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Por que existe o Dia Mundial do Mosquito — e o que isso tem a ver com o Nobel

Crédito, Getty Images Article Information Author, Edison Veiga Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil Published Há 53 minutos Tempo de leitura: 7 min Foi em

Por que existe o Dia Mundial do Mosquito — e o que isso tem a ver com o Nobel
Mosquito Anopheles, que transmite a malária

Crédito, Getty Images

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    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Published Há 53 minutos
  • Tempo de leitura: 7 min

Foi em estilo britânico. Em, a equipe do Ross Institute and Hospital for Tropical Diseases, em Londres, decidiu oferecer um chá em homenagem ao fundador da organização, o médico e cientista Ronald Ross (1857-1932).

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A data não foi aleatória. E, desde então, acabou sendo instituído o 20 de agosto como o Dia Mundial do Mosquito.

Segundo Ross, estava "nublado, cinzento e quente" em Secunderabad, cidade indiana onde ele estava trabalhando.

"Fui ao hospital às 7h, examinei meus pacientes e cuidei da correspondência oficial, mas fiquei muito irritado porque meus homens não haviam trazido mais larvas de mosquitos de asas manchadas, e ainda mais porque um dos meus três Anopheles restantes havia morrido durante a noite e inchado devido à decomposição", registrou ele. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump

"Após um café da manhã apressado no refeitório, voltei para dissecar o cadáver (mosquito 36), mas não encontrei nada de novo", pontuou. E então ele prossegue dizendo que decidiu examinar também um mosquito de outra espécie, Stegomyia e, em seguida, o comparou com outro Anopheles que decidira "sacrificar"— porque ambos haviam "se alimentado de Husein Khan".

Naquele dia, Ross não só confirmou uma suspeita que pairava— que a malária era transmitida por picada de inseto— como identificou o Anopheles como o vetor. O ciclo estava descoberto.

"O mérito de Ross foi a comprovação experimental do mosquito na transmissão da malária", sintetiza o historiador Gabriel Lopes, pesquisador e professor na Casa de Oswaldo Cruz, a unidade de memória, patrimônio cultural e divulgação científica da Fundação Oswaldo Cruz, e editor científico da revista História, Ciências, Saúde- Manguinhos, publicada pela mesma instituição.

"Ele mostrou que o mosquito era um elo no ciclo da doença e estabeleceu as bases científicas para as estratégias modernas de controle e combate da malária."

Descoberta, poema, Nobel

Foi uma mudança histórica de perspectiva.

"Durante mais de 2 mil anos, acreditava-se que a malária era causada pelos chamados 'maus ares', vapores provenientes de áreas alagadas e pântanos", conta o médico João Otavio Ribas Zahdi, professor na Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. Leia também: Investigação revela: 150+ lucraram com segredos das Forças Armadas dos EUA

"Inclusive, o nome da doença vem dessa ideia: mala aria, ou ar ruim. Havia até quem atribuísse a doença a causas sobrenaturais. Curiosamente, algumas medidas adotadas na época, como a drenagem de pântanos, acabavam reduzindo os casos de malária, mas por diminuírem a população de mosquitos, e não por eliminarem os supostos 'maus ares'."

"Acreditava-se que a malária e outras doenças eram transmitidas a partir da respiração de 'ares ruins', principalmente os provenientes de pântanos", acrescenta o biólogo imunologista Luiz Gustavo Gardinassi, professor na Universidade de São Paulo.

"O que predominava era a chamada teoria dos miasmas, a teoria miasmática, com essa definição dos maus ares", comenta Lopes.

Naquela noite de 1897, o médico Ross— que também era poeta— escreveu um poema, dedicado à sua mulher.

No texto, ele cita que "Deus, em sua misericórdia, colocou em minhas mãos uma coisa maravilhosa". E que, graças a "lágrimas e fôlego árduo", ele havia encontrado as "astutas sementes" da "morte que mata milhões".

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