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PL da Dosimetria ganha destaque após novo desdobramento em <p>pl da dosimetria: o que muda se o veto do presidente for derrubado congresso decide nesta quinta-feira (30) projeto de lei que foi vetado por lula; efeitos vão além dos atos golpistas e alcançam crimes como homicídio qualificado e tráfico de drogas</p> <p>o congresso nacional vota nesta quinta-feira (30) a derrubada do veto do presidente luiz inácio lula da silva (pt) ao projeto de lei 2162/2023, também chamado de pl da dosimetria. o texto altera regras de cálculo de penas e de progressão de regime para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas seus efeitos se estendem a outros crimes. para a rejeição do veto é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores.</p> <p>a cnn brasil ouviu o advogado antônio tovo, professor de direito penal da faculdade belavista e doutor em direito penal pela usp (universidade de são paulo), para explicar os efeitos práticos da mudança. o que o projeto muda o pl atua em duas frentes: o cálculo da pena para réus condenados por mais de um crime no mesmo contexto e as regras de progressão de regime prisional. na primeira, o projeto muda como crimes cometidos em conjunto são computados.</p> <p>hoje, os réus condenados tanto por abolição violenta do estado democrático de direito quanto por golpe de estado -- artigos 359-l e 359-m do código penal -- têm as penas somadas, os chamados concurso material. pelo pl, passaria a valer o concurso formal: apenas a pena mais grave seria aplicada, com um acréscimo percentual, sem soma das duas condenações que, segundo tovo, viola o princípio ne bis in idem.</p> <p>na segunda frente, o texto reduz o tempo mínimo para progressão do regime fechado ao semiaberto. para crimes contra o estado democrático de direito, esse prazo cairia de 25% para um sexto da pena cumprida. o projeto pode beneficiar pelo menos 179 presos pelos atos, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva.</p> <p>a pena do ex-presidente jair bolsonaro (pl), condenado a 27 anos e 3 meses pelo stf (supremo tribunal federal), teria mudanças: na situação atual, ele passaria ao regime semiaberto em setembro de 2033. com o pl, esse prazo seria reduzido pela metade. o projeto cria ainda um redutor de um terço a dois para quem cometeu crime em contexto de multidão sem exercer papel de liderança ou financiamento -- benefício aplicável a parte dos condenados pelo 8 de janeiro.</p> <p>impacto além do 8 de janeiro as mudanças propostas na lei de execução penal não se restringem aos condenados pelos atos golpistas. as novas propostas incidem sobre todos os casos que se enquadrem no código, o que inclui crimes sem nenhuma relação com a tentativa de golpe.</p> <p>um levantamento técnico da câmara dos deputados aponta que, para crimes como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e tráfico de drogas, o tempo mínimo de cumprimento de pena para réus primários cairia de 70% para 40% da condenação. para feminicídio, o percentual iria de 75% para 55%, enquanto condenados por integrarem organizações criminosas, de 75% para 50%. os militares condenados pela tentativa de golpe também se encaixam, pois seus crimes se enquadram no rol contra as instituições democráticas.</p> <p>" o pl gera efeitos para todos os casos penais", afirma tovo. o texto distorce as regras de concurso formal e material do código penal ao criar uma regra específica apenas para crimes contra as instituições democráticas -- o que, na avaliação do especialista, configura uma deficiência técnica.</p> <p>para tovo, a saída mais adequada seria uma revisão criminal conduzida pelo próprio stf. " o melhor seria o supremo fazer autocrítica e reconhecer que essas penas estavam excessivas.</p> <p>" quando o pl da dosimetria pode entrar em vigor? se o veto for derrubado, o projeto segue para promulgação.</p> <p>o próprio pl prevê vigência a partir da data de publicação. o executivo tem até 48 horas para promulgar o texto. se não o fizer, o presidente do senado, davi alcolumbre (união brasil-ap), assume a função.</p> <p>entretanto, a redução de pena ou a progressão de regime não é automática. tovo explica que "o direito penal brasileiro adota o princípio da individualização da pena, o que significa uma análise pormenorizada das circunstâncias do fato criminoso e do acusado". "</p> <p>a análise de eventual redução de pena ou progressão de regime depende de pedido específico ao juiz do caso, que analisará se a alteração legislativa se aplica ao caso concreto. " o direito penal brasileiro permite que a lei mais benéfica retroaja para condenações já transitadas em julgado.</p> <p>ou seja, os réus daqueles processos que já não cabem mais recurso poderão pedir revisão de suas penas com base na nova lei. como o stf pode agir segundo tovo, "caso seja provocado a decidir a respeito, o stf pode suspender a vigência da lei, em entendendo que viola preceitos constitucionais". partidos políticos, associações e institutos jurídicos têm legitimidade para ajuizar essas ações por meio de adi (ação direta de inconstitucionalidade) e adpf (arguição de descumprimento de preceito fundamental).</p> <p>a suprema corte pode suspender os efeitos da lei antes mesmo de ela ser aplicada. o professor explica que os principais fundamentos para questionar o pl envolvem o princípio da proporcionalidade e o desvio de finalidade. o primeiro funciona se a alteração legislativa não for o instrumento adequado para corrigir eventuais excessos nas condenações;</p> <p>já o segundo pode se configurar pela edição de uma lei direcionada a uma situação concreta com forte conteúdo político.</p>

