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Por que o acordo entre EUA e Irã é pesadelo político para o premiê de Israel

Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Trump acusou Netanyahu de não mostrar 'nenhum discernimento' ao ordenar um ataque a Beirute no fim de semana Article

Por que o acordo entre EUA e Irã é pesadelo político para o premiê de Israel
Donald Trump está atrás de Benjamin Netanyahu, que está olhando para baixo, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca em 2025.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Trump acusou Netanyahu de não mostrar 'nenhum discernimento' ao ordenar um ataque a Beirute no fim de semana
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    • Author, Lucy Williamson
    • Role, Da BBC News em Jerusalém
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã colocou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diante de um pesadelo político ao minar os pilares de sua carreira e deixá-lo preso a um novo dilema de segurança.

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Como alguém que se apresentava como muito influente em Washington, com acesso real a autoridades americanas, pôde ser tão amplamente marginalizado e ainda criticado publicamente por seu principal aliado, os EUA?

Como o homem que fez do enfrentamento ao Irã o eixo central da política de segurança de Israel poderá terminar a guerra com o regime iraniano em uma posição fortalecida?

E como sua antiga e desgastada imagem política como o garantidor da segurança de Israel poderá sobreviver à exigência de Washington e Teerã de que Israel cesse os ataques ao Hezbollah no Líbano, meses antes de uma eleição geral em Israel? Leia também: A brasileira que teme ser expulsa do Reino Unido após anos cuidando de idosos

As opções de Netanyahu agora não são boas. Elas foram resumidas pelo líder da oposição, Yair Lapid, na segunda-feira (15/06), como "ou um confronto direto e destrutivo com nosso maior aliado, ou uma rendição submissa dos interesses de Israel".

A avaliação, recheada de palavrões, do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Netanyahu não demonstrou discernimento ao ordenar um ataque a Beirute no domingo foi explorada por seus rivais políticos e comentaristas da imprensa, já de olho na eleição que deve ocorrer antes do fim de outubro.

Mas comentários de membros do próprio partido Likud de Netanyahu, e de ministros da direita radical em sua coalizão governista, também mostram a pressão que ele enfrenta dentro de seu próprio campo— especialmente em relação à exigência de Teerã de que o cessar-fogo cubra "operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano".

"O acordo de Trump não nos obriga [a cessar os ataques]", escreveu um dos expoentes da direita radical e ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, nas redes sociais na segunda-feira. "Não somos parceiros deste acordo que não garante a nossa segurança."

Itamar Ben-Gvir, cercado por policiais israelenses, acena para outros ativistas de extrema direita reunidos em frente ao Portão de Damasco, na murada Cidade Velha de Jerusalém, em maio de 2025.

Crédito, AFP via Getty Images Mais de mundo

Legenda da foto, Itamar Ben-Gvir disse que o acordo de Trump com o Irã não se aplica a Israel

"Israel continuará se defendendo", disse Ariel Kallner, parlamentar do Likud, embora não tenha esclarecido se isso significava que Israel continuaria seus ataques. Leia também: STF condena Eduardo Bolsonaro por articular ações do governo Trump

"Faremos o que for necessário. E esperamos que nossos aliados compreendam", afirmou. "Às vezes há discordâncias entre aliados, e os aliados também devem compreender seus parceiros quando estão em perigo."

"Ao permitir que o Irã decida o que vai acontecer no Líbano, os EUA estão dando ao Irã a possibilidade de continuar apoiando o Hezbollah e de garantir que o Hezbollah seja um ator político importante no cenário libanês."

"Israel não está satisfeito com isso— nem o setor de segurança, nem o político", afirmou.

Em meio a uma onda de críticas e à indignação em todo o espectro político, o primeiro-ministro de Israel reagiu com irritação, na noite de segunda-feira, às sugestões de jornalistas de que havia fracassado.

"Dediquei a maior parte da minha vida adulta a um objetivo— impedir que o Irã obtenha armas nucleares", disse durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém.

Palestinos carregam os corpos de Imad Salim, também conhecido como Abu Hassan, comandante sênior do braço armado do Hamas, e outros durante um cortejo fúnebre na Cidade de Gaza no mês passado. Homens de preto estão apontando para o céu enquanto alguns estão agitando bandeiras verdes.
Legenda da foto, O Hamas continua no controle de metade de Gaza
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