O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, iniciou um rigoroso processo de reestruturação administrativa, resultando na exoneração de 831 pessoas nos últimos 15 dias. A medida, que tem como objetivo principal a reorganização do setor público, o corte de despesas e a investigação de possíveis irregularidades, mira especialmente aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL). A estimativa governamental é de uma economia anual de até R$ 85 milhões com as demissões, que atingem principalmente cargos comissionados e servidores sem função efetiva (segundo o G1).
A ofensiva do governo interino incluiu a demissão de diversos nomes ligados à base de apoio de Cláudio Castro. Entre os exonerados estão parentes e colaboradores diretos do ex-governador. Gabriel Augusto Leite de Abreu, filho do deputado estadual Giovani Ratinho, que ocupava um cargo na Casa Civil com remuneração de R$ 16,4 mil, foi um dos nomes da lista. Outro caso é o de Jean Barbeiro, um criador de conteúdo digital que produziu vídeos em apoio ao mesmo deputado, nomeado para um cargo com salário de R$ 10 mil em uma secretaria voltada à articulação política, apesar de um desempenho eleitoral considerado inexpressivo nas últimas eleições municipais. Também foram desligados Lenine Rodrigues Lemos, irmão do deputado federal Max Lemos, com salário de aproximadamente R$ 15 mil, e Thiago Rodrigues da Gama, ex-motorista de campanha do parlamentar, que exercia uma função gratificada de R$ 7 mil (segundo o G1). Leia também: Shakira celebra 30 anos de Brasil com mega-show em Copacabana
Um dos casos de maior repercussão envolve Anderson de Paula Sampaio, que ocupava uma posição na Subsecretaria de Integração e Estratégia Executiva do Gabinete do Governador. Sampaio ganhou visibilidade ao ser fotografado ao lado de Cláudio Castro durante a final da Libertadores em novembro do ano passado. Na ocasião, ele atuava como diretor de Relações Institucionais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), órgão responsável pela fiscalização das contas governamentais. Meses depois, ele deixou o TCE para integrar o Poder Executivo, de onde foi exonerado recentemente. Em nota, ele informou que sua saída foi a pedido do próprio subsecretário (segundo o G1).
As alterações não se limitaram a cargos de menor escalão. No primeiro escalão, o urologista Ronaldo Damião assumiu a Secretaria de Saúde, sucedendo Claudia Maria Braga de Mello, que teria sido indicada pelo deputado federal Doutor Luizinho. A Secretaria de Saúde tem sido alvo de questionamentos relacionados aos chamados Termos de Ajuste de Contas (TACs), um modelo de pagamento sem a necessidade de contratos formais. Um levantamento indicou que apenas nos primeiros três meses do ano corrente, cerca de R$ 110 milhões foram desembolsados por meio desse sistema, abrangendo despesas como alimentação hospitalar e gestão de unidades de saúde. Tais pagamentos levantaram suspeitas de irregularidades, levando a uma representação no TCE pelo deputado estadual Alan Lopes (PL) (segundo o G1).
O atual movimento de reestruturação e corte de gastos no Rio de Janeiro evidencia a busca por eficiência administrativa e transparência, enquanto a investigação de possíveis irregularidades em áreas como a Secretaria de Saúde aponta para a necessidade de maior rigor nos processos de fiscalização e pagamento. As mudanças no governo estadual prometem gerar debates sobre o futuro da gestão pública no estado.
Governo interino busca cortar gastos e combater irregularidades, com demissões atingindo cargos comissionados e nomes ligados ao ex-governador Cláudio Castro.