PL da Dosimetria: o que muda se o veto do presidente for derrubado Congresso decide nesta quinta-feira (30) projeto de lei que foi vetado por Lula; efeitos vão além dos

PL da Dosimetria ganha destaque após novo desdobramento em <p>pl da dosimetria: o que muda se o veto do presidente for derrubado congresso decide nesta quinta-feira (30) projeto de lei que foi vetado por lula; efeitos vão além dos atos golpistas e alcançam crimes como homicídio qualificado e tráfico de drogas</p> <p>o congresso nacional vota nesta quinta-feira (30) a derrubada do veto do presidente luiz inácio lula da silva (pt) ao projeto de lei 2162/2023, também chamado de pl da dosimetria. o texto altera regras de cálculo de penas e de progressão de regime para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas seus efeitos se estendem a outros crimes. para a rejeição do veto é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores.</p> <p>a cnn brasil ouviu o advogado antônio tovo, professor de direito penal da faculdade belavista e doutor em direito penal pela usp (universidade de são paulo), para explicar os efeitos práticos da mudança. o que o projeto muda o pl atua em duas frentes: o cálculo da pena para réus condenados por mais de um crime no mesmo contexto e as regras de progressão de regime prisional. na primeira, o projeto muda como crimes cometidos em conjunto são computados.</p> <p>hoje, os réus condenados tanto por abolição violenta do estado democrático de direito quanto por golpe de estado -- artigos 359-l e 359-m do código penal -- têm as penas somadas, os chamados concurso material. pelo pl, passaria a valer o concurso formal: apenas a pena mais grave seria aplicada, com um acréscimo percentual, sem soma das duas condenações que, segundo tovo, viola o princípio ne bis in idem.</p> <p>na segunda frente, o texto reduz o tempo mínimo para progressão do regime fechado ao semiaberto. para crimes contra o estado democrático de direito, esse prazo cairia de 25% para um sexto da pena cumprida. o projeto pode beneficiar pelo menos 179 presos pelos atos, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva.</p> <p>a pena do ex-presidente jair bolsonaro (pl), condenado a 27 anos e 3 meses pelo stf (supremo tribunal federal), teria mudanças: na situação atual, ele passaria ao regime semiaberto em setembro de 2033. com o pl, esse prazo seria reduzido pela metade. o projeto cria ainda um redutor de um terço a dois para quem cometeu crime em contexto de multidão sem exercer papel de liderança ou financiamento -- benefício aplicável a parte dos condenados pelo 8 de janeiro.</p> <p>impacto além do 8 de janeiro as mudanças propostas na lei de execução penal não se restringem aos condenados pelos atos golpistas. as novas propostas incidem sobre todos os casos que se enquadrem no código, o que inclui crimes sem nenhuma relação com a tentativa de golpe.</p> <p>um levantamento técnico da câmara dos deputados aponta que, para crimes como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e tráfico de drogas, o tempo mínimo de cumprimento de pena para réus primários cairia de 70% para 40% da condenação. para feminicídio, o percentual iria de 75% para 55%, enquanto condenados por integrarem organizações criminosas, de 75% para 50%. os militares condenados pela tentativa de golpe também se encaixam, pois seus crimes se enquadram no rol contra as instituições democráticas.</p> <p>" o pl gera efeitos para todos os casos penais", afirma tovo. o texto distorce as regras de concurso formal e material do código penal ao criar uma regra específica apenas para crimes contra as instituições democráticas -- o que, na avaliação do especialista, configura uma deficiência técnica.</p> <p>para tovo, a saída mais adequada seria uma revisão criminal conduzida pelo próprio stf. " o melhor seria o supremo fazer autocrítica e reconhecer que essas penas estavam excessivas.</p> <p>" quando o pl da dosimetria pode entrar em vigor? se o veto for derrubado, o projeto segue para promulgação.</p> <p>o próprio pl prevê vigência a partir da data de publicação. o executivo tem até 48 horas para promulgar o texto. se não o fizer, o presidente do senado, davi alcolumbre (união brasil-ap), assume a função.</p> <p>entretanto, a redução de pena ou a progressão de regime não é automática. tovo explica que "o direito penal brasileiro adota o princípio da individualização da pena, o que significa uma análise pormenorizada das circunstâncias do fato criminoso e do acusado". "</p> <p>a análise de eventual redução de pena ou progressão de regime depende de pedido específico ao juiz do caso, que analisará se a alteração legislativa se aplica ao caso concreto. " o direito penal brasileiro permite que a lei mais benéfica retroaja para condenações já transitadas em julgado.</p> <p>ou seja, os réus daqueles processos que já não cabem mais recurso poderão pedir revisão de suas penas com base na nova lei. como o stf pode agir segundo tovo, "caso seja provocado a decidir a respeito, o stf pode suspender a vigência da lei, em entendendo que viola preceitos constitucionais". partidos políticos, associações e institutos jurídicos têm legitimidade para ajuizar essas ações por meio de adi (ação direta de inconstitucionalidade) e adpf (arguição de descumprimento de preceito fundamental).</p> <p>a suprema corte pode suspender os efeitos da lei antes mesmo de ela ser aplicada. o professor explica que os principais fundamentos para questionar o pl envolvem o princípio da proporcionalidade e o desvio de finalidade. o primeiro funciona se a alteração legislativa não for o instrumento adequado para corrigir eventuais excessos nas condenações;</p> <p>já o segundo pode se configurar pela edição de uma lei direcionada a uma situação concreta com forte conteúdo político.</p>

