Filha de ex-presidente condenado e esquerdista de chapéu camponês: quem são
Ler matéria →Segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez ocorre após um primeiro turno conturbado, que teve o recorde de 35 candidatos. País teve 9 presidentes em 10 anos.
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Neste domingo, 7, os peruanos vão às urnas para eleger o novo presidente entre o esquerdista Roberto Sánchez e a líder de direita Keiko Fujimori.
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A disputa repete o cenário de 2021 e ocorre após um primeiro turno conturbado, que teve o recorde de 35 candidatos à presidência do país.
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O Peru vive extrema instabilidade política, registrando 9 presidentes em 10 anos devido à facilidade constitucional do Congresso para destituir os governantes eleitos.
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Segundo dados do Latinobarómetro, 90% dos peruanos não confiam no governo e no Congresso, enquanto apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia. Leia também: 'Mundo paralelo' ganha destaque após novo desdobramento em 'mundo
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O próximo mandatário enfrentará o desafio de governar sob forte crise e tentar resgatar a confiança de uma população que se mostra cada vez mais indiferente à política.
A candidata de direita, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, antes de um debate televisionado em 31 de maio em Lima, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho.—
Em meio a uma profunda crise e ao descrédito das instituições, os peruanos vão às urnas neste domingo (7) para eleger um novo ou uma nova presidente entre o candidato da esquerda Roberto Sánchez e a líder de direita no país, Keiko Fujimori.
O cenário é uma espécie de "repeteco" das últimas eleições de 2021, quando o esquerdista Pedro Castillo- de quem Sánchez era ministro- venceu Keiko no segundo turno e, meses depois, armou uma tentativa de golpe, sendo preso e condenado.
A disputa chega ao final- assim se espera- depois de um primeiro turno extremamente conturbado, com direito a contestação, polêmicas e um atraso de quase um mês para o resultado das urnas. Mais de mundo
- Keiko, filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, foi confirmada em primeiro lugar logo no início, mas a disputa entre quem seria seu adversário durou semanas e precisou ser apurada voto a voto.
- Sánchez e o candidato da extrema direita Roberto López Aliaga estavam praticamente empatados até a contagem final.
- O Observatório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o TSE peruano, só bateu o martelo quando a apuração chegou a 99,94% das atas eleitorais revisadas, e confirmou Sánchez no 2º turno. Ou seja, o tempo de campanha foi um dos menores que o país já teve.
A demora na contagem e as contestações eleitorais, somadas a um número recorde de candidatos à presidência no país, 35 ao todo, mostram a extrema fragmentação política e a crise de confiança na democracia que vive o Peru. Leia também: 'Mundo paralelo' ganha destaque após novo desdobramento em 'mundo
Lucas Berti, cientista político, pesquisador sobre o Peru no Observatório Político Sul-Americano e coordenador-executivo do Grupo de Relações Internacionais e Sul Global, afirma que, de fato, o que aconteceu nessas eleições no país não vem de um "vácuo".
“É um sintoma de um processo de deslegitimação institucional que vem acontecendo nos últimos anos no país. E isso, na medida em que os presidentes eleitos não conseguem governar", afirmou.
9 presidentes em 10 anos
O Peru contabilizou 9 presidentes em 10 anos. Para se ter ideia, os mandatos presidenciais no Peru são de 5 anos. Ou seja, em uma estabilidade democrática, o país teria apenas dois presidentes neste mesmo período. Porém, a realidade foi outra e alguns líderes não duraram nem 5 dias no cargo.
“Nestes anos, a liderança que mais durou foi a de Dina Boluarte, que ficou no poder por quase três anos. Mas, ao desagradar a oposição liderada pela coalizão fujimorista de Keiko no Congresso, também caiu”, diz Berti
Além disso, vale destacar o artigo 113 da Constituição peruana, que afirma que um presidente pode ser derrubado por “incapacidade moral ou física permanente”- e quem avalia esse diagnóstico são os parlamentares.
Então, por exemplo, se o Congresso não gosta simplesmente de uma lei que o presidente tenta passar, eles podem acionar esse artigo, votar e, em menos de 24 horas, derrubar um presidente que foi eleito pela maioria da população.
- Peru
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