
Crédito, Getty Images
- Author, Camilla Veras Mota
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 13 min
Em meados de agosto de 2022, logo após o início oficial da campanha eleitoral presidencial, as pesquisas de intenção de voto mostravam o então presidente Jair Bolsonaro (PL) significativamente atrás do rival Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.
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Nas urnas, pouco mais de dois meses depois, Lula recebeu 49% dos votos totais e o então presidente, 47%. Quando excluídos os brancos e nulos, considerando apenas os votos válidos, a diferença foi ainda mais apertada: 50,9% para o petista e 49,1% para Bolsonaro.
A 'foto' do momento e o 'filme' da eleição
"Essa é uma questão interessante, porque eu acho que existe meio que uma desconexão entre aquilo que as pessoas esperam que as pesquisas respondam e o que elas realmente respondem", pondera o estatístico Raphael Nishimura.
As pesquisas não têm o objetivo de prever resultados, ele diz. Buscam capturar o que o eleitor está pensando no instante em que ele é entrevistado. Sob essa lógica, quando bem elaboradas, nem erram, nem acertam. Leia também: A pílula diária que pode ajudar a manter peso após parar o uso de canetas
"Tudo meio que recai naquele jargão que muitas pessoas usam, de que pesquisa é um retrato do momento", diz Nishimura, que é diretor de amostragem do Survey Research Center, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
"Se você levar ao pé da letra, o que isso quer dizer é que a pesquisa não tem como papel ser um prognóstico do que vai acontecer na urna."
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
E isso, de certa forma, se reflete durante a campanha na evolução das pesquisas bem feitas. Mais de mundo
Depois da primeira rodada de votação, em 2 de outubro, quando foi dada a largada do segundo turno, Bolsonaro passou a crescer nas intenções de voto, enquanto Lula começou a cair.
Na última pesquisa do instituto, na véspera da segunda votação, Lula tinha 49% das intenções, levando-se em consideração os votos totais, e o então presidente tinha 45%.
No caso de Lula, o resultado das urnas foi exatamente esse. No de Bolsonaro, que obteve 47% dos votos totais, estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Leia também: Ele matou seu pai abusivo e foi preso por 12 anos — mas a família defende sua
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Fim do content
Cada uma das pesquisas é um retrato do momento e, juntas, essas fotografias se conectam em um "filme" que conta a história da eleição, ilustra a diretora do Datafolha, Luciana Chong.
"As pesquisas que a gente está fazendo agora [para a eleição de 2026] são um retrato desse momento: as pessoas ainda não estão totalmente informadas sobre as eleições, não sabem exatamente quem serão os candidatos. Então, a pesquisa mede isso agora", ela ressalta.
Chong explica que cada vez mais pessoas têm deixado para definir o voto muito perto do dia da eleição. O Datafolha pergunta aos indecisos quando pretendem se decidir — uma questão bastante discutida em 2022.
"Tem uma parcela importante de pessoas que deixou para o sábado à noite, depois da divulgação do resultado da pesquisa", diz ela, referindo-se à última eleição presidencial.

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