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Ler matéria →Profissionais de Saúde Indiciados em Tragédia Obstétrica em Campina Grande
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de uma gestante e a perda de seu bebê em março de 2025, no Instituto de Saúde Ellpídio Almeida (ISEA), em Campina Grande, na Paraíba. Seis profissionais de saúde foram indiciados, um passo significativo para a família que busca justiça após a perda de Maria Danielle Cristina Morais e do filho que carregava. O marido da vítima, Jorge Elô, classificou o indiciamento como um "primeiro passo" na longa jornada para que os responsáveis sejam devidamente punidos.
A investigação policial aponta que falhas no atendimento prestado à paciente podem ter contribuído para o desfecho fatal. O inquérito foi finalizado mais de um ano após a denúncia inicial, que ganhou destaque após a mãe do bebê falecer pouco tempo depois de ter seu útero retirado em decorrência de complicações durante o parto.
Detalhes do Indiciamento e Acusações
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, os seis profissionais indiciados são compostos por quatro médicos obstetras e duas enfermeiras. As acusações recaem sobre o crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada, conforme previsto nos artigos 125 e 127 do Código Penal. Os nomes dos indivíduos envolvidos não foram revelados pelas autoridades.
Jorge Elô, visivelmente abalado, expressou um misto de alívio e a ciência de que a luta por justiça ainda é árdua. "Depois de quase 500 dias, é um alívio, mas com a clareza que é apenas um primeiro passo. Eu confio no trabalho da polícia civil e tenho certeza que o inquérito foi feito com muita responsabilidade. Também sei que a luta ainda vai ser grande, mas estaremos firme até o final", declarou. Leia também: Baleia Jubarte é avistada em Salvador e marca início da temporada reprodutiva
A defesa de Jorge Elô espera que o Ministério Público da Paraíba (MPPB) acolha as conclusões da Polícia Civil e ofereça a denúncia formal contra os profissionais. A advogada Paula Oliveira destacou que o inquérito evidencia o que movimentos de mulheres denunciam há décadas: a existência da violência obstétrica.
Medidas Administrativas e Defesa dos Indiciados
A Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande informou que, desde que tomou conhecimento da denúncia em 2025, foram adotadas as medidas administrativas cabíveis, incluindo a instauração de um procedimento de apuração interna e uma sindicância. Como resultado, o afastamento cautelar dos profissionais diretamente envolvidos no caso foi determinado. A secretaria também informou que dois profissionais citados nas apurações não integram mais o quadro do ISEA.
Por outro lado, a defesa de uma das médicas indiciadas manifestou discordância com a decisão da Polícia Civil. Em nota, alegou que o indiciamento não reflete a complexidade do caso nem a melhor literatura médica aplicável, e demonstrou confiança na Justiça. Mais de noticia
O que se sabe até agora
- Um inquérito policial apura a morte de uma gestante e a perda de seu bebê no ISEA, em Campina Grande.
- Seis profissionais de saúde foram indiciados pela Polícia Civil: quatro médicos obstetras e duas enfermeiras.
- As acusações incluem o crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada.
- A morte ocorreu em março de 2025 e as investigações apontam falhas no atendimento.
- A Secretaria Municipal de Saúde determinou o afastamento cautelar de profissionais envolvidos e informou que dois não atuam mais na unidade.
- A defesa de um dos indiciados discorda da decisão policial.
Perguntas frequentes
O que é violência obstétrica?
Violência obstétrica refere-se a atos desumanos, abusivos ou negligentes praticados por profissionais de saúde durante o atendimento à mulher no ciclo gravídico-puerperal. Pode incluir desde agressões verbais até procedimentos médicos desnecessários ou inadequados.
Quais as implicações do indiciamento?
O indiciamento pela Polícia Civil é o ato de atribuir formalmente a suspeita de um crime a uma pessoa, após a conclusão de uma investigação. Este é um passo anterior à denúncia pelo Ministério Público e eventual processo judicial. Leia também: Avião cai em clube de Marília e mata dois pilotos; vídeo mostra desespero
O que a família da vítima espera?
A família, representada pelo marido Jorge Elô, busca que a Justiça seja feita, com o devido processo legal e punição para os responsáveis, além de chamar atenção para a necessidade de combater a violência obstétrica.
O caso em Campina Grande levanta novamente o debate sobre a qualidade do atendimento em unidades de saúde e a importância da apuração rigorosa de denúncias de negligência e violência no âmbito da saúde materna e fetal. A expectativa agora se volta para os próximos passos do Ministério Público e do Poder Judiciário na análise do inquérito policial.



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