O prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante entrevista coletiva em SP — Foto: Reprodução/TV Globo O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), saiu em defesa da empresária Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos de um contrato para instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (1º), Nunes afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu "perseguição política", caso a investigação esteja relacionada à ligação dela com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Karina é também sócia da produtora Go Up, responsável pela produção da cinebiografia " Dark Horse" (termo para "azarão", em inglês). 👉
Leia no AINotícia: ONG ligada a filme de Bolsonaro é investigada R$ 4 milhões
A operação mira suspeitas de fraude no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade de SP. O contrato com a Prefeitura previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025, mas, até a presente data, apenas 3.200 foram instalados. Ao menos três aditivos foram assinados mudando a data de entrega total do serviço.
Ao comentar a hipótese de que recursos do contrato possam ter sido desviados para a produção do filme "Dark Horse", Nunes afirmou que, se a motivação da investigação for a ligação da empresária com o projeto audiovisual, o caso seria "grave". " Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme...
' Então estou indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme', aí é grave. Aí é perseguição política", disse durante entrega de 131 unidades habitacionais do Residencial General Rondon, no Centro de SP. Leia também: ONG é alvo de operação
Nunes disse que conheceu a empresária em eventos da Expo Cristã, mas negou manter contato frequente com ela. " Acho que, se não me engano, foi a Expo Cristã que ela organizou.
Mas não é uma pessoa que eu tenho contato. Já tive, mas não é uma pessoa que eu converso, que eu tenho contato, não. Mas não tenho problema nenhum de ter também", declarou.
" Se a questão é política, se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia.
(...) Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave", completou Nunes. Segundo o prefeito, a contratação foi feita após um chamamento público que ficou aberto por 30 dias e não recebeu impugnações, questionamentos ou propostas de outras entidades.
" Durante trinta dias não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs a, dentro daqueles moldes, de colocar pontos dentro das favelas, das comunidades", afirmou, Nunes afirmou ainda que a Prefeitura de São Paulo não encontrou irregularidades no contrato firmado com a entidade e sustentou que os 3,2 mil pontos de internet previstos estão instalados e em funcionamento. Mais de noticia
Segundo o prefeito, eventual ilegalidade identificada pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público será apurada pela administração municipal. Assinatura de contrato O deputado federal Bruno Lima (Podemos), que comandava a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando a Prefeitura de São Paulo firmou contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), afirmou nesta segunda-feira (1º) que apoia a apuração de suspeitas de desvio de recursos do projeto de instalação de internet gratuita em comunidades da capital para a produção de um filme.
Lima foi secretário municipal até 1º de agosto de 2024, quando deixou o cargo para retomar o mandato na Câmara dos Deputados. À época, era filiado ao Progressistas (PP), partido pelo qual se elegeu em 2022. Em abril deste ano, migrou para o Podemos durante a janela partidária.
A ONG, da mesma dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigada por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. A ONG foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda (leia mais abaixo). Deputado Federal Delegado Bruno Lima (Podemos). Leia também: GDF usará Centrad em Taguatinga, complexo inativo há 12 anos
— Foto: Divulgação Na entrevista, o deputado também afirmou que nunca teve contato com Karina da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, organização investigada sob suspeita de utilizar recursos do contrato firmado com a prefeitura para a produção do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" (Azarão, na tradução do inglês).
" Não a conheço. Nunca a vi na vida.
Se passar na minha frente, não sei quem é", declarou. Segundo ele, as informações reveladas após a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, e que posteriormente passaram a ser relacionadas ao contrato para instalação de redes wi-fi em comunidades paulistanas, foram recebidas com surpresa. "
Defendo o escopo do projeto, que é a instalação da rede wi-fi em favelas da cidade, onde vivem as pessoas que mais precisam deste serviço. Toda a parte contratual foi feita pelo corpo técnico da Secretaria", afirmou. O ex-secretário também negou qualquer vínculo político com o bolsonarismo.
" Após o primeiro turno de 2022, tive a coragem de não apoiar Bolsonaro. E continuo não apoiando.
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