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Alessandra Monterastelli
Cannes (França)
Dois irmãos americanos de classe média, um certinho e engomado e o outro festeiro e expansivo, são perseguidos depois de provocarem a máfia russa.
Esse é o cerne da narrativa de "Donos da Noite", filme de James Gray de 2007, mas se trata, na verdade, do novo filme do mesmo diretor, "Paper Tiger", que repete os passos do antecessor ao competir pela Palma de Ouro no Festival de Cannes.
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As semelhanças são muitas, e Gray, um mestre do melodrama americano contemporâneo, com tramas recheadas de conflitos morais e emoções exacerbadas, parece referenciar a si próprio.
Em "Donos da Noite", Joaquin Phoenix vivia o gerente de uma boate nos anos 1980, movido a noites de cocaína e carteado. Até que seu irmão, o favorito do pai por seguir seus passos e se tornar policial em Nova York, invade a boate para prender um traficante russo envolvido com a máfia.
A partir daí, os dois irmãos são perseguidos e entram em uma dinâmica de gato e rato com os criminosos. "Paper Tiger" se passa na mesma época e muda um pouco os papéis. Dessa vez, Adam Driver vive Gary, um ex-policial fanfarrão, e Miles Teller o irmão ingênuo, Irwin, típico pai de família de classe média americana, com esposa e dois filhos.
Diferente do primeiro filme, há uma personagem feminina de mais relevância na trama, Hester, vivida por Scarlett Johansson, que faz uma performance de forte carga emocional. Ela é a mulher de Irwin, que é deixada de lado das tramoias dos irmãos, mas dá seu jeito de participar mesmo assim. Mais de entretenimento
Tudo começa quando Gary sugere a Irwin dos dois oferecerem aos russos que transportam petróleo pelos canais de Nova York uma "consultoria" —a ideia é tirar proveito dos estrangeiros. Leia também: Drica Moraes é juíza que enfrenta conflitos éticos em 'Inter Alia', peça
Mas o tiro sai pela culatra. Um deslize leva os dois irmãos a virarem alvo dos russos e, enquanto tentam escapar da enrascada vivos, eles também se estranham. Ressentimentos vêm à tona, apesar de ficarem na superfície, sem serem trabalhados em cena por Gray como em "Donos da Noite".
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