PL da Dosimetria: o que muda se o veto do presidente for derrubado Congresso decide nesta quinta-feira (30) projeto de lei que foi vetado por Lula; efeitos vão além dos atos golpistas e alcançam crimes como homicídio qualificado e tráfico de drogas

O Congresso Nacional vota nesta quinta-feira (30) a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei 2162/2023, também chamado de PL da Dosimetria. O texto altera regras de cálculo de penas e de progressão de regime para condenados pelos atos golpistas de , mas seus efeitos se estendem a outros crimes. Para a rejeição do veto é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores.

Leia no AINotícia: 'O Diabo Veste Prada 2' Chega aos Cinemas Atualizando a Crítica à Mídia

A CNN Brasil ouviu o advogado Antônio Tovo, professor de Direito Penal da Faculdade Belavista e doutor em Direito Penal pela USP (Universidade de São Paulo), para explicar os efeitos práticos da mudança. O que o projeto muda O PL atua em duas frentes: o cálculo da pena para réus condenados por mais de um crime no mesmo contexto e as regras de progressão de regime prisional. Na primeira, o projeto muda como crimes cometidos em conjunto são computados.

Hoje, os réus condenados tanto por abolição violenta do Estado Democrático de Direito quanto por golpe de Estado -- artigos 359-L e 359-M do Código Penal -- têm as penas somadas, os chamados concurso material. Pelo PL, passaria a valer o concurso formal: apenas a pena mais grave seria aplicada, com um acréscimo percentual, sem soma das duas condenações que, segundo Tovo, viola o princípio ne bis in idem.

