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Ponte Bioceânica une Brasil e Paraguai, mas acessos travam conclusão

O tempo nublado cancelou a cerimônia oficial de comemoração do "beijo das aduelas", a união das duas extremidades da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo

Ponte Bioceânica une Brasil e Paraguai, mas acessos travam conclusão

O tempo nublado cancelou a cerimônia oficial de comemoração do "beijo das aduelas", a união das duas extremidades da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, que ocorreria na quinta-feira (23). Mesmo assim, sob temperatura de 10ºC, autoridades dos dois países se reuniram no ponto exato de conexão da estrutura de 1.294 m de extensão sobre o rio Paraguai. A celebração informal marcou o avanço simbólico da Rota Bioceânica, que promete reduzir em até 17 dias o caminho das exportações brasileiras até os mercados asiáticos, pelo oceano Pacífico.

Na prática, olhando para as duas extremidades da Ponte Internacional da Integração, o que se nota é o descompasso da obra. No lado brasileiro, ainda falta o acesso de 13,1 quilômetros da BR-267 até a ponte, obra que depende de cerca de R$ 250 milhões para ser concluída, verba que não consta no Orçamento. No outro extremo, a pavimentação dos 3,8 quilômetros até a rodovia PY-15 está em execução.

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O governo brasileiro estima que o acesso seja concluído em 2027, enquanto o Paraguai calcula finalizar a obra até novembro deste ano. Além desses acessos, os governos precisam acertar os detalhes do controle aduaneiro unificado, sistema aceito pelo Paraguai depois de um ano e meio de negociação. Também é preciso adequar ou pavimentar estradas no Chile e na Argentina, os outros dois países envolvidos na Rota Bioceânica.

A via é uma iniciativa do governo federal que prevê a ligação entre o oceano Atlântico, a partir do Porto de Santos, e o oceano Pacífico, por meio dos portos chilenos de Antofagasta e Iquique. O corredor atravessa Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e tem como um dos principais marcos a construção da ponte sobre o rio Paraguai. Enquanto a obra não é concluída, a travessia nesse trecho do Pantanal continua sendo realizada por balsa.

Com a implantação da rota, a expectativa é tornar mais ágil e eficiente o escoamento da produção brasileira para mercados da Ásia e da Oceania. Atualmente, as cargas exportadas pelo porto de Santos percorrem rotas mais longas, contornando o continente africano ou passando pelo canal do Panamá, o que aumenta o tempo de viagem e os custos logísticos. A nova ligação deve reduzir o percurso em cerca de 7.000 quilômetros e proporcionar uma economia estimada entre 17 e 20 dias no transporte de mercadorias entre o Brasil e a Ásia. Leia também: Apple lança programa de aluguel de iPhones, iPads e outros dispositivos nos EUA

Os serviços concentram-se em terraplenagem e infraestrutura de apoio, incluindo 10,1 quilômetros de terraplenagem executados, segundo o Dnit. Segundo o órgão, 38,1% do empreendimento foi executado. As obras também incluem sete OAEs (Obras de Arte Especiais), sendo seis pontes e um viaduto.

Apenas duas estruturas estão concluídas, enquanto as demais seguem em diferentes fases de execução. Do investimento previsto de R$ 472 milhões, o Dnit informa que R$ 220,7 milhões foram empenhados e R$ 184,7 milhões efetivamente utilizados. Os R$ 36 milhões restantes dos recursos já empenhados serão destinados à conclusão das OAEs.

Sobre o restante da verba, o órgão diz que "a suplementação orçamentária poderá ser realizada conforme a evolução dos serviços". Do lado paraguaio, a estimativa é que entre 45% e 50% dos trabalhos previstos tenham sido concluídos, segundo o diplomata João Carlos Parkinson, que coordena, pelo governo brasileiro, as negociações internacionais dos corredores bioceânicos e é um dos principais articuladores da Rota Bioceânica. O Consórcio Binacional PYBRA é responsável pela construção da ponte e do acesso do lado paraguaio.

O engenheiro civil René Gomez, coordenador principal da construção e superintendente de obras do grupo, estima que 30% da obra de acesso do lado paraguaio já foi executada. A previsão é que os 3,8 quilômetros sejam concluídos no fim deste ano ou, no mais tardar, até janeiro de 2027. Parkinson admite que existe " Mais de economia

um pequeno descompasso", mas explica que são situações distintas. "

O acesso do lado paraguaio é muito menor e o terreno do lado brasileiro é muito pantanoso, vai exigir grande trabalho de terraplenagem, o que encarece a obra", diz. Segundo Parkinson, os R$ 251,3 milhões restantes podem vir do Tesouro (via Itaipu Binacional) ou de empréstimo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O recurso também será usado para o Ciof (Centro Integrado de Controle da Fronteira), onde órgãos dos dois países realizam procedimentos de fiscalização conjuntos, após negociação concluída neste ano.

O superintendente-adjunto da Receita Federal na 1ª Região, Erivelto Moyses, explica que, após a conclusão dos acessos à ponte, é necessário priorizar a construção da Área de Controle Integrado, que faz parte do Ciof, mas com atuação mais específica. "É a área essencial para o comércio exterior, para despacho de importação e exportação. " Leia também: Lucro do FGTS pode ser usado para abater dívida da casa própria; veja se vale

Parkinson diz que há efetivo da Receita Federal para a aduana em Porto Murtinho, além de equipes da PF (Polícia Federal) e da PRF (Polícia Rodoviária Federal). A dificuldade deve surgir para preencher as vagas necessárias no Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo o Dnit, o Centro Aduaneiro ainda não foi iniciado pois o projeto está em fase de adaptações com base em novas demandas solicitadas pelas instituições de controle de fronteira.

CONDIÇÕES Entre os dias 30 de maio e 8 de junho, uma equipe da Receita Federal percorreu cerca de 4.000 quilômetros pela Rota Bioceânica, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, para avaliar as condições de infraestrutura, logística e fiscalização ao longo do corredor. Segundo Moyses, a missão identificou potencial para reduzir custos e tempo de transporte, mas também uma série de gargalos que precisam ser superados antes da consolidação da rota.

No Paraguai, as rodovias já pavimentadas foram consideradas de boa qualidade, mas a infraestrutura de aduana e imigração em Carmelo Peralta e Pozo Hondo foi classificada como precária, funcionando em estruturas improvisadas. Também há trechos ainda sem pavimentação e obras em execução na ligação até a Argentina. No país, a equipe encontrou limitações na malha rodoviária, como pontes com restrição de peso, trechos sem acostamento e infraestrutura insuficiente nas fronteiras.

Já no Chile, as rodovias e os portos de Iquique e Antofagasta receberam avaliação positiva pela capacidade operacional e pelos planos de expansão, mas a travessia da Cordilheira dos Andes impõe restrições para caminhões, exigindo adaptações logísticas e preparo dos condutores. Comentários

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