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Por que pesquisas eleitorais 'erram'?

Crédito, Getty Images Article Information Author, Camilla Veras Mota Role, Da BBC News Brasil em São Paulo Published Há 1 hora Tempo de leitura: 13 min Em meados de

Por que pesquisas eleitorais 'erram'?
Um homem está em pé ao lado de uma barraca de rua que vende toalhas dos candidatos à presidência Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em 23 de setembro de 2022, em São Paulo, Brasil. A barraca exibe uma placa com o número de toalhas de cada candidato vendidas até o momento.

Crédito, Getty Images

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    • Author, Camilla Veras Mota
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 13 min

Em meados de agosto de 2022, logo após o início oficial da campanha eleitoral presidencial, as pesquisas de intenção de voto mostravam o então presidente Jair Bolsonaro (PL) significativamente atrás do rival Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

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Nas urnas, pouco mais de dois meses depois, Lula recebeu 49% dos votos totais e o então presidente, 47%. Quando excluídos os brancos e nulos, considerando apenas os votos válidos, a diferença foi ainda mais apertada: 50,9% para o petista e 49,1% para Bolsonaro.

A 'foto' do momento e o 'filme' da eleição

"Essa é uma questão interessante, porque eu acho que existe meio que uma desconexão entre aquilo que as pessoas esperam que as pesquisas respondam e o que elas realmente respondem", pondera o estatístico Raphael Nishimura.

As pesquisas não têm o objetivo de prever resultados, ele diz. Buscam capturar o que o eleitor está pensando no instante em que ele é entrevistado. Sob essa lógica, quando bem elaboradas, nem erram, nem acertam. Leia também: A 'marinha mosquito' do Irã: como 'enxame' de pequenas embarcações desafia os

"Tudo meio que recai naquele jargão que muitas pessoas usam, de que pesquisa é um retrato do momento", diz Nishimura, que é diretor de amostragem do Survey Research Center, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

"Se você levar ao pé da letra, o que isso quer dizer é que a pesquisa não tem como papel ser um prognóstico do que vai acontecer na urna."

E isso, de certa forma, se reflete durante a campanha na evolução das pesquisas bem feitas. Mais de mundo

Depois da primeira rodada de votação, em 2 de outubro, quando foi dada a largada do segundo turno, Bolsonaro passou a crescer nas intenções de voto, enquanto Lula começou a cair.

Na última pesquisa do instituto, na véspera da segunda votação, Lula tinha 49% das intenções, levando-se em consideração os votos totais, e o então presidente tinha 45%.

No caso de Lula, o resultado das urnas foi exatamente esse. No de Bolsonaro, que obteve 47% dos votos totais, estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Leia também: Por que a Torre de Pisa — e outras construções pelo mundo — inclinam mas não

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Cada uma das pesquisas é um retrato do momento e, juntas, essas fotografias se conectam em um "filme" que conta a história da eleição, ilustra a diretora do Datafolha, Luciana Chong.

"As pesquisas que a gente está fazendo agora [para a eleição de 2026] são um retrato desse momento: as pessoas ainda não estão totalmente informadas sobre as eleições, não sabem exatamente quem serão os candidatos. Então, a pesquisa mede isso agora", ela ressalta.

Chong explica que cada vez mais pessoas têm deixado para definir o voto muito perto do dia da eleição. O Datafolha pergunta aos indecisos quando pretendem se decidir — uma questão bastante discutida em 2022.

"Tem uma parcela importante de pessoas que deixou para o sábado à noite, depois da divulgação do resultado da pesquisa", diz ela, referindo-se à última eleição presidencial.

Ilustração com várias mãos erguidas tocando uma urna com a bandeira do Brasil e um voto marcado entrando nela.
Legenda da foto, Primeiro turno das eleições de 2026 acontece em 4 de outubro

Como as pesquisas eleitorais são feitas

As limitações das pesquisas eleitorais

Cartão apresentado pelos entrevistadores do Instituto Datafolha aos entrevistados traz um círculo dividido em fatias e, em cada fatia, o nome de um candidato. São eles: Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT), Augusto Cury (Avante), Samara Martins (UP), Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Renan Santos (Missão), Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO), Aldo Rebelo (Democracia Cristã)
Legenda da foto, Cartão apresentado pelos entrevistadores do Instituto Datafolha no mais recente questionário para a pesquisa de intenção de voto para presidente de 2026

'Abrindo o capô' das pesquisas

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Close em urna eletrônica. Na frente dela aparece também uma mão apertando o botão de "confirma".
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