
Crédito, Getty Images
- Author, Redação
- Role, BBC News Brasil
- 28 abril 2026, 07:28 -03Atualizado Há 8 minutos
- Tempo de leitura: 3 min
A Anvisa determinou na segunda-feira (27/04) a suspensão imediata da venda e do uso de medicamentos à base de clobutinol e proibiu a comercialização, fabricação, importação, manipulação, propaganda, distribuição e uso desses produtos no país.
Leia no AINotícia: Panorama Internacional: Ataque em Gala e Repercussão
A substância, presente em xaropes indicados para tosse seca, foi vetada após a agência apontar risco de arritmia grave — tema que orienta o próprio anúncio oficial da decisão.
A medida se baseia em um parecer da área de farmacovigilância da agência, que concluiu que os riscos do clobutinol superam seus benefícios terapêuticos.
O principal problema identificado é o prolongamento do intervalo QT, uma alteração na atividade elétrica do coração que pode desencadear arritmias potencialmente fatais. Leia também: A gaúcha que mudou de país após trauma com enchente histórica
Diante da gravidade dos efeitos adversos — e do fato de o medicamento ser usado para tratar um sintoma geralmente benigno — a agência considerou justificável a suspensão total.
O clobutinol é um antitussígeno de ação central, ou seja, atua no sistema nervoso para reduzir o reflexo da tosse. Durante anos, foi amplamente utilizado em xaropes de uso comum, muitas vezes consumidos sem acompanhamento médico rigoroso.
Esse perfil de uso amplo e relativamente banal aumenta a preocupação quando surgem evidências de efeitos colaterais graves, especialmente de natureza cardíaca.
Uso de remédios à base de clobutinol em outros países
A decisão brasileira acompanha uma tendência já observada em outros mercados. Em 2007, a Agência Europeia de Medicamentos iniciou uma revisão sobre a substância após sua retirada na Alemanha. A análise foi motivada por dados clínicos que associaram o clobutinol ao prolongamento do intervalo QT, inclusive em voluntários saudáveis.
Na avaliação europeia, o risco foi considerado especialmente relevante porque poderia afetar pacientes sem histórico de doença cardíaca e porque os medicamentos eram indicados para tratar uma condição comum, frequentemente fora de ambientes clínicos. Mais de mundo
O comitê científico concluiu que o balanço entre risco e benefício era desfavorável e recomendou a retirada das autorizações de comercialização em toda a União Europeia.
Na época, a fabricante Boehringer Ingelheim retirou voluntariamente seus produtos com clobutinol de diversos mercados, contribuindo para a redução global do uso da substância. Leia também: Itamaraty confirma morte de brasileiros em ataque de Israel no Líbano; o que se sabe
Um relatório das Nações Unidas também cita o clobutinol em uma lista consolidada de substâncias cujo consumo ou comercialização foi proibido, retirado ou severamente restrito por governos ao redor do mundo.
O documento compila decisões regulatórias enviadas por autoridades nacionais e pela Organização Mundial da Saúde, incluindo tanto proibições quanto retiradas voluntárias por fabricantes com base em preocupações de segurança.
Nos Estados Unidos, o cenário é menos direto.
Não há uma decisão pública amplamente divulgada da FDA anunciando formalmente uma proibição do clobutinol nos mesmos moldes europeus ou brasileiros.
Registros da agência indicam, porém, que o produto está classificado como descontinuado, sem versões genéricas disponíveis — o que, na prática, significa que deixou de ser comercializado no país.
Leia também no AINotícia
- A gaúcha que mudou de país após trauma com enchente históricaMundo · agora
- Os planos de Renan Santos para roubar votos de Flávio Bolsonaro: 'Sou o candidato da direita'Mundo · 2h atrás
- Quem é Iván Mordisco, criminoso mais procurado da Colômbia, apontado como sucessor de Escobar, que está por trás de ataques no paísMundo · 4h atrás
- Coreia do Norte aproveita a guerra no Oriente Médio para reforçar arsenal nuclearMundo · 4h atrás