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Por que investidores estrangeiros avaliam que Brasil vive 'momento de ouro' na economia

Crédito, Getty Images Article Information Author, Julia Braun Role, Da BBC News Brasil em Londres 28 abril 2026, 13:31 -03 Atualizado Há 1 hora Tempo de leitura: 10 min

Por que investidores estrangeiros avaliam que Brasil vive 'momento de ouro' na economia
Bandeira brasileira e indicadores do mercado de ações: conceito de tendências econômicas brasileiras

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    • Author, Julia Braun
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • 28 abril 2026, 13:31 -03
    Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 10 min

O Brasil voltou aos radares dos investidores estrangeiros. É o que apontam instituições financeiras e analistas internacionais, diante da disparada nos preços do petróleo, alta dos juros e valorização do real.

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Um relatório do Bank of America (BofA), uma das principais instituições financeiras americanas, questiona se o país pode ser o "próximo ouro", em referência ao recente bom desempenho do ativo no mercado financeiro global.

Outra análise, do banco de investimentos Goldman Sachs, indica que o Brasil tem se destacado como um dos principais beneficiários da alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Ao elevar a projeção de crescimento da economia brasileira 1,6% para 1,9% em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também apontou o país como um dos que podem ser favorecidos no curto prazo pela crise, por ser exportador líquido de energia. Leia também: De 'Bessias' da Lava Jato a evangélico indicado ao STF: a trajetória de Jorge Messias

O bom momento do Brasil, aliás, chegou às reuniões de primavera organizadas pelo FMI em Washington D.C. em meados de abril, segundo interlocutores. O colóquio é um dos dois grandes encontros globais anuais da instituição e reúne ministros das finanças, presidentes de bancos centrais, gestores de fundos, executivos e outros participantes do setor financeiro global.

"O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente", disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista à BBC News Brasil.

"Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país]."

Como o Brasil se beneficia da guerra?

Há uma leitura comum de que o Brasil — e a América Latina como um todo — tem se beneficiado de um pano de fundo global positivo para os países emergentes.

À primeira vista, pode parecer contraditório que um conflito com efeitos negativos para a economia mundial favoreça, ainda que marginalmente, nações específicas. Mas há uma explicação clara: o papel desses países, incluindo o Brasil, como exportadores de commodities, especialmente energia. Mais de mundo

Com as interrupções na oferta de petróleo e as incertezas nesse mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra.

Energia mais cara também encarece transporte, produção industrial e alimentos — especialmente em países dependentes de importações. Por isso, economias importadoras de commodities tendem a ser as mais prejudicadas, enfrentando inflação mais alta, desvalorização cambial e perda de renda.

Para os exportadores de energia ou commodities, porém, o cenário pode ser outro. Leia também: Por que o Spotify não tem um botão para filtrar música feita por IA

No caso do Brasil, que é considerado pelo FMI um exportador líquido de energia — ou seja, vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra — preços internacionais altos significam ganhos maiores. Esse efeito melhora os chamados "termos de troca" (a relação entre preços de exportação e importação), e pode impulsionar o crescimento econômico.

Uma bomba de combustível em um posto de gasolina em São Paulo, Brasil, em 11 de abril de 2026.

Crédito, Saulo Dias/NurPhoto via Getty Images

Legenda da foto, Preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra

Por tudo isso, o FMI considerou em seu relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, que a guerra deve ter "um pequeno efeito líquido positivo" sobre o Brasil em 2026, elevando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual.

"É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante", afirmou a vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, em um pronunciamento à imprensa durante as reuniões nos EUA na semana passada.

Atraindo investimentos

Para instituições financeiras como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs, esse cenário também ajuda a consolidar o país como atrativo para investimentos estrangeiros.

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