← Mundo
Mundo

Por que o nome de uma síndrome que afeta mais de 170 milhões de mulheres

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Foram as pacientes que impulsionaram a mudança, para que o nome refletisse a sua realidade

Por que o nome de uma síndrome que afeta mais de 170 milhões de mulheres no
Desenho de duas mulheres de mãos dadas e de costas para a câmera.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Foram as pacientes que impulsionaram a mudança, para que o nome refletisse a sua realidade.
Article Information
    • Author, Dalia Ventura
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 7 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

"Sinto que poderia ter feito muito mais na vida se não estivesse constantemente exausta, porque isso drena minha energia de uma forma ou de outra. basicamente, influencia a maioria das minhas decisões." Foi o que Chelle Robotham, de 30 anos, da Flórida, disse ao programa What in the World da BBC.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

"Honestamente, isso me deixa infeliz", acrescentou, falando sobre sua experiência vivendo com a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Para Jenef Ngombo, a síndrome afetou principalmente sua autoestima.

"Minha maior dificuldade, porém, sempre foi com o meu peso. Agora que estou pensando mais no futuro, também estou preocupada com como a SOP pode afetar minha fertilidade e minhas chances de ter filhos." Leia também: O filme de 1975 que o famoso diretor Wim Wenders tirou de cartaz por ter

Exaustão, crescimento excessivo de pelos, obesidade, dificuldade para engravidar ou infertilidade. em apenas dois depoimentos, você já tem uma ideia da diversidade de sintomas e do profundo impacto que eles causam no dia a dia.

Pule content e continue lendo
  • Cistos: o que são e quando representam perigo29 junho 2022
  • O desafio de tratar a endometriose, condição dolorosa que não tem cura18 maio 2024
  • 'Meu cisto de ovário era maior do que um bebê'24 fevereiro 2023

Fim do content

E esses são apenas alguns dos possíveis sintomas de uma síndrome que também aumenta o risco de desenvolver outros problemas de saúde, como diabetes tipo 2, hipertensão e câncer de endométrio.

A Organização Mundial da Saúde estima que ela afeta cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva— aproximadamente 170 milhões de pessoas no mundo todo— e que até 70% dos casos não são diagnosticados.

Em outras palavras, embora uma em cada dez mulheres conviva com SOP, sete em cada dez das afetadas não sabem que a têm. Mais de mundo

Para aquelas que sabem, muitas vezes foi preciso tempo, esforço e, frequentemente, muito dinheiro para descobrir a síndrome, e o mesmo acontece com o tratamento.

Os motivos pelos quais essa realidade persiste são inúmeros, mas uma conquista que levou 14 anos para ser alcançada foi obtida recentemente, e seus defensores esperam que ela ajude a mudar esse cenário. A síndrome dos ovários policísticos, um nome que durante décadas gerou confusão e sofrimento desnecessários, agora é conhecida como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).

Mas o que há nesse nome que inspira tanta esperança? Leia também: O primeiro passo para controlar seu tempo de tela (e se manter no controle)

A resposta é tão multifacetada quanto a própria síndrome.

'É triste, mas é assim'

Esta é, na verdade, a terceira vez que a síndrome muda de nome.

Ela foi descrita pela primeira vez em 1935 pelos ginecologistas Irving Stein e Michael Leventhal, que estudavam mulheres que não menstruavam e observaram uma aparência particular em seus ovários.

Originalmente, a condição era chamada de síndrome de Stein-Leventhal.

Aquarela de uma mulher anônima, sentada no chão, com muitas cores fortes pintadas em aquarela expressando choque.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Aqueles que possuem essa condição sofrem com uma carga multissistêmica

'Ah, ela só está reclamando demais!'

Dra Lozano, uma jovem sorridente, de cabelos e olhos castanhos, vestida com camiseta branca e blazer xadrez preto e cinza. Ao fundo você pode ver uma planta.
Legenda da foto, Susana Lozano dedicou anos ao estudo da síndrome e à tentativa de melhorar a situação daqueles que convivem com ela
Helena Teede, uma mulher loira vestida com uma blusa branca e um casaco vermelho, com um estetoscópio pendurado no pescoço,  sentada em uma cadeira preta.
Legenda da foto, Helena Teede liderou a campanha para mudar o nome, que foi global e — como ela mesma disse — "sem precedentes. Ninguém jamais havia dedicado tanto esforço a uma mudança de nome."
  • "Maior conscientização pública, tanto entre a população em geral quanto entre os médicos, sobre a importância da doença e seu diagnóstico.
  • Maior conscientização entre os formuladores de políticas, para que criem políticas públicas que melhorem o diagnóstico e o tratamento.
  • Que haja um tratamento abrangente."
O filme de 1975 que o famoso diretor Wim Wenders tirou de cartaz por ter
Mundo

O filme de 1975 que o famoso diretor Wim Wenders tirou de cartaz por ter

Ler matéria →

Leia também