A data destaca a forte presença da cultura de Minas Gerais no município, especialmente no bairro Santana, na Zona Norte, onde essa ligação tem origem em um processo histórico iniciado há mais de 200 anos.

Apesar de histórica, a presença mineira na cidade segue atual. Dados do Censo 2022 mostram que, nos últimos cinco anos, moradores de Minas Gerais continuam sendo o grupo que mais migra para São José dos Campos, reforçando uma tendência que atravessa gerações.

Ouvida pelo g1, a historiadora Nara Martins explica que a relação teve início entre os séculos 18 e 19 e se consolidou com mudanças econômicas e sociais. Leia também: Piloto de 72 anos é resgatado após avião colidir com urubu no PA

O Vale do Paraíba fazia parte da rota de tropeiros durante o ciclo do ouro em Minas Gerais, que teve auge no século 18. Em São José dos Campos, Santana se destacava como ponto de parada por reunir características estratégicas, como áreas abertas e acesso ao Rio Paraíba, segundo a historiadora.

Ao longo dos anos, as condições geográficas favoráveis levaram à formação de um dos primeiros núcleos produtivos da cidade.

"Como esses tropeiros, vindo em sua maioria de Minas Gerais, paravam ali, acabaram surgindo postos de comércio. Então, algumas pessoas se fixaram. Muitos tropeiros mesmo resolveram ficar ali mesmo e se beneficiar desse comércio. E essa região foi se desenvolvendo como um posto de comércio já consolidado", explicou Nara.
Veja os vídeos que estão em alta no g1

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De acordo com a historiadora, mesmo com a mudança do ciclo econômico do ouro para o café no século 19, período em que o município não teve grande relevância, Santana continuou atraindo migrantes por oferecer terras mais acessíveis e proximidade com regiões economicamente ativas. Mais de noticia

Essa relação se fortaleceu ainda mais com a industrialização. Segundo Nara, a consolidação de Santana como núcleo empresarial da cidade contribuiu para fortalecer o sentimento de identidade entre os moradores, que se manteve mesmo após a mudança da faixa industrial para outros locais. Leia também: Vereador é alvo de operação

"Santana, então, se fixa na ideia da tradição (...) E é por isso que eles valorizam tanto essa questão da identidade mineira. E como essas famílias já têm essa tradição de que 'meus antepassados vieram', eu acredito que as famílias novas já têm esse referencial", comentou a historiadora.

Bairro de Santana – Década de 1910. — Foto: Divulgação/Prefeitura de São José dos Campos

Moradora do bairro Santana e aposentada, Bélgica Barbosa relata que veio de Minas Gerais para o município em busca de emprego para o marido em 1966. Após 60 anos na cidade, ela afirma que não sente saudades da terra natal.

"Eu amo São José dos Campos, é a minha terra. Já faz 60 anos que estou aqui (...) Eu adoro Santana", contou Bélgica.

Apesar de não acompanhar a chegada de novos moradores devido ao crescimento da cidade, Bélgica afirma que os vizinhos e a população do bairro ainda são, em grande parte, mineiros.

Mesmo depois de mais de dois séculos, os mineiros continuam sendo os que mais migram para São José, segundo o último censo do IBGE em 2022. Para Nara, este fator se dá por conta do tradicionalismo e da preservação das raízes.

"Eles se identificam muito com esse tradicionalismo, essas práticas que a gente associa à cultura mineira, cultura caipira. Acabou tendo uma miscigenação, uma união com a cultura caipira do Vale do Paraíba. E criou essa amálgama que a gente tem lá na região", explicou a historiadora.

Bélgica Barbosa de Brito - moradora do bairro de Santana — Foto: Bélgica Barbosa

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