'Levamos marmita para o trabalho por 10 anos e conseguimos nos aposentar aos 35
Ler matéria →Planejar a aposentadoria pode ser intimidante. Afinal, estamos olhando para as necessidades de um "eu do futuro" —um desconhecido, décadas à frente. "
Você deposita para o futuro, mas o futuro está muito longe. O que aciona no seu cérebro hoje, ao fazer uma previdência, é o mesmo de quando você dá dinheiro a um estranho", afirma a planejadora financeira e professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) Myrian Lund, citando estudos conduzidos pelo psicólogo Hal Hershfield nos últimos anos. Some-se a isso o paradoxo da escolha: diante de tantas possibilidades, podemos ser levados a não agir e não escolher nenhum caminho.
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" Falam para fazermos poupanças, investirmos de diferentes formas, pagar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Parece que há vários caminhos e uma expectativa de acertar em relação a eles", diz a curitibana Maria Luisa Vale de Oliveira.
Aos 25 anos, Maria Luisa está no início da carreira e busca estabilidade. " É o que mais espero agora, ter mais estabilidade financeira para conseguir separar uma boa quantia lá para a frente, sem abdicar do que quero viver agora.
" Trata-se de um dilema comum, diz Lund. " O máximo que as pessoas conseguem guardar, em geral, é de 30%: 10% para reserva de emergência e oportunidades de curto prazo, 10% para sonhos e 10% para a aposentadoria. Leia também: 'Levamos marmita para o trabalho por 10 anos e conseguimos nos aposentar aos 35
Por isso, o importante é começar o quanto antes." Com juros compostos, o crescimento é exponencial —por isso, a especialista recomenda começar o quanto antes, mesmo com quantias pequenas, sem ignorar a previdência do INSS. Inclusive, olhar para a contribuição oficial deve ser o primeiro passo ao planejar a aposentadoria, já que é segurado obrigatório quem exerce qualquer atividade remunerada no Brasil.
1. Verifique seu cadastro no INSS Emita seu extrato do Cnis (Cadastro Nacional de Informações Sociais) no aplicativo ou no site
Meu INSS, para conferir se vínculos, salário e tempo de contribuição estão corretos. O extrato reúne o histórico de contribuições, mas é preciso comparar com carteiras de trabalho e outros dados, pois falhas são comuns. Como pedir a correção de erros:- Ligue para o INSS, pelo 135, e solicite o acerto de vínculos e remunerações;- Após concluir a ligação, acesse o Meu INSS;- Dentro do Meu INSS, haverá o requerimento disponível, com um pedido de cumprimento de exigência;
- O trabalhador deve anexar os documentos que comprovam os vínculos ou as remunerações que precisam de correção, como carteira de trabalho, contrato de trabalho, extrato do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e outros. O valor do benefício que será recebido no futuro dependerá de vários fatores, como o valor médio das contribuições, o tempo total de pagamentos e se o trabalhador se enquadra em uma regra de transição criada pela reforma da Previdência. A reforma da Previdência estabeleceu um cálculo de 60% mais 2% a cada ano de contribuição que passar de 20 anos (homens) e 15 anos (mulheres).
O cálculo é usado na aposentadoria por idade, na transição da idade mínima progressiva e na transição da pontuação. O valor mínimo da aposentadoria é um salário mínimo e o máximo corresponde ao teto da Previdência (R$ 1.621 e R$ 8.475,55 em 2026, respectivamente). Na aba " Mais de economia
Simular Aposentadoria" é possível verificar os critérios. Para empregados com carteira assinada, as alíquotas de contribuição variam entre 7,5% e 14%, aplicadas por faixas salariais. Sócios de empresas que retiram pró-labore e autônomos podem pagar 11% sobre a remuneração.
Já o MEI (Microempreendedor Individual) contribui com 5% do salário mínimo. Porém, a advogada previdenciária Adriane Bramante alerta: recolher sob 5% ou 11% não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição, apenas por idade.
" Mas esses pagamentos dão direito a outros benefícios, como por incapacidade e salário-maternidade", pontua. 2. Leia também: Economist vê riscos à supremacia financeira dos EUA e destaca papel do Pix
Planeje um complemento privado As chances são de que, para uma aposentadoria ativa e saudável, a previdência do INSS precise ser complementada. Segundo Lund, o cálculo do complemento depende da idade em que você está começando a juntar dinheiro, da idade a partir da qual deseja usufruir e de até quando o dinheiro deve durar, considerando o aumento da longevidade brasileira.
" Hoje, todas as famílias têm alguém chegando aos cem anos. O dinheiro precisa durar mais", diz.
De forma simplificada, ela sugere uma economia baseada na idade com que se começa: quem tem na casa dos 20 ou 30 anos deve dedicar ao menos 12% de sua renda bruta; nos 40 anos, 20% da renda; e, para quem tem 50 anos, a especialista recomenda guardar 30% da renda mensal.
3. Avalie onde investir seu dinheiro Opte por aplicações que permitam um ganho real, acima da inflação. Lund recomenda a renda fixa.
" O Brasil trabalha com ganho real elevado. Aqui, não preciso ter uma carteira agressiva para poder ter uma boa aposentadoria.
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