O fenômeno Vozinha, o herói de Cabo Verde na Copa do Mundo que, aos 40 anos
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Crédito, Getty Images
- Author, David Robson
- Role, BBC Future
- Published Há 4 horas
- Tempo de leitura: 8 min
Você poderia descrever a disfunção erétil como uma epidemia silenciosa. Segundo diversas pesquisas, ela afeta mais da metade dos homens com mais de 40 anos. Ainda assim, poucos estão dispostos a falar sobre o assunto com as pessoas que amam.
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Quando o assunto surge em uma conversa, muitas vezes ele é tratado como motivo de piada, e não como um sinal precoce de problemas de saúde. No entanto, um número crescente de estudos sugere que o pênis pode funcionar como um indicador da saúde geral do homem. A disfunção erétil, em particular, pode ser um dos primeiros sinais de doenças graves, como diabetes, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e demência.
Segundo o sexólogo Emmanuele Jannini, da Universidade de Roma Tor Vergata (Itália), a disfunção erétil costuma ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem com a saúde. Jannini organizou recentemente um livro acadêmico que reúne as evidências científicas sobre o tema. Para ele, uma investigação mais cuidadosa da disfunção erétil poderia ajudar médicos a identificar problemas graves de saúde antes que eles agravem.
Mas a relutância de muitos homens em falar sobre a própria saúde sexual faz com que essas oportunidades de diagnóstico precoce sejam perdidas. Leia também: O país europeu que nunca teve exército e agora tem que reavaliar sua defesa
Problemas de circulação
Assim como acontece com muitas condições médicas, a prevalência exata da disfunção erétil depende da forma como ela é definida e medida. Por isso, os estudos apresentam estimativas bastante diferentes: a prevalência global entre homens adultos varia de 3% a 76,5%.
Uma das maiores e mais detalhadas pesquisas sobre o tema avaliou cerca de 1.200 homens por meio de questionários extensos. O estudo constatou que 39% dos homens de 40 anos apresentavam regularmente algum grau de impotência sexual. Aos 70 anos, essa proporção chegava a 67%.
Em muitos aspectos, a disfunção erétil é um problema de circulação sanguínea.
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O pênis é formado por duas estruturas esponjosas chamadas corpos cavernosos, que normalmente permanecem flácidas. Durante a excitação sexual, o cérebro envia sinais que aumentam o fluxo de sangue para essa região. À medida que os corpos cavernosos se enchem, eles comprimem as veias responsáveis por drenar o sangue, fazendo com que ele permaneça no órgão e produza a ereção.
Como um balão ao ser enchido, o pênis aumenta de volume e fica rígido. Qualquer fator que reduza o fluxo de sangue para o órgão pode dificultar a obtenção ou a manutenção da ereção.
Muitas vezes, o problema tem origem psicológica. A resposta ao estresse, que envolve hormônios como adrenalina e cortisol, pode provocar a contração dos vasos sanguíneos, impedindo que os corpos cavernosos endureçam. Níveis elevados de estresse também podem interferir na produção de testosterona, reduzindo a libido e a excitação sexual. (É importante ressaltar que pessoas com condições hormonais, como o hipogonadismo, também produzem menos testosterona, o que pode contribuir para o problema.) Leia também: Por que cada vez mais mulheres chinesas preferem usar roupas masculinas?
Além disso, o estresse costuma vir acompanhado de distração mental, o que pode dificultar a concentração durante a atividade sexual.
Do ponto de vista evolutivo, isso provavelmente teve uma função: se o estresse interrompe a excitação sexual, o organismo preserva energia para lidar com situações de perigo. "Se o ambiente oferece riscos, é importante não se reproduzir", explica Jannini.
Mas no mundo moderno há muitas fontes de estresse que não representam ameaça à sobrevivência. Como consequência, esse mecanismo de proteção pode ser acionado com mais frequência do que o necessário.
Problemas cardíacos e cerebrais
Em muitos casos, a disfunção erétil também pode refletir problemas de saúde mais amplos. Uma das causas é a aterosclerose, condição em que os vasos sanguíneos endurecem e se estreitam, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Como as artérias do pênis estão entre as menores do corpo, elas costumam ser as primeiras a apresentar problemas. Por isso, a disfunção erétil pode servir como um sinal precoce de doenças cardíacas.
Uma análise recente de dados de 154.794 pessoas constatou que homens com disfunção erétil tinham 59% mais probabilidade de desenvolver doença arterial coronariana e 34% mais risco de sofrer um AVC.

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