Na segunda frente, o texto reduz o tempo mínimo para progressão do regime fechado ao semiaberto. Para crimes contra o Estado Democrático de Direito, esse prazo cairia de 25% para um sexto da pena cumprida. O projeto pode beneficiar pelo menos 179 presos pelos atos, sendo 114 em regime fechado, 50 em prisão domiciliar e 15 em prisão preventiva. Leia também: Congresso tende a derrubar veto à dosimetria e impor nova derrota a Lula

A pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses pelo STF (Supremo Tribunal Federal), teria mudanças: na situação atual, ele passaria ao regime semiaberto em setembro de 2033. Com o PL, esse prazo seria reduzido pela metade. O projeto cria ainda um redutor de um terço a dois para quem cometeu crime em contexto de multidão sem exercer papel de liderança ou financiamento -- benefício aplicável a parte dos condenados pelo 8 de janeiro.

Impacto além do 8 de janeiro As mudanças propostas na Lei de Execução Penal não se restringem aos condenados pelos atos golpistas. As novas propostas incidem sobre todos os casos que se enquadrem no código, o que inclui crimes sem nenhuma relação com a tentativa de golpe.

Um levantamento técnico da Câmara dos Deputados aponta que, para crimes como homicídio qualificado, estupro, latrocínio e tráfico de drogas, o tempo mínimo de cumprimento de pena para réus primários cairia de 70% para 40% da condenação. Para feminicídio, o percentual iria de 75% para 55%, enquanto condenados por integrarem organizações criminosas, de 75% para 50%. Os militares condenados pela tentativa de golpe também se encaixam, pois seus crimes se enquadram no rol contra as instituições democráticas.

" O PL gera efeitos para todos os casos penais", afirma Tovo. O texto distorce as regras de concurso formal e material do Código Penal ao criar uma regra específica apenas para crimes contra as instituições democráticas -- o que, na avaliação do especialista, configura uma deficiência técnica.

Para Tovo, a saída mais adequada seria uma revisão criminal conduzida pelo próprio STF. " O melhor seria o Supremo fazer autocrítica e reconhecer que essas penas estavam excessivas. Mais de noticia

" Quando o PL da Dosimetria pode entrar em vigor? Se o veto for derrubado, o projeto segue para promulgação.

O próprio PL prevê vigência a partir da data de publicação. O Executivo tem até 48 horas para promulgar o texto. Se não o fizer, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assume a função. Leia também: Quaest ganha destaque após novo desdobramento em pesquisa quaest divulgada nesta quinta-feira (30) mostra como está a disputa para o governo do ceará. são quatro cenários de 1º turno, com diferentes

Entretanto, a redução de pena ou a progressão de regime não é automática. Tovo explica que "o Direito Penal brasileiro adota o princípio da individualização da pena, o que significa uma análise pormenorizada das circunstâncias do fato criminoso e do acusado". "

A análise de eventual redução de pena ou progressão de regime depende de pedido específico ao juiz do caso, que analisará se a alteração legislativa se aplica ao caso concreto. " O direito penal brasileiro permite que a lei mais benéfica retroaja para condenações já transitadas em julgado.

Ou seja, os réus daqueles processos que já não cabem mais recurso poderão pedir revisão de suas penas com base na nova lei. Como o STF pode agir Segundo Tovo, "caso seja provocado a decidir a respeito, o STF pode suspender a vigência da Lei, em entendendo que viola preceitos constitucionais". Partidos políticos, associações e institutos jurídicos têm legitimidade para ajuizar essas ações por meio de ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) e ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental).

A Suprema Corte pode suspender os efeitos da lei antes mesmo de ela ser aplicada. O professor explica que os principais fundamentos para questionar o PL envolvem o princípio da proporcionalidade e o desvio de finalidade. O primeiro funciona se a alteração legislativa não for o instrumento adequado para corrigir eventuais excessos nas condenações;

já o segundo pode se configurar pela edição de uma lei direcionada a uma situação concreta com forte conteúdo político.

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