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A queda dos homicídios registrada nos últimos anos não foi suficiente para reduzir a sensação de insegurança da população brasileira. Na avaliação de especialistas ouvidas pelo Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, a percepção do eleitor é muito mais influenciada por crimes do cotidiano, como roubos e furtos de celulares, do que pelos indicadores oficiais de violência.
Segundo Carolina Grillo, pesquisadora do GENI-UFF, a percepção da população nem sempre acompanha a evolução das estatísticas criminais.
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“Existe sim sempre uma diferença muito significativa entre a violência e a percepção da violência. Normalmente, utiliza-se a taxa de homicídios como principal indicador, e o Brasil vem de uma queda consistente desde 2017. Hoje o país está menos violento do que estava naquele período. No entanto, a percepção da população é de que a violência está aumentando”, afirmou.
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Para ela, um dos fatores que explica esse descompasso é justamente o crescimento dos roubos, especialmente de celulares. Leia também: Economia: Ações, Imóveis e Cenários Globais em Destaque
“Os roubos afetam muito mais a percepção da população sobre segurança pública. Hoje as pessoas carregam objetos muito pequenos, mas de altíssimo valor agregado, que concentram praticamente toda a sua vida. O prejuízo causado por um roubo de celular é enorme e isso impacta diretamente a sensação de insegurança”, disse.
Além disso, Grillo observa que a expansão territorial das facções criminosas e das milícias também alimenta esse sentimento, ainda que isso nem sempre resulte em aumento dos homicídios.
“Quando uma facção consegue se tornar hegemônica, como é o caso do PCC em São Paulo, a tendência é a taxa de homicídios cair, porque diminuem as disputas entre quadrilhas. Mas isso não significa necessariamente que a população esteja mais segura.”
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O eleitor vota pelo medo
Para Bianca Lima, analista de política da XP, campanhas eleitorais compreendem essa diferença e estruturam suas estratégias muito mais a partir da sensação cotidiana do eleitor do que dos números oficiais. Mais de economia
Questionada sobre o que pesa mais na decisão do voto, ela foi direta.
“Sem dúvida alguma, o eleitor vota pelo medo que ele sente. Essas decisões têm uma porção muito grande de emoção, de empatia e da experiência do dia a dia. Elas são impactadas por aquilo que a pessoa vive na rotina, muito mais do que pelas estatísticas oficiais”, afirmou.
“É um slogan que tenta conversar com essa sensação da população de temor de sair na rua olhando o celular ou de ser assaltada. As campanhas estão atentas a isso e procuram estabelecer esse diálogo com o eleitor.” Leia também: Economia: Panorama de Mercado e Notícias Corporativas da Semana
Segurança entrou de vez na campanha
Na avaliação da analista, a segurança pública deixou de ser apenas um tema ligado aos governos estaduais e passou a ocupar um espaço central na disputa presidencial.
Ela cita fatores como o avanço do crime organizado, a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e o aumento da preocupação da população com a violência cotidiana.
Ao mesmo tempo, o governo Lula também passou a tentar responder a essa demanda, lançando medidas voltadas ao combate financeiro das facções e criando iniciativas para reduzir o mercado de celulares roubados.
Para Carolina Grillo, porém, a percepção da violência continuará sendo moldada muito mais pela experiência cotidiana das pessoas do que pelos indicadores oficiais.
“Hoje tudo é filmado. Existem câmeras por toda parte, celulares registrando crimes e uma cobertura muito intensa da imprensa. Muitas dessas situações sempre aconteceram, mas agora elas são vistas. Isso também ajuda a aumentar a percepção de insegurança da população.”
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