
Crédito, Divulgação
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 12 minutos
- Tempo de leitura: 12 min
Padre José Fernandes de Oliveira, assim, com nome de registro, completo e dois sobrenomes, não parece alguém especialmente famoso. Mas Padre Zezinho, como ficou conhecido esse sacerdote brasileiro autor de mais de 1,8 mil músicas, é um ícone do catolicismo brasileiro.
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Ele é o compositor de canções profundas e extremamente conhecidas, algumas das quais transcenderam o ambiente das igrejas e acabaram se transformando em sucessos populares — desses que tocam em rádios e, por vezes, ganham regravações de artistas não religiosos.
Prestes a completar 85 anos de vida, em 8 de junho, e no ano em que comemora 60 anos de sacerdócio, Padre Zezinho ganha sua primeira biografia autorizada, o livro Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho, escrito pela jornalista Gabi Bonvechio, que trabalha como assessora dele desde 2019. E diz que está pronto para as celebrações.
"Eu estou deixando que façam tudo. Não estou falando mais nada. Se querem, que marquem e eu vou", diz ele, em entrevista à BBC News Brasil, concedida por videochamada de um espaço no convento do Sagrado Coração de Jesus, conhecido como Conventinho, em Taubaté, onde ele mora com outros religiosos. Leia também: Trump e Netanyahu: Tensão meio a negociações
Em 2012, ele sofreu um acidente vascular cerebral e ficou sete meses sem conseguir falar. "Deus me trouxe de volta", diz. No ano seguinte, foi diagnosticado com câncer de próstata — segue em tratamento, com a doença sob controle.

Crédito, Giovanna Monteiro
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Se a saúde e a idade já não o permitem uma intensa atividade em shows e missas, Padre Zezinho segue expondo suas opiniões — ou "catequizando", como ele prefere — nas redes sociais. Mais de mundo
Sua página oficial no Facebook tem mais de 1 milhão de seguidores, e, ali, o religioso e sua equipe postam quase diariamente. Além de frases para reflexão, o padre promove suas ideias cristãs com artigos. Muitas vezes, no mundo polarizado atual, polêmicas surgem.
O caso mais recente ocorreu em maio. Foi precipitado por um texto que nem é de autoria do religioso, um artigo do filósofo e sociólogo Romero Venâncio, professor na Universidade Federal de Sergipe, que Zezinho republicou em sua página.
O acadêmico expunha sua preocupação acerca do que classificou como "escalada delirante de extremistas católicos nas redes digitais", situando estes entre os "tradicionalistas" e como membros da "direita católica". Leia também: Câmara dos EUA aprova resolução que limita poderes de Trump: os avanços na
O resultado foi tenso. Até vídeos fakes associando o padre ao comunismo viralizaram, entre ataques e calúnias.
Padre Zezinho lidou com o episódio com a experiência de quem mantém a coerência mesmo levando pedradas há seis décadas. "Todos os dias eu sou agredido. Mas essa gente é 2% [dos católicos]. Os outros 98% querem catequese, querem atualização. A maioria quer o Vaticano 2º, a maioria quer as encíclicas sociais."
Ele se refere ao Concílio Vaticano 2º, ocorrido entre 1962 e 1965 — daqueles debates realizados pela cúpula do catolicismo saiu a modernização da Igreja. As missas deixaram de ser em latim, e os padres e bispos ressaltaram o compromisso de atuar junto aos pobres, de trabalhar pelo social.
Já as "encíclicas sociais" mencionadas por Zezinho são o conjunto de cartas papais inaugurado pelo papa Leão 13 (1810-1903) com a Rerum Novarum, há 135 anos — e cujo mais recente exemplo saiu há poucos dias, a Magnifica Humanitas, de Leão 14. São documentos em que o pontífice expressa preocupações sociais e, por isso, acabaram sendo chamados de doutrina social da Igreja.
"Falam até que eu sou um câncer para a Igreja. Não desejo o câncer para ninguém, até porque tenho um em tratamento. Nunca vou chamar alguém de câncer. Vou discordar de muitos, mas vou continuar sendo amigo e buscando diálogo."
Ordenado nos EUA

Música
Diversas místicas, uma Igreja
Contestando os contestadores

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