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Patinho Feio, Cobra e clone do Mac: a pré-história da tecnologia 100%

Patinho Feio, Cobra e clone do Mac: a pré-história da tecnologia 100% brasileira de computadores Crédito, BBTS 50 Anos/Reprodução Legenda da foto, A Computadores

Patinho Feio, Cobra e clone do Mac: a pré-história da tecnologia 100%
Patinho Feio, Cobra e clone do Mac: a pré-história da tecnologia 100% brasileira de computadores
Anúncio antigo mostra o ex-jogador Pelé, sorrindo ao lado de um computador de mesa, enquanto uma chamada em destaque diz: “A nova paixão do Pelé começa com X.”

Crédito, BBTS 50 Anos/Reprodução

Legenda da foto, A Computadores Brasileiros (Cobra) teve Pelé como garoto-propaganda
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    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 11 min

O dia 15 de agosto é considerado o Dia da Informática no Brasil. Se mundialmente o marco zero dos computadores remete a um trambolhão lançado há 80 anos, em fevereiro de 1946, no Brasil a tecnologia chegaria apenas em 1957— e completamente importada. A partir dos anos 1960, porém, iniciativas passaram a buscar o feito do desenvolvimento de máquinas genuinamente nacionais.

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Batizado de Eniac— sigla de Electronic Numerical Integrator and Computer —, o primeiro computador foi criado pelos cientistas americanos John Eckert (1919-1995) e John Mauchly (1907-1980), na Universidade da Pensilvânia. Pesava 30 toneladas e ocupava uma área de 180 metros quadrados.

Percebendo estarem diante de uma revolução tecnológica, a dupla passou a empreender projetos buscando criar versões que pudessem ser comercializadas. Na década seguinte, criariam o Univac I— o nome vinha de Universal Automatic Computer. Uma versão subsequente do equipamento, chamada de Univac 120 e mais compacta, foi o primeiro computador a funcionar no Brasil, 11 anos depois da invenção do Eniac.

A peça foi adquirida pela Prefeitura de São Paulo e era usada para o processamento de dados do serviço municipal de água e esgoto. O equipamento era fabricado e comercializado pela empresa americana Remington Rand, que dominava o setor de suprimentos para escritórios. O computador ocupava um andar inteiro na instituição. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista

"Processamento eletrônico de dados era uma loucura. Envolvia uma estrutura gigante. Ocupava um espaço enorme e com válvulas que geravam um calor colossal", conta o físico Marco Aurelio Alvarenga Monteiro, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e autor do livro Nos Labirintos do Eu.

"Esse serviço acabou sendo a origem da atual Prodam, a empresa de tecnologia e informação da prefeitura", diz o engenheiro Vivaldo José Breternitz, professor na Universidade Paulista (Unip) e consultor.

"Na mesma época, algumas indústrias vislumbraram o uso de computadores para aumentar a eficiência de suas operações", acrescenta Breternitz. Ele conta que a tradicional fábrica de brinquedos Estrela, de São Paulo, está entre as pioneiras da iniciativa privada a terem computadores— em 1958, eles contavam com um Univac.

Era um momento em que se respirava o desenvolvimentismo no país, e o advento da informática não ficava de fora desses anseios de modernização.

Fotografia em preto e branco mostra duas mulheres diante de um grande computador de primeira geração, cercado por painéis de controle, cabos e fileiras de componentes eletrônicos, em uma sala de processamento de dados.

Crédito, Exército dos EUA/Domínio público Mais de mundo

Era o Burroughs Datatron B-205, que pesava mais de uma tonelada e foi adquirido graças a um consórcio formado pela Marinha, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Itamaraty.

"Computadores nessa época eram de uso restrito, trancados em uma sala para fins específicos", contextualiza o engenheiro da computação Carlos Rafael Ximenes das Neves, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). "O da PUC acabou sendo o primeiro de uma instituição de ensino no Brasil."

Zezinho, Cisne Branco e Patinho Feio

Mas até aí essas novidades dependiam do desenvolvimento científico e tecnológico norte-americano. O jogo começaria a mudar na década de 1960. Como costuma acontecer, as inovações tiveram em espaços acadêmicos condições férteis para germinar.

Em 1961, um grupo de estudantes de graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, desenvolveu o Zezinho, considerado o primeiro computador totalmente projetado e construído no país.

A equipe era formada pelos depois engenheiros eletrônicos José Ellis Ripper, Andras Gyorgy Vasarhelyi (1938-2007), Fernando Vieira de Souza (1937-1998) e Alfredo Volkmer.

No livro Guerrilha Tecnológica– A Verdadeira História da Política Nacional de Informática, a jornalista Vera Dantas conta que o Zezinho teve vida curta. Segundo ela, o invento brasileiro acabou "canibalizado pelos alunos" dos anos seguintes, pois as peças e os circuitos acabaram sendo úteis "para novas experiências" na área.

Imagem mostra uma tela verde com um diagrama técnico de um sistema eletrônico, identificado no topo como “ID – PATO FEIO”, acompanhada de uma pequena caixa de texto explicativa.
Legenda da foto, O Patinho Feio, com 100 kg, entrou em operação em 1972, resultado de dois anos de pesquisa e desenvolvimento da USP

Cobra, acrônimo de Computadores Brasileiros

Fotografia em preto e branco mostra uma pessoa operando um computador antigo, com painel frontal repleto de indicadores luminosos, botões e controles, em um ambiente que parece ser um laboratório ou centro de pesquisa.
Legenda da foto, O G-10 nasceu de um convênio da Marinha com a PUC-Rio

Mercado

Imagem publicitária mostra uma linha de computadores de grande porte da série Cobra 520, 530 e 540, com duas mulheres ao lado das máquinas. À frente, aparecem diversas unidades menores de terminais ou periféricos dispostas em fileiras.
Legenda da foto, Na virada para a década de 1980, a Cobra começou a vender microcomputadores

O clone da Apple

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