Como crise migratória da Espanha gerou tempestade política — e foi alimentada
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Crédito, Montagem BBC / Campanhas de Raquel Lyra e João Campos
- Author, Vitor Tavares
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published 4 agosto 2026, 04:41 -03Atualizado Há 3 horas
- Tempo de leitura: 10 min
Em uma entrega de equipamentos a policiais de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) desceu de seu gabinete no Palácio do Campo das Princesas e resolveu correr.
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Sem tirar o sapato de salto alto, deu a volta na Praça da República, no centro do Recife, enquanto anunciava para a câmera novos drones, fuzis e viaturas, deixando claro que seu "cardio estava em dia".
O vídeo, do fim do ano passado, acumula mais de 3 milhões de visualizações e 120 mil curtidas no Instagram.
Correr se tornou uma das marcas das redes sociais da governadora, que tenta a reeleição e viu sua popularidade disparar— na internet e nas pesquisas eleitorais— nos últimos meses. Leia também: Como crise migratória da Espanha gerou tempestade política — e foi alimentada
Nos seis primeiros meses do ano, Lyra ganhou proporcionalmente mais seguidores (+18%) no Instagram do que qualquer outro candidato ao governo dos Estados do Nordeste, segundo relatório da AtivaWeb Datalab, empresa de análise de dados focada no monitoramento do comportamento político.
Em 30 dias, entre março e abril, ela chegou a ganhar 76 mil seguidores— são 1,9 milhão hoje ao todo.
São números importantes para as ambições de Lyra em Pernambuco, onde as redes sociais têm se mostrado especialmente um campo de batalha acirrado.
Segundo o mesmo relatório, o Estado concentra 31% do número de seguidores em redes sociais ligadas aos candidatos nas eleições estaduais no Nordeste.
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"É o centro da influência política digital nordestina", analisa Alek Maracajá, diretor da empresa, que tem sede na Paraíba.
Contra Lyra, está João Campos (PSB), popular ex-prefeito do Recife reeleito em 2022 com quase 80% dos votos que conquistou seguidores pelo país pelo jeito jovem de engajar nas redes, das dancinhas ao cabelo platinado. Leia também: Os fósseis brasileiros em Oxford que voltarão ao país para recompor acervo
Mas, enquanto Lyra vem numa crescente, Campos tem enfrentado desafios em um ambiente que ele sempre dominou. Segundo a Ativaweb, o ex-prefeito chegou a ter quedas em suas taxas de engajamento em 2026— ou seja, a porcentagem de seus seguidores que comentam, curtem ou compartilham seus posts.
Segundo Maracajá, o comparativo técnico indica que Campos domina pelo tamanho e alcance nacional de sua rede, mas Lyra chegou a ter engajamento superior à do ex-prefeito. "João tem o tamanho. Raquel tem o momento", cravou no relatório.
A temperatura digital nas eleições pernambucanas é tão alta que virou rotina a troca de acusações entre os candidatos.
João Campos disse a jornalistas em junho que "tem sido atacado manhã, tarde e noite por uma verdadeira milícia digital, instrumentalizada de forma inorgânica, com presença de robôs, informações falsas e automatizadas".
"Essa presença que já foi identificada, denunciada e hoje é apurada pela PF em Pernambuco", disse Campos.
O crescimento de Lyra e a 'fórmula' Campos

O fenômeno João Campos pode ser parado?

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